Archive for the ‘"O Pitaco do Guasca"’ Category

O FUTURO PROMETE

novembro 18, 2010

A década passada foi dura para nós, gremistas. Vimos o tricolor ganhar apenas dois títulos nacionais, sendo que um foi a Copa do Brasil, lá em 2001 e, posteriormente, o título do campeonato brasileiro da série B. Algo totalmente incomum para o Grêmio, pois até 2001 nós empilhamos títulos nacionais e internacionais, tendo sido um pecado da natureza a derrota para o então poderoso Ajax, base da inspirada seleção da holanda na época. Mandamos no jogo, com um a menos.

Ao lado do mau desempenho e má gestão do Grêmio da época da ISL, o Inter fazia valer a gangorra: quem não via que o Inter, depois de ter claudicado e pago mala preta para não cair, começava a se organizar? aprendeu com o grande susto. E passou a fazer uma boa gestão. Os resultados estouraram em 2005, quando tiveram um campeonato brasileiro roubado. No ano seguinte, os colorados tiveram a redenção do brasileirão anterior, pois ganharam a libertadores do mesmo jeito que perderam o brasileirão: roubado.

Mas tiraram proveito e derrotaram o poderoso Barcelona no mesmo ano, sagrando-se campeão mundial. Havia invertido completamente a situação dos anos anteriores. Eu vi uma boa gestão do Inter, na área de categorias de base, marketing, futebol… em todos os setores. Enfim, o Inter de Fernando Carvalho seguia o bom exemplo do Grêmio de Fábio Koff.

Qual gremista não sentia o gosto amargo de ver jogadores do Inter satisfeitos com o clube e quando saíam, sempre queriam voltar? e isso ilustrava a boa fase do Internacional.

Sempre foi assim, na história Gre-nal: um no topo e outro na lama.

Mas essa história vem mudando lentamente: depois da mala preta do Inter para o Paysandu em 2002 e do rebaixamento do Grêmio de 2005, os times resolveram sacudir a poeira e pelear como verdadeiros gaúchos.

Melhoraram a gestão, o quadro social, o marketing, o plantel. Hoje, a briga é em alto nível. Logicamente, o Internacional, por ter começado a se organizar antes, está colhendo os frutos primeiro.

Notem que a gangorra ainda existe, mas não é mais um no céu e outro no inferno. A briga é por quem terá o melhor estádio do Brasil, por quem terminará melhor o campeonato, enfim, a disputa e a rivalidade continuam fortes, mas hoje ambos concorrem juntos e em alto nível.

E, assim como o Internacional, vejo o Grêmio melhorando cada vez mais sua gestão: diante da dívida que maneava a capacidade de investimento do clube, foi inteligentemente criado o condomínio de credores, os quais vêm, com muita dificuldade, sendo pagos. Ainda existem muitos problemas financeiros, mas a luz no fim do túnel está brilhando (e não é o trem vindo).

O clube voltou a investir nas categorias de base, incrementou o quadro social, vem trabalhando bem no marketing, vem procurando honrar as contas e usa soluções estratégicas com investidores para trazer jogadores. Há notícias de que para 2011 o Grêmio assinaria uma parceria com a Traffic, o que pode significar o desembarque de craques aqui novamente. Se não for uma nova ISL – e a tendência é que não o seja, haja vista o parcial sucesso com o Palmeiras, eis um grande alento para o Tricolor. Com boas gestões e com uma parceira que traz jogadores, a volta dos títulos será inevitável.

Hoje ainda li que jogadores como Gallato e Carlos Eduardo sentem falta do Grêmio e querem voltar em breve (antes de completarem 30 anos). É o mesmo sintoma que acometia o Inter: jogador quando não quer sair ou quando quer voltar é porque recebeu em dia, foi bem tratado e teve uma boa estrutura oferecendo sustento.

No futebol, quando se investe bem nos pontos fundamentais e a longo prazo, o resultado vem inevitavelmente. Funciona como na vida: só se colhe o que se planta. Ou como se diz na minha terra: se plantar milho não tem como colher feijão. A semeadura é livre; a colheita, obrigatória.

Pra não perder o costume, finalizo com verso de música gaúcha de qualidade: “Quem é do garrão da pátria, alma sangue e procedência, o amor pela querência traz retratado na estampa; retovos de casco e guampa no repertório da lida, pra que o sentido da vida finque raízes na pampa”.

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VOCÊ IRIA AO ESTÁDIO DO RIVAL PARA SECAR?

setembro 29, 2010

Hoje, excepcionalmente em virtude do pleito que se avizinha, gostaria de pedir um pouco do espaço do esporte para falar de política, a fim de concitá-los à reflexão, sem ter nenhum objetivo de conduzir a esse ou àquele candidato.

A primeira coisa que precisamos nos dar conta é que muitos de nós ouvimos, quando criança, que seríamos o futuro do país. Pois bem, aquela frase de esperança (e responsabilidade) que nos conferiram hoje precisa de resposta.

A primeira delas é a de que fizemos algo para um futuro melhor. A nossa geração, apesar de muito abaixo do ideal, teve acesso maciço à escola em relação a tempos pretéritos. Tudo graças aos investimentos da classe média e de recentemente um lampejo de ações governamentais. Tivemos mais acesso ao ensino superior e, em linhas gerais, obtivemos bons resultados, qualificando o mercado de trabalho.

Se os governos, independentemente de cores e bandeiras, tivessem investido adequadamente em educação, assim como a iniciativa privada (nossos pais) fez, hoje estaríamos muito mais avançados em todos os níveis. Mas o que quero dizer é que, dentre as pessoas que tiveram a felicidade de ter oportunidades de estudo e crescimento, em linhas gerais os jovens adultos de hoje fizeram a sua parte. Fizemos a nossa parte até hoje.

Nós, jovens adultos, não somos mais o futuro da nação. Somos o presente. E devemos continuar agindo para termos um país melhor. Hoje não apenas nos qualificando, mas agindo efetivamente contra a corrupção e os (des)governos.

Basicamente, existem duas formas: ou uma nova revolução farrapa ou através do voto. Sinceramente, se conseguíssemos uma revolução menos sangrenta, eu apoiaria. Não pelo meu gauchismo, mas pelos absurdo que vejo e ouço. Por causa dos desmandos e abusos.

Não consigo esconder esse sentimento de decepção e descrédito. Eu vou chegar perante a urna eletrônica dia 03 de outubro e escolher o menos pior para me representar nos poderes executivo e legislativo.

Isto é um absurdo! O voto é o melhor instrumento de soberania do povo, é a forma de se homenagear a democracia, elegendo alguém que me represente. Ora, é como assinar uma procuração por instrumento público, autorizando determinada pessoa a agir em meu nome no Poder Executivo e Legislativo.

E sinceramente, tirante um cargo de senador e talvez para deputado estadual, eu não assinaria esta procuração por mais ninguém nessas eleições. Mas vou votar. E meu voto não é para dar a procuração àquele que julgo ser o melhor, mas para afastar aquele que não quero.

Acho muito pouco, sobretudo diante de nós, jovens adultos, que fizemos nossa parte para um Brasil melhor: estudamos e nos tornamos profissionais qualificados. Ainda temos muito a fazer e melhorar. Fizemos a nossa parte se olharmos a média do país, mas não fizemos nem perto do que podíamos e podemos.

Ainda estamos longe do ideal: vendemos votos, somos mal educados, burlamos regras de trânsito, privilegiamos interesses privados… em suma, cometemos desde pequenas até grandes infrações morais e penais. Por isso, temos representantes corruptos, que refletem a cara do país.

Esse cenário vem lentamente mudando. Por isso é que pessoas corretas se veem afrontadas ao serem obrigadas a ir votar. Mas não por não gostarem da democracia; simplesmente pela completa ausência de opções de representantes que honrem com dignidade a procuração que a eles passaremos no próximo domingo.

Em suma, no dia 03 de outubro vou comparecer à cabina secreta como se tivesse indo ao Beira-Rio torcer pelo adversário do Internacional, algo que só faria se fosse obrigado.

SE NÃO CONSEGUE VENCER, JUNTE-SE A ELE

junho 30, 2010

Várias e maçantes vezes eu bati na tecla de que os interesses financeiros não podem superar o espírito esportivo. Como Guasca de Bom Jesus, “podemos morrer, mas caímos de joelho, não se ‘entreguemo’ pros paraguaio”. Vou manter sempre este pensamento. Mas se sei que não vou conseguir êxito com isso, não adianta só vociferar. Sou louco mas não sou burro. Embora não seja opinião tão aceita assim, interesse financeiro prevalecendo sobre espírito esportivo pode produzir algo útil e saudável. Copa do mundo é o exemplo disso.

A dona FIFA tem seus defeitos, suas intransigências, seus interesses financeiros fúteis e mesquinhos. Mas é forçoso reconhecer que esta entidade transforma e potencializa o futebol e, especialmente, a copa do mundo, em um poderoso fator que supostamente altera para sempre a economia do país que sedia o evento.

Investimentos em infra-estrutura (ruas, estradas, parques, hotéis, restaurantes, etc…), em segurança, em saneamento básico, entre tantas outras áreas, segundo se fala, deixam marcas positivas para sempre.

Se for verdade e o trabalho for feito com consciência, eficiência, ainda que milhões sejam desviados, teremos no Brasil uma mudança radical. Assim, talvez se tornássemos mais atrativas as competições com seleções, mantivéssemos altos níveis de retorno de benefícios para a sociedade.

Será que não seria possível fazer as copas com intervalo de 03 anos? Ou reduzir a extensão dos torneios eliminatórios e fazê-los concentrados em um país-sede? Talvez em continentes diferentes, para não haver favorecimento para o país que sedia: seria interessante uma das fases das eliminatórias europeias aqui no Brasil, por exemplo. Movimentaria o mercado quase tanto quanto a copa do mundo…

Ou quem sabe transformar a Copa América, para ficar no nosso exemplo, que já é feita com um país-sede, passar a ser de modo que as colocações nessa copa definiriam os classificados à próxima copa do mundo… Seria um prestígio para essa copa, que acaba sendo pouco valorizada… Imagina Copa do Mundo e Copa América de 03 em 03 anos, esta última no ano anterior ao mundial, eliminando essa Copa das Confederações… Seria na prática, um ano sem nada de competições com seleções e dois com competições de alto nível de importância.

Bueno, são divagações. Mas certamente seriam bem mais atrativos do que longas eliminatórias (que bem ou mal interferem nos clubes com convocações esparsas) ou que uma Copa América desvalorizada; ou ainda mais interessantes do que uma Copa das Confederações que só serve para testar o país que vai sediar e para lembrar as pessoas de que a gente deve torcer pela seleção, não só pelos clubes.

Nunca pensei que fosse relacionar “la plata que me falta” com esporte. Ainda sou meio resistente a essa ideia, mas dizem que os benefícios para os países-sede são inúmeros. Sendo assim, sou obrigado a me valer das palavras do mestre Jayme Caetano Braun: “em bruxas não acredito, pero que las hay, las hay”…

FAVOR NÃO INSISTIR…

junho 11, 2010

O internacional sempre gostou de copiar um pouco o Grêmio, precursor de títulos de importância e também de estratégias de marketing. Cantos de incentivo, letreiros, dizeres… Mas tem uma coisa que não deu pra copiar: o Inter não terá Luís Felipe Scolari. Favor não insistir!

Comunicado de Scolari

O técnico Luiz Felipe Scolari, direto de Lisboa, avisa que agradece ao vice presidente do CR Flamengo, Helio Ferraz, pela conduta profissional e transparente durante o período da conversa que tiveram. Scolari avisa que não pode aceitar o pedido pois ainda não definiu o seu futuro. A prioridade é sua família.

Quanto aos insistentes noticiários sobre o interesse do SC Internacional, Luiz Felipe Scolari reafirma o que disse em entrevista ao vivo à radio Bandeirantes Porto Alegre e São Paulo há 15 dias. E lembra de sua forte relação com o Grêmio, portanto não há hipótese de realizar nenhum trabalho na equipe rival.

COTAS DE TV PROPORCIONAIS AO NÚMERO DE SÓCIOS

março 4, 2010

Desde que caminho eu jogo (deficientemente) futebol. Mas, acredito que de 15 anos pra cá, me dediquei também a pensar sobre futebol. Táticas, times, mas também conceitos. A base do meu pensamento é que o futebol enquanto esporte, deveria ter o foco principal no entretenimento, na saúde, movimentado pelas paixões de torcedores e regido pelo espírito esportivo de jogadores, treinadores e cartolas.

Um conceito clássico e talvez superado há cinquenta anos ou mais. Hoje, quem manda no futebol, como em tudo na vida, é o dinheiro. Arde o peito admitir que jogos são manipulados, jogadores são escalados, vendidos, comprados, tudo em função do lucro. Escrevi um sem-número de postagens, indignado com esta pútrida realidade. Mas não adiantou espernear. Agora, começo 2010 tentando arrumar alternativas para diminuir a situação dos nossos clubes, verdadeiras “marionetes de empresários”, obrigados a vender promessas a preço de banana para cobrir furos no caixa.

Ora, as três principais receitas de um clube são: cotas de TV, patrocínios e recursos próprios. Neste último, podemos fazer uma subdivisão, nesta ordem de grandeza: vendas de jogadores, quadros sociais, licenciamentos e bilheterias.

É crescente no Brasil, especialmente aqui no sul, o número de sócios dos clubes, o que vem aumentando as receitas e a primeira consequencia sentida é a diminuição de vendas de jogadores. Exemplo de sucesso nessa área é o Sport Club Internacional, que já é o clube brasileiro com o maior número de sócios em dia, provavelmente mais de 100 mil. O Grêmio também tem destaque nos quadros sociais e isto certamente tem influenciado no início do saneamento dos cofres do clube, que na atual temporada conseguiu montar uma equipe forte.

A gestão dos clubes gaúchos, especialmente no que diz respeito aos quadros sociais, está sendo bem sucedida. E a questão a ser debatida é: como aumentar o quadro social de um clube?

Ora, oferecendo vantagens para o sócio. E a principal vantagem a ser oferecida a um sócio são títulos. Isto mesmo, faixa no peito e troféu no armário. Obviamente que um clube que ganha títulos atrai mais seu torcedor. Mas esta não é uma verdade absoluta. Fosse assim, São Paulo teria disparado o maior quadro social entre clubes brasileiros.

Vantagens pecuniárias são outra forma de atrair um torcedor a se tornar sócio. Até algum tempo atrás, sócio não pagava ingresso. Mas a partir do momento em que se tem mais sócios do que lugares no estádio, tornou-se necessário encontrar alternativas. A extinção da isenção de ingresso foi a primeira delas. Hoje, sócio ganha desconto e preferência na compra de ingresso.

Mas mesmo assim, se um clube tem mais sócios do que lugares no estádio, não é suficiente dar desconto para ingresso; vai ter sócio sem direito a entrar no estádio. E para esse sócio frustrado, a única coisa que o mantém preso ao quadro social do clube, pagando sem usufruir de vantagem alguma, é a velha e ultrapassada paixão pelo clube.

Ora, se paixão por futebol não é mais suficiente, então vamos raciocinar: qual a razão de uma pessoa ser sócia do clube e assistir na TV os jogos? Nenhuma. Não adianta enviar folders, revistinhas, oferecer desconto nas academias, piscinas. Não. Sócio de clube de futebol quer vantagem como torcedor de futebol, não como membro de clube familiar.

Como então oferecer vantagem ao torcedor de futebol? Muito simples. Se é inevitável que parte dos sócios assistam os jogos pela televisão, basta então reformular o sistema de cotas de TV e de prioridades de exibição dos jogos.

Hoje em dia você é obrigado a ver jogos de Flamengo e Corinthians, que até dias atrás estavam em uma fila por títulos maior que a fila do INSS. Era uma monotonia. Tudo porque são os times de maior torcida no país.

Se mudasse o critério para oferecer quinhão (em dinheiro e em espaço) de televisão tanto maior quanto maior for o número de associados do clube, será um incentivo e tanto aos sócios que são obrigados a ver os jogos pela TV a permanecerem na condição de sócios. Afinal, terão maiores chances de ver seu clube do coração se ele tiver um quadro social polpudo.

Ou, ainda mais atrativo: oferecer desconto no famoso e famigerado PFC a quem for sócio em dia nos seus clubes.

Dirão alguns: isto é impossível, pois significaria prejuízo à televisão, que tem interesse é no grande público. E a réplica para esse argumento é automática: será que Flamengo e Corinthians têm potencial inferior a algum clube brasileiro para angariar sócios? É claro que não. Pelo contrário! Isso estimularia os milhões de flamenguistas e Corinthianos a se associarem aos seus clubes.

O efeito seria cascata: os clubes brasileiros se desatolariam das dívidas, cresceriam, ganhariam qualidade e independência, pois manteriam a “matéria-prima” inesgotável no Brasil, que são os novos craques e multiplicariam potencial de desenvolvimento, equilibrando-se aos grandes europeus.

E, ao fim e ao cabo, a televisão lucraria também, e muito, pois conseguiria retransmitir nossos campeonatos a todos os lugares do mundo. Sem contar que PFC’s da vida angariariam muitos novos clientes ao ofertar descontos para quem for sócio do time.

Recentemente o clube dos 13 conseguiu a façanha de vender os jogos do campeonato brasileiro para a Ásia. Agora, concorreremos a audiência asiática com campeonatos como o da Inglaterra, por exemplo.

Na minha opinião, uma ação conjunta entre clubes e televisão nesse sentido poderia significar o início de novos tempos no futebol brasileiro.

CHASQUE PELO PAGO DE CADA UM E DE TODOS NÓS

dezembro 15, 2009

Bueno, xiruzada, peço licença para uma intervenção extraordinária e fora da temática esportiva do Pitaco do Guasca. E o motivo é dos mais nobres. Como todo bom gaúcho, eu tenho um apego enorme pelo meu pago. E ele tá cada vez mais em risco, por culpa nossa. Eu não sou do Partido Verde, nem acompanho a moda do tal de COP15. Até acho demagogia tratar do assunto sem que se saia da teoria pra prática.

Tem um galo véio dizendo que o mundo vai acabar em 2012, fervendo de dentro pra fora, como num aparelho desses de microondas (que nunca vai suplantar o bom e velho fogo de chão). Pra mim, é uma grande besteira mas, mesmo não tendo relação direta com o assunto, me fez pensar nas coisas que já vêm acontecendo no mundo. Como todos sabem, eu viajo bastante pro interior. E minha rotina já mudou poor causa das variações climáticas. Tenho ligado para as concessionárias das rodovias ou para as polícias rodoviárias para saber se não houve nenhum deslizamento de terras por causa das chuvas ou alguma árvore caída na estrada por causa dos ventos. E isso tem entrado na rotina, como se fosse normal. Mas, chomisco, não é e nem pode ser!

Tche, uma frase certa que vem do campo e se aplica em qualquer situação da vida é a seguinte: “se plantares milho, nunca vais colher feijão”. O que parece óbvio ululante é muito mais profundo, sobretudo quando adaptarmos para o cotidiano: se eu semear mentira, discórdia, algazarra e falsidade, nunca vou colher verdade, paz e serenidade. Pensem nisso…

Mas o que me leva a vir até aqui é a preocupação com o planeta. Vejo o tal do COP15 e desejo que algo seja feito em termos de governos dos países. Porque se hoje colhemos desarranjos climáticos, tempestades, vendavais, enchentes, extremos de calor e frio, tudo isso é a colheita de uma semeadura porca, repleta de uma incomensurável emissão de gases poluentes, desmatamentos sem controle, mau uso da água, enfim, do desequilíbrio ambiental que nós mesmos causamos, seja as empresas e seus controladores, de forma direta, seja de forma indireta, conosco assistindo de camarote e deixando de fazer a nossa parte.

Sou um cético no que tange a ações governamentais de relevo, porque isso implica interferir nos lucros das grandes empresas e do próprio governo. E aí, amigos, nada é feito. Porque, afinal de contas, dinheiro é ou não é a coisa mais importante da vida!?

Então, convido os amigos a prestar atenção em pequenas coisas da vida, como, por exemplo, em um restaurante, no buffet, não trocar de prato ao repetir. Isso, que se faz em nome de regras afrescalhadas de etiqueta, significa mais um prato a ser desnecessariamente lavado, o que implica um desperdício desinteligente de cerca de um litro de água potável em nome de uma etiqueta démodé, para usar um termo nada gauchesco. Outra coisa simples, como fechar a torneira enquanto se escova os dentes ou faz a barba, reduzir em um minuto o tempo do banho, pode significar uma economia de 15 litros de água. Cada cidadão pode, portanto, deixar de gastar, brincando, 20 litros de água diariamente, o que significa 600 litros/pessoa/mês. Bastante, não? Agora, vamos multiplicar isso, somente pelos últimos 15 anos de nossas vidas… cada um botou fora, desnecessariamente, quase 10 mil litros de água. Projetando mais 50 anos de vida, no mínimo, para cada um de nós, será que podemos admitir que cada um de nós vai simplesmente deixar os nossos descendentes sem cerca de 30.000 litros de água, por culpa de um capricho preguiçoso? É amigos… daqui a 50 anos, só a cidade de Porto Alegre, contando que tenha 2 milhões de habitantes, terá desperdiçado, bobamente, 60 bilhões de litros de água… só por não fechar a torneira enquanto escova os dentes ou por simplesmente trocar de prato no chamado “segundo tempo”. Como os números aumentam, né?

Outras medidas simples podem ser tomadas como evitar ligar o ar condicionado quando não faz tanto calor ou frio (essa, no calor, eu tenho dificuldade), deixar de usar o carro para ir até a esquina comprar pão, etc.

E, por que não, plantar uma árvore? A sabedoria popular diz que todo homem deve ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Vou mais além: como dificilmente o pessoal terá espaço em suas casas para plantar uma árvore, eu me prontifico a trazê-las e plantá-las em Bom Jesus. E batizo o espaço lá no sítio como “capão do futebol”

Deixo este chasque aos amigos, com o intuito de apenas exemplificar pequenas atitudes e incentivar a reflexão para, quem sabe, fazer surgir outras pequenas atitudes (não só ideias) que podem dar início a uma virada na tendência climática do mundo. Parem e pensem: a cada ano que passa, os problemas climáticos se agravam! Em 2008, Santa Catarina sofreu isoladamente: E esse ano? Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro viveram semanas de angústia. Pessoas estão morrendo por causa disso.

Anos atrás, nada disso se pensava no Brasil. Ciclone era coisa de americano e terremoto, de japonês. E essas duas coisas já acontecem aqui (a segunda, com menos intensidade, mas já se percebe).

E a causa disso tudo, ao fim e ao cabo, está só na mesquinharia e no descaso de nós mesmos. Por isso, o mesmo ser humano que causou isso, pode, com seriedade e a longo prazo, mudar essa história e esse destino. Até quando vamos brincar ou fazer pouco caso disso?

UM PENDURAR DE CHUTEIRAS COM A ALMA TRICOLOR

dezembro 13, 2009

Foi uma despedida de luxo, o mínimo do que um dos 5 maiores ídolos da história tricolor merecia. Mas foi muito mais do que isso.

Eu me arrependo muito por não ter ido assistir a esse jogo. Era uma oportunidade única de ver o grande time do Grêmio de 1995, se não o melhor é o segundo melhor de todos os tempos, reunido mais uma vez, provavelmente a última.

Como bom gremista, eu me arrepiei com a entrada do time em campo. Mas eu não esperava que as imagens que eu estava prestes a ver fossem tão marcantes e me trouxessem tantos ensinamentos.Muitas lições eu tirei de cada imagem, de cada lance. Confesso que chorei. Me senti até meio ‘manteiga’ por isso, mas o choro do Dinho, o imortal cangaceiro, me isentou de tal sensação.

É que eu via mais do que um jogo: quando a bola rolou, tudo aquilo que eu defendo sobre o esporte, eu vi em campo no estádio Olímpico Monumental. Primeiro, uma torcida absolutamente apaixonada. Se o Flamengo tem a maior torcida do mundo, o Grêmio tem, sem dúvida, a MELHOR!

Segundo, eu vi um TIME de futebol. Aqueles 11 jogadores capazes de derrubar qualquer adversário. Aquele time que não tem um grande craque, mas tem 11 guerreiros imortais imbatíveis, obstinados e incansáveis. Isso, em um campeonato de pontos corridos, fica em segundo plano, perdendo espaço diante da necessidade de se ter 2, 3 jogadores para cada posição, porque, por mais incansável que seja, esse time de 11 jogadores não tem condições de fazer 38 finais.

Terceiro, eu vi um espetáculo em que não só a torcida é apaixonada pelo clube, mas os próprios jogadores são declaradamente apaixonados pelo clube, ainda que alguns não sejam gremistas de origem, mas todos se identificam com o clube. Eu vi Danrlei, goleiro que atuou 10 anos no Grêmio e, não fosse a perda de competitividade, estaria até hoje na meta tricolor, porque nunca sairia do Grêmio por ofertas de outros clubes. Eu vi Tarciso, que atuou ainda mais tempo defendendo as cores azul, preto e branco: de 1973 a 1986! E o passe que ele deu no primeiro gol explicou para os que não viram ele jogar a razão de tanto tempo ter ficado no Tricolor da Azenha.

Eu vi Dinho novamente xerife do meio campo do Grêmio, e tive a certeza de que não haveria moleza para o adversário; eu vi Arce novamente, e tive a certeza de que o Grêmio teria meio gol a cada falta. Sabia que o lado direito de ataque seria uma fonte de perigo, com seus cruzamentos precisos; eu vi Paulo Nunes e sua agilidade, flutuando no setor de criação, abrindo a zaga e fazendo os velhos cruzamentos para Jardel. E Esse último tem uma estrela enorme. Não fosse sua forma física, seria titular no Grêmio e em qualquer clube do Brasil. Jardel sabe fazer gol e tem o atalho pra isso.

Bem, falando de alguns, eu acabo fazendo injustiça a todos os outros, que deram um exemplo de como deve ser o futebol, hoje enlodado pela interferência exagerada de empresários, pelas malas brancas e pretas, por uma fórmula sem emoção e pelo predomínio incondicional do dinheiro.

E até nisso a torcida deu aula, ao vaiar Assis. Eu até achei um pouco exageradas; ele foi um grande jogador, muito importante para o Grêmio. E defendeu os interesses da família. De forma alguma eu condenaria a saída do Ronaldinho, tendo em vista que seria inevitável e a solidificação financeira é necessária. Todo jogador, toda pessoa precisa buscar isso. Mas a forma como as coisas foram conduzidas até hoje geram efeitos. Que julgo serem positivos, pois mostra que a torcida do Grêmio valoriza o amor à camisa, mesmo que o jogador saia para fazer sua “independência financeira”. Mas que saia de uma forma correta e transparente, como fez Cláudio Pitbull, por exemplo.

Enfim, esse jogo trouxe de volta em mim a certeza de que os princípios esportivos que carrego estão certos e que não é anacrônico para o jogador ter um time do coração e valorizá-lo mais do que o dinheiro. E me deu um orgulho enorme de ser gremista.

Danrlei, muito obrigado pelos títulos que nos deste. Foste um grande goleiro e sempre será um ícone cravejado na nossa história. E muito obrigado pelo jogo de despedida que organizaste. Esse jogo jamais sairá da minha retina, pois nesse jogo pairava de novo no Olímpico, em sua plenitude, a eterna alma gaudéria, gaúcha, guerreira e, em uma palavra, GREMISTA.

Pela volta do mata-mata!

dezembro 7, 2009

Diante de uma final de campeonato como a que vivenciamos hoje, mais uma vez venho manifestar repúdia com pontos corridos, uma fórmula em que os dois postulantes ao título jogavam, um contra um time que lutava pra não cair e o outro enfrentava um time que simplesmente só pensava em ir à praia depois do jogo. Somente com uma fórmula dessas o torcedor de Flamengo aplaude o Grêmio (adversário) e faz com que torcedores do Grêmio torçam por flamengo. Somente esta fórmula faz colorados vibrarem com um gol do Grêmio, muito mais do que com gol do seu próprio time…

Em diversos comentários e postagens que fiz neste blog, eu demonstrei a minha inconformidade em relação ao mercantilismo que tomou conta do esporte. Os interesses financeiros estão acima de tudo. Patrocinadores, televisão e empresários dominam amplamente o futebol, manipulando tudo, desde escalações de determinado jogador, convocações tendenciosas, até mesmo manipulando resultados de jogos e corrompendo arbitragens. E enquanto eu puder, criticarei esse absurdo, esse lado negro do futebol.

E, diante desse ambiente que tomou conta do futebol, a fórmula do campeonato tinha que mudar, para acompanhar e fomentar a influência monetária no esporte. Esta fórmula dos pontos corridos se encaixa com perfeição nesta concepção.

Porque nesta fórmula, sagra-se campeão não o melhor time, aquele mais azeitado, mais entrosado, aqueles 11 jogadores que são imbatíveis. Algo como ocorre no futebol amador, semelhante àquele time que provavelmente muitos dos apaixonados por futebol já fizeram parte e têm fotos guardadas nas suas casas.

Meu pai, por exemplo, certa vez, me mostrou uma foto do time dele do Banco do Brasil (de futsal, na época, futebol de salão), logo que a agência foi fundada em Bom Jesus. Eu conheci todos os jogadores daquele famoso time, que durou anos. Cada um sabia onde o outro estava, sem olhar. Ganhavam todos os campeonatos que jogavam. Enfim, me refiro à magia do futebol. Mas o futebol amador era apenas o espelho do profissional.

Essa magia do futebol prevaleceu durante muito tempo, também no futebol profissional. Para ficar em alguns exemplos, relembro o Internacional dos anos 70, o Flamengo dos anos 80 e o Grêmio dos anos 90. Eram verdadeiros timaços, fechados, azeitados. Imbatíveis nas suas épocas.

Mas ouso dizer que, na atual fórmula, não teriam sido campeões brasileiros. Porque eram ‘apenas’ excepcionais times de futebol. Hoje, se alguém acha que um time é campeão, está redondamente enganado. Quem é campeão é a empresa de futebol. Ganha a instituição que tiver a melhor infra-estrutura, o melhor centro de treinamento, o melhor preparador físico e, sobretudo, o melhor elenco. Por elenco, não se lê apenas os 11 jogadores, mas principalmente, reservas e segundos reservas do mesmo nível. As chamadas “peças de reposição”.

Reflitam o absurdo que é esta expressão, dentro do conceito de futebol que cada um de nós idealiza! Convido agora os amigos a pensarem como está distorcida a realidade em geral: foi sucesso na internet o tal de “cartola FC”, algo que tenho ojeriza e desconheço as regras, mas me parece que o usuário é uma espécie de empresário, que ganha pontos quando o seu jogador vai bem na rodada… ou ainda, jogos de videogame cuja temática é futebol, mas não se joga o jogo, se controla o time e suas transações de jogadores, objetivando ganhar mais para comprar os melhores jogadores. Um jogo de videogame em que você é uma mistura de presidente do clube com empresário…

Tudo isto se coroa em uma fórmula fétida como esta, de pontos corridos. Bradam os seus defensores que, nesta fórmula, todo jogo é uma final, que as arrecadações (!!) de bilheteria são maiores e que é a mais justa, pois o time que mais ganha é o campeão.

Contraponho todos estes argumentos. Primeiro, a fórmula é anacrônica, pois diante do calendário futebolístico assoberbado como temos, nenhum time (exceto aquelas empresas que têm “peças de reposição” suficientes) tem condições de jogar com força máxima sempre.

Ademais, especialmente no fim desses campeonatos, as ditas “finais múltiplas” ocorrem, não raro, com enfrentamentos entre os postulantes a título contra times sem motivação e interesse nenhum no campeonato, e até mesmo já rebaixados. Ocorrem duelos de Davi x Golias, cuja graça é zero, a não ser pela expectativa do time desinteressado – e provavelmente falido – de receber dinheiro dos interessados para que ganhem seus jogos, a conhecida falcatrua denominada de “malas-branca”, que é, a rigor, o único “grande trunfo” desta fórmula.

Segundo. As arrecadações de bilheteria não são o foco principal do esporte, a não ser nesta concepção mercantilista. E também não sei se isso é verdade. Hoje, por exemplo, no jogo Sport (rebaixado) e Inter (postulante ao título), as arquibancadas estavam vazias. No mesmo dia, Goiás (sem nada a fazer) x São Paulo (postulante ao título), em que pese o jogo ser em Goiânia, a torcida são-paulina era maior. Portanto, ainda quando se vê um acréscimo de espectadores, esta realidade freqüentemente é distorcida, pois se o campeonato é de turno e returno, isto existe para conferir paridade na disputa, ou seja, permitir que os times se enfrentem uma vez fora de casa e uma vez em casa, com o apoio da sua torcida. Isto já quebra parcialmente o argumento de justiça, que passo a tratar.

Em terceiro, lugar, como adiantei, esta fórmula NÃO é a mais justa. É muito superficial dizer que quem ganha mais é o melhor. Bueno, aqui daria para escrever três dias para contrapor. Mas vou procurar ser breve e me valer de uma noção de justiça que é dada na Universidade. Justiça é um conceito amplíssimo e que pode – e deve – ser encarado pelos mais diversos ângulos. No caso de competições esportivas em geral, a justiça se estabelece, sobretudo, dentro do ideal de igualdade.

E igualdade, ensina-se na academia, não significa apenas estabelecer uma regra e dela ficar eqüidistante. É preciso “tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais”. Logo, em uma competição, deve-se, sem dúvida, existir uma fórmula que preveja o confronto direto entre todos, se possível, em dois turnos ou, se apenas em um turno, mediante sorteio. Mas isto só não basta, pois aí somente se privilegiou a regularidade, o time com maior número de “peças de reposição”. Se esquece do principal em um campeonato, que é a competitividade.

Enfim, somente se privilegia quem tem mais dinheiro. Mas será que este é o melhor time? Se a resposta for positiva, por qual razão em 2008 o São Paulo (campeão) seria melhor que o Grêmio (vice) se ele perdeu os dois jogos contra o Tricolor gaúcho?

Me responderiam os lógicos superficiais que o São Paulo teve mais regularidade. Ora, o que é regular está na média. Quem vive na média é mediano, não o melhor! Para ser melhor, o 1° tem que ganhar do 2°. Futebol nem sempre tem lógica, mas é preciso buscar a justiça sempre.

E é aí que adentra a concepção integral de igualdade e justiça: tratar desigualmente os desiguais. Não se pode, sob o argumento da regularidade, colocar todos os times no mesmo balaio. Porque são desiguais. E é preciso dar tratamento desigual para que se atinja a questão da competitividade do time, não só da regularidade. São Paulo e Grêmio, para ficar no exemplo do campeonato brasileiro de 2008, possuíam uma abissal diferença de ‘plantel’ (outra expressão mercantilista do futebol), mas o time do Grêmio era mais azeitado, mais entrosado, mais aguerrido, mais vibrante do que o São Paulo. E futebol é isso! É feito de 11 jogadores nas quatro linhas.

Logo, a justiça no futebol depende de uma fórmula híbrida, como era a do mata-mata! Os times que vencem mais se classificam para um octogonal final, em que o melhor tem o privilégio de jogar contra o pior destes oito classificados. Somente assim se chega à justiça e equilíbrio entre equipe poderosa e time entrosado. Nesta fórmula, não ganha o mais regular, mas o mais competitivo dentre os regulares. Ora, se é uma competição, o próprio nome afasta a possibilidade de o mais regular ser considerado o melhor.

Por isso, defendo a volta do mata-mata, com estas observações: os dois melhores da primeira fase garantem as duas primeiras vagas na libertadores. Isto gera o interesse em ganhar todos os jogos, preservando o lado bom do sistema de pontos corridos. E os oito melhores se enfrentam, sendo o primeiro contra o oitavo e assim sucessivamente.

Ora, se o time que fez mais pontos realmente é o melhor, ele ganharia dos demais, pelo que a justiça não se abala nesse sistema. Pelo contrário, ela se reforça, se perfectibiliza dentro do critério de “tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais”.

CAMPEONATO GAÚCHO – parte 5 – Porto Alegre assume de vez a liderança em títulos estaduais.

novembro 10, 2009

No campeonato gaúcho de 1925, que estaria recém em sua quinta edição, Bagé se igualou a Porto Alegre, ambas com dois títulos estaduais cada. E o ano de 1926 reservara uma disputa particular entre as cidades, pois a final seria exatamente de representantes destas.

Grêmio versus Guarany. Dois dos maiores times gaúchos da época, estariam medindo forças na final de 1926. Em 1920, o campeão foi o Guarany e o tricolor da Azenha ficou com o segundo lugar. Mas em 1926, a história foi diferente. Foi um jogo difícil, estampado pelo placar, três tentos para cada, no tempo normal, sendo que o tricolor venceria por um a zero na prorrogação.

Este ano marcou um fato ao qual foi dado pouca relevância histórica; mesmo destino dado às causas e consequências, que são muito mais importantes – e até certo ponto, graves. A partir de 1926, Porto Alegre assumiu a hegemonia dos títulos estaduais. E Jamais largou esse posto.

É bem verdade que a capital sempre forneceu melhores condições de desenvolvimento de futebol, assim como ocorre na grande maioria dos setores da sociedade, até em função da maior densidade demográfica.

Mas o fato é que, por trás dessa hegemonia dos clubes da capital, sempre existiu um privilégio, sobretudo a Grêmio e Inter. Vários anos os dois clubes, por força de calendário, entraram em fases finais. Em outras épocas, a dupla só jogava em casa. E desde o início, as finais ocorriam em Porto Alegre. Outras circunstâncias também favoreceram Grêmio e Inter.

Por exemplo, a partir de 1961 foi extinto o critério de divisão em zonas, com campeões citadinos disputando fases regionais. Adotou-se o sistema de acesso e descenso que, na prática, foi criado veladamente para permitir que os clubes da capital pudessem disputar o campeonato gaúcho.

Sob o suposto critério de justiça do sistema de acesso e descenso, o efeito prático foi a extinção da importância dos campeonatos citadinos. Ora, podem chamar de anacronismo, mas não concordo que o sistema de acesso e descenso seja mais justo. O campeonato não é estadual? se o estado é formado por cidades, os campeões destas devem se dividir em zonas para restringir o número de times e, o campeão destas, disputar a fase final do campeonato gaúcho.

Basta dividir o campeonato gaúcho entre até 1960 e pós 1960 e fazer a comparação: até 1960, em 40 edições, tivemos 10 campeões gaúchos vindos do interior do estado. Ou seja, 25% dos títulos foi para o interior. Até aí, creio que as condições eram melhores e a superioridade da dupla tinha proporção com o maior número de títulos.

Mas, a partir de 1961, sob a nova fórmula, foram disputadas 49 edições do campeonato gaúcho, sendo que destas, somente 02 vezes (1998 e 2000) o título foi para o interior. O percentual caiu de 25 para 4% de clubes do interior campeões.

Naturalmente, não se discute o mérito da dupla porto-alegrense, muito menos estou sugerindo que a superioridade Gre-nal decorra unicamente desses privilégios, mas os fatos são gritantes e inegáveis; e também é de se convir que a superioridade não guarda a mesma proporção daquilo que acontece no campo de jogo, onde se vê que o desequilíbrio não é tão grande como no percentual.

Eu acho que a dupla Gre-nal tem mérito e superioridade para ostentar 75% dos títulos gaúchos, como ocorreu até 1960, mas não para 96% deles. A fórmula adotada foi estranha, porque em vez de equilibrar a balança, apenas aumentou a disparidade – que, gize-se, já era grande e com justeza.

Claro, critiquei a fórmula adotada a partir de 1961, mas sei que hoje seria inviável restabelecer os campeonatos citadinos. O problema nem é a fórmula, mas a permanência dos privilégios para a dupla, pois Grêmio e Inter não caem no mesmo grupo. Isto serve para permitir (leia-se estimular, desejar) o clássico na final. No ano passado, ainda se tentou maquiar o privilégio ao determinar que todos jogassem contra todos. Mas apesar de ter Gre-nal na fase classificatória, ambos permanecem forçosamente em grupos distintos. Mais uma vez o mercantilismo supera o esporte.

Gostaria de ver um apoio maior aos times do interior, sobretudo financeiro, não só para equilibrar com Grêmio e Inter ou para que estes voltem a conquistar títulos estaduais; mas sobretudo para que o Rio Grande do Sul volte a ter condições de brigar por uma melhor colocação no cenário futebolístico nacional. Sem ter que fechar as portas após o término do gauchão por falta de recursos.

CAMPEONATO GAÚCHO – parte 4 – Bagé, o quarto campeão Gaúcho, após dois anos sem a competição.

novembro 6, 2009

Depois de escrever sobre o primeiro campeonato gaúcho, sobre o primeiro e o segundo campeões, deixo de falar sobre o terceiro, porque foi o Grêmio, nos anos de 1921 e 1922, cuja história é notória. Apenas para não passar o registro, o tricolor sagrou-se campeão em 1921 ao superar os demais em um quadrangular de turno único, sendo vice o Riograndense/SM. Em 1922, o Grêmio venceu o Guarani de Alegrete pelo placar de 2 a 1. Gols de Ramón e Lagarto (atacante vindo do Guarany de Bagé, que depois transferiu-se para o Fluminense). Na meta tricolor já estava, nos dois anos, o lendário goleiro Eurico Lara, imortalizado na memória e no hino do clube.

Nos anos de 1923 e 1924 não houve disputa do campeonato gaúcho, em função da última das Revoluções, completando a trindade que se iniciara em 1835 e prosseguira em 1893. Tratava-se da famosa Revolução de 1923. Maragatos (adeptos a Assis Brasil, opositor do governista Borges de Medeiros) e Chimangos (nome dado em função do apelido de Borges) lutaram porque Borges queria se manter no governo e, segundo narra a história, fazia de tudo para isso acontecer. Descontentes com o governo, os Maragatos tentaram se opor organizadamente, nas urnas. Mas como a fraude era presumida, a derrota foi certeza. Diante desse resultado, estourou a Revolução de 23. Na época, direitos negados se conquistavam na ponta da adaga.

Em número menor e sem a organização militar que tinham os borgistas (chimangos), os maragatos (assisistas) chegaram a tomar a cidade de Pelotas, à época a maior cidade do interior. Mas não tinham força de combate suficiente, pelo que, em dezembro de 1923, concordaram em selar o tratado de paz, pelo qual Borges de Medeiros terminaria seu novo mandato. Mas, pelo acordo, impediu-se o instituto das reeleições, a indicação de intendentes (prefeitos) e do vice-presidente do Estado.

Selada a paz e conquistados os direitos, o futebol voltaria a ganhar espaço em 1925. E novamente a competição, que era regionalizada, teve um campeão do interior do Estado. E mais uma vez o troféu foi para a cidade de Bagé, que nos primeiros 6 anos empatou com Porto Alegre no número de títulos.

Em 1925, ocorreu uma alteração no modo de disputa da fase final, diferente das edições anteriores, quando havia sido disputados quadrangulares. Desta vez, ocorreu a disputa de jogos eliminatórios. Foi assim organizado:

Numa espécie de primeira fase, foi dividido em nove regiões. Porto Alegre foi uma das regiões, sendo o Grêmio o campeão. Na 2ª região, o Taquarense superou no Novo Hamburgo. O Juventude eliminou o Carlos Barbosa, pela 3ª região. Na 4ª, o Bataclan eliminou o Guarany de Cachoeira do Sul. Pela 5ª região, o representante foi o Guarani de Cruz Alta, que passou pelo 14 de Julho de Passo Fundo. A equipe do Pelotas superou o Gen. Osório de Rio Grande, sendo vencedora da 6ª região. O Bagé disputou pela 7ª Região e venceu o 15 de novembro de Dom Pedrito. Já pela 8ª região, pela Fronteira, o Uruguaiana não disputou por não ter conseguido inscrever seus jogadores. Por fim, na 9ª Região, o vencedor foi o Grêmio Santanense, que superou o Guarani de Alegrete.

A segunda fase foi dividida em Zonas. O Grêmio FBPA foi o campeão da Zona Metropolitana; O Juventude representou a Zona Noroeste; Pela Zona Serra, o vencedor foi o Guarani CA; A representação da Zona Sul coube ao Bagé; E pela Zona Fronteira, o vencedor foi o Grêmio Santanense.

Em virtude de serem 05 zonas, foram feitos dois jogos preliminares, no qual o Juventude venceu a primeira, eliminando o Lajeadense, mas foi eliminado na segunda preliminar pelo Guarani de Cruz Alta. Nas semi-finais, o Bagé venceu o Grêmio Santanense pelo placar de 3 a 1, enquanto o Grêmio FBPA superou o Guarani de Cruz Alta, por 1 tento a 0.

A final ocorreu em 22/11/1925, em jogo único, no Fortim da Baixada. E o Bagé superou o Tricolor, mesmo jogando fora de casa, mostrando a força do interior. Esta força se retrata através da seguinte matéria, feita pelo Jornal bajeense Minuano, por ocasião dos 80 anos do título do Bagé. Segue na íntegra:

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Os 80 anos do grande título
Em 1925, o Grêmio Portoalegrense tinha uma equipe poderosa. Em toda a temporada, havia perdido apenas um jogo, em amistoso em nossa cidade, vencido pelo Bagé, por 1×0.

Na tarde de 22 de novembro de 1925, há exatos 80 anos, entrou em campo, em Porto Alegre, com todas as honras de favorito na decisão do título estadual, contra o Grêmio Esportivo Bagé.
Eurico Lara, Sardinha e Neco; Macarrão, Feio e Zeca; Coró, Coi, Olmério, Luiz Carvalho e Meneghini formavam o supertime gremista.
Mas a garra da Fronteira estava bem presente no Bagé de Júlio, Antônio e Fortunato; Misael Romero, Aníbal Machado e Catulino Moreira; Leonardo, Pasqualito, Oliveira, Páschoa e João.
O jogo estava empatado em um gol (marcaram Oliveira e Feio) quando, a dois minutos do final, Oliveira deu a vitória aos jalde-negros. 2×1, o Bagé era o campeão estadual de 1925 e o primeiro clube a ter escrito seu nome na Copa CBD, que anos depois de ficaria de posse definitiva pelo Grêmio.
Os próprios jogadores daquela época memorável consideravam Pasqualito, um uruguaio de Rivera, como o grande nome do time e um dos maiores atletas do futebol bajeense em todos os tempos.
O presidente do Bagé no histórico título era Florêncio de Lima Py.

Por fim, para falar um pouco do Grêmio Esportivo Bagé, o clube foi fundado em 05/08/1920 através da fusão de dois times locais: o Sport Club 14 de Julho e o Rio Branco. O Bagé herdou o amarelo do 14 de julho e o preto do Rio Branco, formando a tonalidade jalde-negra, ostentada pelo clube até hoje. Desde 1937, o GEB tem escriturado o seu estádio, o Pedra Moura. Com apenas 05 anos de história, o clube já conquistaria um de seus maiores feitos, exatamente o campeonato gaúcho de 1925. Os atletas são considerados os “imortais de 25”.

Outros títulos relevantes para o clube são os citadinos de Bagé, onde existe o clássico Ba-Gua. O GEB se orgulha de ser campeão do centenário da cidade de Bagé em 1959 e, em 2009, em homenagem ao sequiscentenário da cidade, depois de 30 anos sem a competição, sagrou-se o campeão citadino pela 23ª vez, adquirindo a hegemonia do torneio citadino, superando o Guarany (algumas fontes atribuem 26, mas a maioria diz que o Guarany possui 21 títulos citadinos) em pleno estádio Estrela D’Alva.

Além do título de 1925, o Bagé foi vice-campeão em 1927, 1928, 1940 e 1957, mostrando que se trata de um time de tradição, cujo título não foi uma das fatalidades do futebol. Infelizmente, é mais uma força do nosso futebol que está na segunda divisão gaúcha, assim como seu rival Guarany, mas a tradição e história desse clube vai recolocar o clube no seu lugar merecido, que é a elite do futebol do nosso estado.

Sistema de quotas?

outubro 13, 2009

Hoje vou interromper a minha dedicação ao campeonato gaúcho. Mas para defender o direito de ter mais representantes gaúchos no brasileirão. Me chama a atenção o número de paulistas no campeonato brasileiro. Cresceu esse ano e pode aumentar bastante ano que vem.

Em 2008, eram 04 paulistas. Caiu um (Portuguesa) e subiram 02 (Barueri e Santo André). Portanto, em 2009 temos 05 paulistas. Atualmente um deles está na zona da degola, mas o Santo André tem boas chances de não cair.

De outra banda, temos de ver a tabela da série B, a qual hoje tem entre os ascendentes um paulista (Guarani) que está praticamente na série A do ano que vem. E a Portuguesa tem chances também. Com menores chances, mas entre os 9 melhores da série B, podem subir ou São Caetano ou Bragantino ou Ponte Preta. Todos estes estão entre os 9 primeiros da série B.

Nesse patamar, poderemos ter de no mínimo 05, podendo ser 07 ou, muito improvavelmente, 08 paulistas na série A do ano que vem. Isto significa quase a metade dos clubes.

Está bem que o critério de justiça avalia mérito e não geografia, mas um campeonado nacional assim fica sem graça e até mesmo desparelho no sentido do desgaste dos atletas. Por exemplo, um clube baiano que vem a São Paulo se desgasta obviamente mais do que outro paulista, privilegiando ainda mais o estado que tiver mais representantes. Ou alguém não lembra como ficava logisticamente mais fácil jogar contra o Juventude? principalmente quando há intercorrência de competições, quando dava até mesmo para escalar titulares nas duas e assim ter condições de obter melhores resultados…

Sei que pode parecer choradeira barata, e ainda não achei uma solução justa pra isso (talvez o sistema de cotas, que se diz justo nas faculdades…). Mas, se por um lado não dá para limitar o acesso à série A, também não se pode admitir um campeonato nacional feito por paulistas.

CAMPEONATO GAÚCHO – parte 3 – Guarany Futebol Clube: o segundo campeão e o terceiro maior vencedor

outubro 8, 2009

Bagé haveria de ser a cidade do segundo campeão gaúcho. Mais uma vez um clube do interior sagrar-se-ia campeão estadual. O nome do alvirrubro é inspirado em uma composição famosa de Carlos Gomes, chamada “O Guarani” (que é tema da voz do Brasil). De se referir o elevado número de clubes do interior que homenageiam o povo indígena, certamente por sua incansável resistência à catequização luso-hispânica que se alastrava fortemente no estado. De fato os nativos foram muito importantes para a formação da cultura desse Querido Pago, no que tange à intolerância a abusos e desmandos.

Voltando ao futebol, o Alvirrubro de Bagé, denominado oficialmente de Guarany Futebol Clube, foi fundado em 19/04/1907, após reunião de 11 pessoas na Praça da Matriz da cidade. Inicialmente foi sugerido o nome de Internacional ao novo clube que se formaria, mas ao final optaram pelo nome atual.

Em função da proximidade da Fronteira com o Uruguai, os primeiros fardamentos do Alvirrubro eram do Nacional, de Montevidéu, porque um dos fundadores do Guarany, Carlos Garrastazu, atuou pelo clube Uruguaio.

Atualmente, o Juventude é considerado a terceira força do futebol gaúcho no cenário nacional, em virtude de ter, além de um título estadual, conquistado a Copa do Brasil. Mas o Guarany ostenta, dentro do cenário estadual, a melhor campanha depois da dupla Gre-Nal, pois é bicampeão gaúcho (1920 e 1938), além de ter sido vice-campeão em 1926, 1929 e 1958. Portanto, em termos de campeonato gaúcho, estamos falando do terceiro maior vencedor.

Em títulos municipais, onde possui rivalidade com o Grêmio Esportivo Bagé, os Alvirrubros têm destaque, com vários títulos citadinos, apesar de que o maior vencedor é o Bagé; mas estas informações são controvertidas, pois o jalde-negro tem 23 títulos e algumas fontes citam 21 títulos para o Guarany, outras arrolam 26. Mas independente disso, estamos falando do clássico chamado Ba-Gua. Para felicidade deste relator, noticio que em 2009 foi reeditado o campeonato citadino de Bagé, o que não ocorria desde 1976. E o título ficou com o Rival, Bagé.

Como curiosidades, o Guarany revelou jogadores consagrados, sendo o principal deles o grande lateral esquerdo da seleção nas copas de 86, 90 e 94, Branco. Além de Branco, na década de 30, o Guarany, de Bagé cedera um jogador para o selecionado brasileiro, para as copas de 34 e 38: o jogador Martim Silveira.

Além destes, outros jogadores de destaque no futebol foram formados no Estrela d’Alva: Darcy Meneses, campeão da América e Vice campeão mundial pelo Cruzeiro/MG e Raul Calvet, requintado zagueiro que jogou no Grêmio/RS (1954-1960) e foi bicampeão mundial no lendário escrete do Santos/SP dos seus áureos tempos, considerado um dos maiores jogadores da história do Santos, tendo ainda jogado 10 partidas pela selação brasileira.

Uma história de tradição, que infelizmente não vem se repetindo na atualidade. Após ter retornado à elite do futebol gaúcho em 2008, o Guarany não resistiu e foi rebaixado para a segunda divisão gaúcha.

Sem conseguir voltar à elite do futebol gaúcho, e com problemas financeiros, o Guarany recentemente entrou em acordo e rescindiu amigavelmente o contrato com o técnico André Luís, ex jogador do Inter, pai do amigo e colega André (vulgo Dr. Kanu). O clube ainda desistiu de participar desta última Copa Arthur Dallegrave. Mas a rivalidade entre abelhão (Bagé) e Guarany é, sem dúvida, uma das maiores do Estado, sendo um dos mais famosos clássicos.

Fica a esperança na força do interior e que a metade Sul do Estado se fortaleça e reassuma a posição que merece no cenário do futebol gaúcho. O Terceiro maior ganhador dos gauchões não pode estar de fora da elite do nosso futebol.

CAMPEONATO GAÚCHO – parte 2 – história do primeiro campeão.

setembro 30, 2009

Semana passada eu decidi escrever mais sobre o nosso campeonato gaúcho, que entendo ser subvalorizado. Já foi chamado de cafezinho, cede espaço para outras competições mas, ao final das contas, é o primeiro título que um clube grande tem de vencer no ano. E todo bom gaúcho cultua o pago. Portanto, valorizemos mais o triunfo nos nossos domínios, para poder saborear melhor as glórias longe do nosso território.

Bueno, hoje me dedico a falar do primeiro campeão gaúcho, o Grêmio Esportivo Brasil, o nosso querido Brasil de Pelotas. Inicialmente chamado de Grêmio Sportivo Brasil, o clube foi fundado em 07/09/1911. E a história dessa instituição tem curiosidades muito interessantes.

A primeira delas está nas cores. Em função da data (comemorativa da independência do País), as cores do clube inicialmente foram verde e amarelo, semelhante às do E.C. Pelotas. Este fato gerou muita polêmica à época. Reza a história que este é o fato gerador da grande rivalidade que existe entre os clubes. Para resolver o impasse que se formou, o G.E.Brasil resolveu trocar de cores. Assim, como o Pelotas inspirou-se nas cores do Clube Caixeral (azul e amarelo) para seu fardamento, o G.E.Brasil resolveu adotar as cores do Clube Diamantinos (vermelho e preto), mudando então as cores do fardamento.

Outra curiosidade é a forma como o clube foi fundado. Tudo começou após uma divergência entre dirigentes e jogadores do Sport Club Cruzeiro do Sul, que era dirigido e mantido por funcionários da Cervejaria Haertel. O campo do S.C. Cruzeiro do Sul situava-se ao lado do terreno da cervejaria. Certa feita, simpatizantes do clube estavam cercando o campo, quando viram chegar alguns jogadores do S.C.Cruzeiro, que foram direto para o campo, treinar.

Irritados, os colaboradores determinaram que os jogadores parassem o treino e fossem ajudar no trabalho. E os jogadores acabaram indo embora, frustrados. Mas dois desses rapazes, mais irresignados com a intolerância dos colaboradores que faziam a cerca, enquanto iam embora, caminhavam e discutiam inconformados a situação, até que sentaram em um terreno, próximo ao local onde hoje se situa o Estádio Bento Freitas, sede do clube, e confabularam a possibilidade de fundar um novo clube.

Esses dois rapazes eram Breno Corrêa da Silva e Salustiano Brito. Então, foi feita uma reunião de fundação do clube, no dia 07/09/1911, na Rua Santa Cruz, n° 56, residência do Sr. José Moreira de Brito, pai de Salustiano. Estava fundado o novo clube, cujo nome, além das cores inicialmente escolhidas, tinha inspiração patriótica.

O Brasil de Pelotas é reconhecido por sua garra e pelo fanatismo da torcida Xavante. A torcida se autodenomina uma nação guerreira, com sangue nos olhos. Outro dado interessante é que o Brasil de Pelotas tem a maior (segundo site oficial da FGF) e mais fanática torcida do interior do Estado.

E o estádio Bento Freitas vira um caldeirão vermelho e preto, um verdadeiro alçapão, onde frequentemente a pujança da torcida equilibra a diferença técnica para com os clubes maiores e transforma em verdadeiras batalhas os jogos lá disputados.

O clube possui títulos de importância, como o primeiro campeonato gaúcho, em 1919, os títulos de campeão regional (fase do gauchão, que como referi quarta passada, era subdividido em regiões até 1960) nos anos de 1926, 1927, 1941, 1946 e 1950. Foi Vice-Campeão gaúcho em 1953, 1954, 1955 e 1983; ainda fora o campeão do interior, em 1954, 1955, 1963, 1964, 1968 e 1984; tem ainda, entre outros títulos, 27 campeonatos citadinos e ainda foi terceiro colocado no campeonato brasileiro de 1985.

O valente Brasil de Pelotas ainda participou da série A do campeonato brasileiro nos anos de 1978, 1979, 1984 e o de 1985, na melhor posição alcançada por um clube gaúcho, tirante a dupla Gre-Nal. Em 1920, os pelotenses ainda participaram de uma competição nacional de elite, o torneio dos campeões da CBD, ficando em terceiro lugar.

Do Brasil de Pelotas saiu o primeiro jogador de times gaúchos convocados para a Seleção Brasileira. Trata-se de Alvariza, um dos destaques da final do gauchão de 1919. Ele foi convocado para o Sul-Americano de 1920, tendo marcado gol logo na estreia, e contra os donos da casa, os chilenos. Alvariza haveria de jogar todas as partidas, inclusive contra Uruguai e Argentina, tendo sido artilheiro da seleção naquele ano. Foi recebido em Pelotas como herói.

Ainda, Alvariza participaria de um jogo histórico contra a Argentina, partida disputada com apenas 8 jogadores para cada lado, devido ao fato de que alguns jogadores se recusaram a entrar em campo após atitudes racistas de parte da imprensa argentina, que fez charges de jogadores da seleção como macacos.

Seguindo nas curiosidades, o Brasil-PE participou, em 25/12/1915, em Pelotas, do primeiro jogo de futebol noturno no país. A iluminação artificial começou nos gramados do Brasil durante um jogo deste histórico clube gaúcho. Outra coisa interessante é que, em 1983, Felipão treinou o clube, sendo que lá conheceu o seu colega Murtosa, de onde se tornaram inseparáveis profissionalmente.

Já o apelido Xavante decorre de outro fato histórico: durante um clássico Bra-Pel, em 1946 no estádio adversário, a torcida invadiu o campo, em fato semelhante a um famoso filme da época, intitulado “A invasão Xavante”. O Brasil virou o jogo e ganhou por 5×3, conquistando mais um título citadino. Este fato, aliado á circunstância de que as cores do clube são as mesmas utilizadas pelos índios Xavantes, deu origem à alcunha que é sinônimo de bravura e resistência.

Entretanto, apesar da gloriosa história do clube, os fatos recentes não são de títulos, mas de sofrimento, por conta do acidente ocorrido com o ônibus da delegação em 15/01/2009, em Canguçu. O infortúnio provocou a morte do preparador de goleiros Giovani Guimarães, do zagueiro Régis e do atacante uruguaio Claudio Millar, o maior artilheiro da história do clube, com 111 gols (outros artilheiros de destaque foram Gilson, goleador do gauchão de 1992 – 13 gols e Proença, craque da final de 1919 do primeiro campeonato gaúcho, com 03 gols).

Este triste ocorrido, além de marcar para sempre a história do clube, ainda provocou uma grande desestruturação na base da equipe, com a perda dos jogadores e o completo desequilíbrio emocional. Chegou-se a cogitar a não participação do clube no estadual de 2009, mas o Xavante, guerreiro como sempre, enfrentou a batalha, sabendo ser ela potencialmente devastadora. E foi. O time haveria de jogar 08 partidas em 15 dias e apesar de contar com apoio de clubes e jogadores de fora, inclusive com o lendário goleiro Danrlei sob a meta, o descenso foi inevitável e infelizmente o clube disputará a série B do Gauchão de 2010.

Mas o rebaixamento foi honroso porque, mesmo dilacerado, o Brasil honra este torrão gaúcho: disputou o campeonato e só se entregou quando não tinha mais o que fazer. Mas foi depois de muita luta; e caiu ajoelhado, olhando pra frente, simbolizando o mais atávico e honroso espírito gauchesco de garra; honrou os gaúchos de verdade e também o nome e tradição Xavante. Força, Brasil! Quero te ver em 2011, no ano do teu centenário, de volta ao lugar de sempre, na elite do futebol gaúcho.

CAMPEONATO GAÚCHO – parte 1 – história e primeira edição

setembro 23, 2009

Ao ler a coluna da semana passada do de “NA CARA DO GOL”, do nosso amigo Junigol, na qual ele contou a história dos irmãos Pontes, do Gaúcho de Passo Fundo, percebi que aquela coluna cairia como uma bainha de adaga na coluna deste que vos deixa este chasque. E troncho de inveja, me dei conta que o “Pitaco do Guasca” precisa abordar mais o futebol gaúcho. Vou começar pelo nosso campeonato, na parte histórica. Justamente no ano em que o Campeonato Gaúcho completa 90 anos.

Até 1960, o Campeonato gaúcho era regionalizado, ou seja, subdividido. Os campeões citadinos disputavam a fase regional e os campeões das regiões jogavam o Estadual. Por isso, até então não se tinha mais de um representante da Capital e região na disputa do campeonato Estadual. Bem ou mal, apesar de não ser unificado, antes não se tinha um domínio tão grande da dupla Gre-Nal. Tanto é verdade que, depois de 1960, somente Caxias (2000) e Juventude (1998) quebraram, uma vez cada um, a hegemonia de Grêmio e Inter. Hoje o calendário não permite, mas fico triste ao ver extintos os campeonatos citadinos. Quem é do interior sabe o que é ver estruturas de futebol sucateadas, abandonadas nas cidades onde, outrora, o futebol moveu paixões e multidões. Mas, deixando a nostalgia de lado, vamos aos números.

A primeira edição do campeonato era para ter sido feita em 1918, ano em que foi criada a Federação Rio-Grandense de Desportos. Mas foi adiada devido a uma forte epidemia, a “gripe espanhola” que assolou o Estado. Vejam, em 1918, uma epidemia já era tratada com mais responsabilidade do que hoje. Talvez porque o futebol não fosse refém das TVs e dos patrocinadores, mas a inteligência e o bom senso acabam quando começa o interesse econômico…

Bueno, o fato é que o primeiro campeonato gaúcho de futebol foi organizado oficialmente em 1919. Foi o primeiro campeonato REALMENTE estadual do país, já que, nos outros estados, os campeões citadinos eram declarados campeões estaduais. E aqui, os campeões citadinos se enfrentavam em regiões e os campeões das etapas regionais disputariam o estadual.

Assim, o primeiro gauchão foi dividido nas seguintes Regiões: 1) Região de Porto Alegre-São Leopoldo; 2) Região de Pelotas-Bagé; 3) Região de Cruz Alta; e 4) Região de Uruguaiana-Livramento. Os representantes das fases Regionais foram: Grêmio e Nacional (São leopoldo), pela Região 1; Brasil de Pelotas e Guarany de Bagé, pela Região 2; (Desconhecido), pela Região 3; Uruguaiana e 14 de Julho, pela Região 4.

Achei ser uma fórmula interessante e bem lógica, mas eis que, para a disputa da fase Regional, todos os times, à exceção de Grêmio, 14 de julho e Brasil de Pelotas, perderam o prazo para a inscrição dos atletas e foram eliminados. Classificaram-se para a final os escretes de Grêmio, que segundo consta, vencera o 14 de julho por 4 a 2 (mas algumas publicações desconsideram esse fato) e Brasil de Pelotas.

O Grêmio Esportivo Brasil, à época ainda chamado de Grêmio Sportivo Brasil, era atual tricampeão da liga pelotense e mais, nos últimos 3 anos, registrava apenas uma derrota, exatamente para o Grêmio FBPA, em 1917.

O jogo final, ocorreu em Porto Alegre, no Estádio da Baixada, famoso Fortim da Baixada, primeiro estádio do Grêmio, localizado no bairro Moinhos de Vento. Era partida única, na qual o vencedor sagrar-se-ia campeão gaúcho. E o Brasil de Pelotas não se ‘achicou’ pelo fator local: formado por modestos e honrados operários, goleou o Tricolor por 5 a 1, levantando o primeiro caneco gaúcho da história. Este foi o único título do time pelotense.

Logo no início da partida o GEB já fazia 2 a 0, gols de Proença aos 12 minutos e Ignácio aos 19. O Grêmio ainda conseguiu descontar no primeiro tempo, com um gol de Máximo aos 28 minutos. O primeiro tempo encerrou assim, mas no segundo tempo, Proença, já mexeria no placar logo aos 4 minutos. Fulminante, o Brasil faria mais um gol ainda no início do segundo tempo, com Alvariza aos 6 minutos; e Proença, o nome do jogo, decretaria o fechamento da goleada, marcando o último tento aos 26 minutos da etapa final.

A comemoração foi intensa e perdurou as 19 horas que levaram a volta para Pelotas, feita de navio, a bordo do vapor “Itaberá”. Na chegada, o comandante fez disparar os canhões de bordo e acordou a cidade, que foi inteira receber seus campeões e seguir a comemoração na sede do clube.

Foto dos campeões:

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Escalações:
GRÊMIO: DEMÉTRIO Silveira; Pedro PINTO e Jorge Tavares PY; DORIVAL Fonseca, Francisco Fernandes – CHIQUINHO e Luiz ASSUMPÇÃO; Oscar GERTUM, Severino Franco da Silva – LAGARTO, MÁXIMO Laviaguerre, Alcides MENEGHINI e Walter Lewis – LIVI.
BRASIL: Oswaldo FRANCK; Francisco NUNES e ARY Xavier; FLORIANO Lourenço, Pedro ROSSELLI e Waldomiro Victorio – BABA; Jorge FARIA, Alberto CORREA, Pelágio PROENÇA, Ignácio GERLACH e Ismael ALVARIZZA

Sei que vai ficar BASTANTE extenso, mas vou citar a íntegra da matéria do Correio do Povo, de 11/11/1919:

Notas Sportivas
FOOT BALL

Como era esperado, alcançou o mais franco sucesso o match
jogado na tarde e ante-ontem no Ground do Moinhos de Vento, para a
disputa do Campeonato Estadual. Concorreram a essa prova as equipes do
Grêmio Sportivo Brasil, Campeão da Liga Pelotense e o Grêmio Foot Ball
Portoalegrense, Campeão da Associação Portoalegrense de Desportos.
Pela primeira vez foi disputado o Campeonato Estadual, sob os
auspícios da Federação Riograndense de Desportos e o honroso titulo de
Campeão coube a equipe do foot-ball pelotense. É lamentavel que os
portoalegrenses tenham deixado ir para Pelotas o Campeonato Estadual,
quando á esse título, o foot-ball portoalegrense tinha todas as razoes
para aspirar. Os rapazes do campeão local não corresponderam ás
espectativas do nosso mundo sportivo, o qual na tarde de ante-ontem,
esperava, que o foot-ball portoalegrense desse mais uma prova de seu
valor.
Em materia desse sport, estamos evidentemente retrocedendo. De
quem é a culpa?
Dos players portoalegrenses, que não procuraram trenar e não
melhoraram sua tactica. Dos players gremistas, que não só tinham a
zelar o brilhante passado do club do Moinhos de Vento, como do
foot-ball portoalegrense, se podia exigir melhor defeza se seus
créditos sportivos. E mais uma vez lamentável foi o resultado do score
tão elevado, com que os pelotenses nos venceram, na pugna de domingo,
em que os os rapazes do sul, demonstraram, assim, que são mais
adiantados no seu modo de jogar. A derrota de domingo, nos servirá de
licção e aguardaremos outra oportunidade para que o foot-ball
portoalegrense possa restaurar, suas tradições que como é sabido, são
as mais honrosas.
Agora nos ocupemos dos vencedores do Campeonato Estadual de
1919. O foot-ball pelotense, nesta pugna, teve uma exellente
representação, superior ainda ao que se esperava. Os onze jogadores do
Grêmio Sportivo Brasil, não descuidaram um momento para vencer o seu
adversario, fazendo todo o possivel para se sair honrosamente. A sua
victória, não sofre a mínima contestação, representando ella o esforço
da inteligência dos onze hábeis players. A sua actuação deixou a
melhor impressão e os aplausos que receberam, durante o match, foram
uma prova evidente de que souberam jogar com muita tactica e vencer
como se deve.
É justo o júbilo dos pelotenses; é justa a victória do Grêmio
Sportivo Brasil, e tanto mais digno de apreço, porque ela foi
conquistada com players patricios, que aprenderam a jogar, e se
fizeram fortes, excluisivamente nos grounds de Pelotas. Portanto, o
Campeonato Estadual desde anno, coube a legitimos players gaúchos,
facto mais nos enche de orgulho porque assim, demonstranos que, no
foot-ball, temos conterrâneos que sabem cultivar esse sport, como ele
merece
Depois das 14 horas, já era avultada a assistencia de
espectadores que se achava no Ground do Moinhos de Vento, ávida de
apreciar o desenrolamento do match do Campeonato Estadual. Aquela
hora, houve uma prova preliminar entre o 2º team do Grêmio Foot Ball
Portoalegrense e o de igual cateria do Sport Club Cruzeiro. Esta pugna
despertou bastante interesse, tendo o jogo corrido debaixo de franco
entusiasmo. A equipe cruzeirista, mesmo sem training, deu prova de
jogar bem, enfrentando galhardamente o seu rival, que é detentor do
Campeonato de seguntos teams deste anno. Nada faltou aos cruzeiristas,
para não desmerecerem, vencendo o Grêmio Portoalegrense por uma
diferença de um goal. Na primeira phase o Cruzeiro marcou tres goals e
o Grêmio
Portoalegrense, um tento tendo sido este por meio de um penalty. No
segundo half-time, o Cruzeiro marcou mais um goal a seu favor e o
Grêmio, mais dois, finalizando o match com este score. Sport Club
Cruzeiro 4-3 Grêmio Foot Ball Portoalegrense. Á saída do ground, a
equipe vencedora que foi bem dirigida pelo player Faillace, recebeu
ovações delirantes pelo modo com que se portou.
Terminada a prova dos segundos teams, entraram no ground as
elevens do Brasil e do Grêmio Portoalegrense. A entrada dos pelotenses
foi saudada com uma salva de palmas, tendo sido ao representativo
capitão offerecido um bello bouquet de flores pela equipe local. Após
essas homenagens de provas de confraternização dos mundos sportivos
pelotense e portoalegrense, sorteou-se o kick-off. Sendo favorecido no
sorteio o Grêmio Portoalegrense, opinou pelo goal favorecido pela
sombra jogando assim, o Brasil contra o sol.
Logo de saída, os gremistas perdem a bola para o Brasil, que
num rápido ataque, obriga os locais a se defenderem. Tornando a
offensiva, os gremistas perdem um bom passe de Meneghini, numa nova
investida, os locais são repelidos pelo back Ary. Deante os primeiros
ataques dos portoalegrenses, os pelotenses mantem-se indecisos por
alguns minutos, afim de verificar quaes eram os pontos fracos dos seus
contentores. Usando essa táctica, fácil foi-lhe saber aos visitantes,
quaes eram as condições dos nossos. Verificando que as extremas dos
halves do Grêmio, não eram firmes, os rapazes do Brasil, por essas
extremidades iniciaram a sua offensiva de uma firmeza de admirar á
avultada assistência. A assistência que a princípio torcia pela
victória dos nossos, foi aos poucos se manifestando pelos nossos
visitantes deante do jogo brilhante de combinação desde os backs até
os forwards. Já então passavam cinco minutos e já Demétrio havia
defendido um perigoso corner e um violento tiro do ágil Proença,
quando os pelotenses começaram a fazer sentir o seu peso para depois
tirar o necessário resultado. Gertum tetando escapar, faz um passe a
Meneghini, que este não approveita, devido a prompta intervenção de
Nunes, que, se mostra assim, um back seguro. Mais dois ataques os
pelotenses levam a effeito, sendo que num golpe de cabeça, Proença põe
fora a bola, o mesmo se dando com Gerlach, que dá um tiro, que passa
rente a rede. O Brasil vai assim, aos poucos , recuperando a sua calma
de actuar, trazendo em polvoroza a équipe do Grêmio, a qual não se
sente bem deante dessas perigosas offensivas. Py chega a rebater um
bom ataque do Brasil passando assim aos dez minutos com uma leve
superioridade dos pelotenses. Estes firmam-se sempre na sua táctica de
actuar e na combinação, marcando bem Lagarto, que em suas poucas
escapadas, constitue um perigo para os visitantes.
Aos 12 minutos, em consequencia de um ataque, feito pela extrema
direita Proença, com a cabeça, recebe a bola e numa magistral
avançada, envia-a dentro da rede gremista. O keeper Demétrio foi sem
dúvida o causador deste ponto, pois si tivesse agido com mais
agilidade, facilmente telo-ia evitado. Diante desse feito dos
pelotenses, os gremistas tentam atacar, mas nada conseguem, porque os
rapazes do Brasil mostram que sabem actuar de qualquer forma, indicado
na verdadeira regra da association.
Cinco minutos depois da marcação do primeiro ponto, os visitantes
fizeram mais um goal, que o juiz annullou-o, por ser feito em
condições off-side. A anulação desse ponto, não impressionou os
pelotenses, porque dois minutos depois, conquistavam, entre ovações,
mais um goal, por intermédio de Correa que soube aproveitar um bom
passe do ágil extrema Farias. Seguiu-se uma carga do Gr~emio, que é
mais uma vez annullada, com grande maestria, por parte dos pelotenses,
que reiniciam sua offensiva, dão dois tiros sem resultado apreciável.
Py, apossando-se da bola, envia-a aos seus dianteiros, os quaes
procurando avançar, obrigam Nunes a commetter um corner, aos 28
minutos. Bem dado por Gertum, a bola foi aparada, com a cabeça de
Máximo, que num golpe envia na rede dos visitantes de baixo de
applausos calorosos.
O jogo, proseguindo, manten-se no centro do campo, por alguns
minutos, até que os gremistas, melhorando a sua combinação, fazem bons
ataques, destacando-se do seu conjunto o player Lagarto. Livi, como
extrema, prejudica a actuação do quinteto local que se mostra resentir
da falta de Bruno. Os dois tiros de Gertum são bem defendidos por
Franck, que mostra possuir certa agilidade, na sua posição, e um outro
tiro de Meneghini passar por cima da trave. Dos 30 minutos em diante,
o jogo se manteve parelho, porem com cargas melhores dirigidas pela
equipe visitante. Esta, nos últimos dez minutos desmoreceu um pouco,
parecendo aos assistentes, que se achava um tanto cançada. Mesmo
assim, os gremistas não souberam tirar partido, pois actuando com
pouca calma, não souberam marcar os principais elementos que possue o
Brasil. Proença, distribuindo bem o jogo, constitue nas arrancadas o
terror da cidadella dos Campeões de Porto Alegre. Demétrio, Py e
Dorival, defendem quase ao finalizar da primeira phase do math, três
fortes cargas dos pelotenses, terminando esta partida com o score
seguinte: Grêmio Sportivo Brasil 2-1 Grêmio Foot Ball Portoalegrense
A impressão que se teve dos pelotenses foi optima, no primeiro tempo.
Essa impressão, melhorou ainda, no segundo half-time, quando elles
souberam ingringir uma terrivel derrota aos representantes do foot
ball portoalegrense. Depois da marcação do 3º goal, por parte do
Campeão de Pelotas, os portoalegrenses desmoreceram completamente,
actuando sob uma dolorosa impressão de totos que faziam votos pela
victória da équipe representativa de Associação de Desportpos
Portoalegrense.
Ao iniciar a segunda phase da pugna, Chiquinho annullou uma escapada
do quinteto visitante e Gertum, procurando escapar, nada consegue, por
estar bem marcado. Voltando a bola aos pés de Proença, este dá um tiro
muito alto e, em nova investida, os pelotenses obrigam Demétrio, a
defender um tiro alto. Passavam quatro minutos, quando aproveitando
uma centrada da extrema direita, Proença marca o 3º goal.
Proseguindo a pugna, os gremistas accentuam as suas indecisões, no
modo de jogar, ao passo, os pelotenses redobram na sua firmeza de
actuar. Dois minutos depois, ao feito acima Alvariza, que se mostra um
bom extrema faz o 4º ponto. E assim goal sobre goal, firma-se a
victória dos pelotenses no Campeonato Estadual.
Proseguindo a pugna, sempre com a superioridade da equipe vencedora,
Py defende um perigoso corner e Demétrio faz duas boas defesas. Os
gremistas tentam ainda mais uma vez carregar, porém, a indecisão de
sua defesa, não lhes dá coragem precisa, para atacarem os já Campeões
do Estado. Aos 26 minutos, por meio de passes feitos de cabeça, os
pelotenses acercam-se, em peso, da cidadella portoalegrense. Ainda com
um kick de cabeça, Proença o ágil center-foward, marcou o 5º e último
goal da equipe pelotense. Deante desse feito, os visitantes
desenvoveram um belo jogo de passes e driblings, emocionando, assim o
público, que tomado de delírio, não cessa de apladí-los, até que o
match terminou com este score: Grêmio Sportivo Brasil 5-1 Grêmio Foot
Ball Portoalegrense.
Ao retirar-se do ground, novas ovações se fizeram ouvir, aos
pelotenses, que na pugna de ante-ontem, confirmaram a fama de que
vinham precedidos. A sua equipe atuou com muita calma, demonstrando
ser homogenea, mas de seu conjuncto, se destacam: na defesa Nunes,
como back; Rosselli e Victório, como hales e Proença, Faria e
Alvarizza como ageis fowards. Estes foram os players que mais se
destacaram no match de domingo e quanto aos demais, não demonstraram
serem nada superiores. Ary Xavier, que quando aqui esteve defendendo
as cores do Internacional, veio com um jogo muito melhorado e firme.
Quanto ao eleven portoalegense, não correspondeu a espectativa,
destacando-se apenas Lagarto e Py, que tudo fizeram para que o
insuccesso do foot ball local não fosse maior.

Tche, me arrepia ler isso. Futebol na origem. Respeito, devoção e espírito esportivo. Como eu queria ter visto isso e vivido esse tempo…

Pelo fim do patrocínio nas camisetas

setembro 16, 2009

Que saudade dos tempos em que o esporte não era dominado pelo dinheiro. Aliás, dinheiro é algo que só me apavora. Me apavora não tê-lo e me apavoraria ter demais. Porque o dinheiro traz consigo o egoísmo, a mesquinhez e, por consequencia, a corrupção.

Estou acostumado a ver corrupção nos bancos, nos órgãos estatais em geral, no governo, na política (aliás, no Brasil de hoje, infelizmente, política e corrupção são quase sinônimos). Sobre esse tema, aliás, eu sempre digo: nós gaúchos já nos erguemos em espadas por muito menos. Está faltando brio, não para lutar com armas em punho, mas para colocar ética nesse país.

Mas o que mais me assusta é ver que o dinheiro corrompe as coisas mais puras também; corrompe mulheres (homens há muito foram corrompidos, nem são puros), corrompe estudantes, que trocam o sucesso no vestibular por um carro por alguma quantia; e corrompe também o esporte, que sempre foi uma ferramenta vital de lazer, entretenimento e integração de massas.

E isso já acontece há muito tempo, por isso não fiquei nem um pouco surpresso com esse bafafá que tá acontecendo na Fórmula 1. Ora, isso só veio à tona porque o Nelsinho Piquet perdeu o emprego. Se tivesse renovado o contrato, nada viria à tona, eles continuariam enchendo os bolsos e enganando os olhos inocentes dos torcedores.

Me refiro ao ‘escândalo’ em que Nelsinho Piquet teria batido deliberadamente seu carro, por ordem de Briatore, para forçar a entrada do Safety Car na pista e favorecer Fernando Alonso, que reabasteceria seu carro logo antes. Deu certo. O espanhol saiu em último lugar e chegou em primeiro.  Desde aquele dia até semana passada eu, inocentemente, enquadrei Fernando Alonso como um gênio do automobilismo, que conseguira uma façanha esportiva de ganhar uma corrida por uma equipe ruim, tendo largado em último.

Motivado por grande raiva, escrevo sobre este assunto lamentável e chato, que fustiga o esporte e, por isso, deve ser abordado e eliminado. E que não pode passar em branco. Todos merecem punição; equipe e pilotos da equipe. É assim que se formam ídolos hoje em dia? Então desisto. Larguei a F-1.

O futebol dá seus exemplos diários de escândalos de arbitragens, armação de jogos, ingressos para show da Madonna para juízes… jogadores convocados para valorizar seu passe… eu só não larguei o futebol porque sou muito fanático mesmo. Mas vou me dedicar mais a praticá-lo (mal e porcamente) do que acompanhá-lo.

Vou começar a fazer campanha para que o dinheiro perca importância. Precisamos resgatar a noção de que o foco do esporte é entretenimento e integração social, e não uma ferramenta de geração de lucro.

Vejam,a título de exemplo:  nós nos acostumamos a ver o patrocinador na camisa do clube, mas qual a sua utilidade? Eu não abri conta no Banrisul porque o Grêmio tem ele na camiseta. Tudo bem, eu não seria cego nem radical a ponto de não ver que o patrocínio é fundamental para as receitas dos clubes. Mas isso porque os clubes são culpados e também se tornaram reféns disso, já que o futebol é uma engrenagem totalmente dependente de dinheiro – de muito dinheiro. E ninguém mais controla isso.

Hoje, somente hoje, fui ver que o patrocinador estampado na camiseta do Milan, a Bwin, é uma empresa de jogos e apostas online. Não tenho indícios para julgar, a não ser minha consciência, mas esta não me deixa parar de pensar que existe por trás disso muito mais do que um ‘inocente’ patrocínio.

Mas como não quero só reclamar, eu sugiro o fim do patrocínio nas camisetas (que hoje já está até nos calções), como início do controle da situação. É preciso diminuir um pouco as cifras, para que os interesses precípuos do esporte voltem a ser entretenimento e integração social.

Não quero, entretanto, trazer de volta as mazelas dos tempos de romantismo futebolístico, em que havia um completo desaparelhamento e que atletas passavam fome. Quero o equilíbrio, o meio termo, algo que infelizmente está longe de ser a realidade.

Com o fim do patrocínio nas camisetas e outras medidas paulatinas, a longo prazo teremos um futebol condizente com a realidade, sem valores astronômicos e sem a poluição visual no uniforme. No uniforme do São Paulo, por exemplo, a logomarca da LG é maior que o escudo do time. Virou LGFC. Tchê, então o patrocinador é maior que o clube? Chomisco!

Tomara que os Rodeios não se tornem reféns desse consumismo. Daqui a pouco vai ter bombacha da Reebok, boina da Nike, bota da Puma e cavalo vai ter contrato de imagem. Ah, e a Adidas vai passar a fabricar as nossas facas 3 listras… Quanto mais conheço os homens, mais eu gosto dos meus cavalos…

Poesia gaudéria

setembro 9, 2009

Bueno, amigos. Hoje os compromissos de trabalho se sobrepujaram e não arrumei tempo para escrever nada. Então, resolvi transcrever. Como minha coluna é o Pitaco do Guasca, apesar de não trazer nenhum elemento de futebol, trago uma poesia gaúcha aos amigos.

DECANTAÇÃO AO PAGO

Dentre os orgulhos do gaúcho
O apego ao solo de origem toma destaque
Pois não há dinheiro que pague
O aprendizado xucro que o campo fornece
São lições de toda a espécie
Desde o trabalho bruto de qualquer qualidade
Até as lições de honra e honestidade
Algo que jamais se esquece.

Assim é o povo deste chão
Sua terra é e sempre será o seu lar
É lá que se pretende batalhar
Seja no ofício que for
– Agricultor, peão, alambrador –
Não importa se patrão ou empregado
O respeito ao seu chão permanece inalterado
E desde piá já lhe damos o seu valor.

Mas às vezes a vida toma outro rumo:
Por insucesso ou qualquer outra razão
Numa estúpida ilusão
O gaúcho abandona o pago onde nasceu
Para tentar alcançar o apogeu
Em busca de conforto, profissão ou cultura
Mas sempre carregando a amargura
De ter largado a terra onde sempre viveu.

– Na cidade a vida é melhor!
Foi o que sempre ouvi dizer
Mas nunca vou entender
Como podem pensar dessa maneira
Talvez nunca tenham pisado numa mangueira
Pra curar um bichado ou botar um pealo.
Mais do que trabalho, isso é um regalo
São lições pra vida inteira.

Hoje, vivo na capital
Enjaulado na civilização.
E como é ruim a sensação
De morar empilhado!
Saber que tem gente em cima, embaixo e dos lados,
Vivendo num medonho e infinito barulho.
E ainda batem no peito com orgulho
Achando serem eles os civilizados.

Mas não critico as pessoas que gostam dessa vida.
Afinal, cresceram vivendo deste jeito.
E, se este é o Pago deles, eu respeito
Porque o Pago é sagrado pra mim.
E se não me acostumo a viver assim
É porque também mantenho a minha essência
– Tenho a cabeça voltada pra querência
Como os pingos, quando chega o seu fim.

Depois de ter vivido dois mundos diferentes,
Vi que a cidade grande tem sua utilidade
Me serve pra estudo e alguma necessidade
E também me dá a opção
De um dia ter outra profissão
Que me traga a oportunidade
De subir na vida e fugir da cidade
Pra voltar e investir no meu Rincão.

FUTEBOL DE BOMBACHA

setembro 2, 2009

Eu teria alguns assuntos de futebol para hoje de relevo, como o jogo do Internacional contra Atlétigo/MG, que pode sagrá-lo campeão do primeiro turno, ou a morte de Paulo Ramos que enlutou o mundo futebolístico. Teria ainda como assunto a semana do clássico Brasil e Argentina.

Mas resolvi divulgar uma prática esportiva que reúne o tradicionalismo gaúcho e o esporte favorito do brasileiro: o futebol.

Bueno, como poderia ser feita essa ligação, esse ‘link’, como diria algum “gaúcho de carpete” mais afrescalhado? A explicação está no título dessa postagem.

O esporte favorito do Gaúcho é o Rodeio, o tiro de laço, a gineteada e, em alguns lugares, a paleteada, entre outros. Bueno, mas esse mesmo guasca é também brasileiro e, por isso, quase sempre gosta de futebol.

Portanto, trago aos amigos que não conheciam, a modalidade do nosso glorioso esporte, adaptada ao tradicionalismo gaúcho. É conhecido como FUTEBOL DE BOMBACHA.

Apesar de pouco conhecido, existem competições organizadas e tradicionais sobre esse esporte dentro da programação dos Rodeios, meio em que o futebol de bombacha é famoso.

Em Bom Jesus, é um dos eventos mais engraçados do Rodeio. Normal e inusitadamente, o jogo ocorre abaixo de mau tempo. Quem já usou bota sabe o que é correr na grama molhada: vira um sabão. E tem maluco que joga de poncho… cada qual usa do bom humor e da criatividade pra deixar mais engraçado.

Mas nem precisaria. Normalmente a falta de técnica dos ‘atletas’, aliada ao estado etílico depreciável e ao ‘espírito farrapo’ dos jogos é motivo suficiente para gargalhadas. Vale à pena assistir.

Apesar de ser entre amigos, quando começa o jogo a coisa fica osca (pelagem escura, mesclada, quase preta, no linguajar gaudério). É coice pra todo lado. Dinho é carinhoso perto dos atletas bombachudos. Mas entre mortos e feridos, salvam-se todos.

Para ilustrar, segue a foto da 11ª Edição do evento realizado em Imbé. Era jogo dos Maragatos contra os Chimangos. A peleya deve ter sido buena:

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Transcrevo parte da matéria extraída, assim como a foto, da internet (Jornal Dimensão):

“De um lado, os Chimangos, representado pelo CTG Capivarense, da cidade de Lindolfo Collor. De outro, os Maragatos, representado pela Academia Tiaraci, com alunos e ex-alunos. Todos devidamente trajados com seus uniformes: bombacha, bota, guaiaca, chapéu e camisa branca e lenço vermelho para os Maragatos e o inverso para os Chimangos.
Com equipes em campo e juiz a postos no centro do gramado (a cavalo), a partida começa bem disputada, como toda luta. Mas o resultado era o que menos importava. A cada lance, a torcida vibrava com a técnica, ou a falta dela, dos jogadores. Nas regras, uma muito inusitada: cada vez que o jogador deixasse cair o chapéu, era marcada falta. E para completar o espetáculo, o carro maca era um couro de boi puxado por um cavalo. O jogo terminou empatado em 1 a 1. Na disputa por pênaltis, os Maragatos venceram por 2 a 1. Ao final, os Maragatos receberam o troféu de ‘O menos pior’”.

Se a descrição da partida já é engraçada, imagina o jogo…

Finalizando, hoje não coloco trecho de poesia nenhuma, porque to mais apurado que carrasco em cancha de bocha.

Goleiro de futsal

agosto 26, 2009

O Toco Y Me Voy, grupo de futebol cujo nome coincide com o deste blog, tem os mesmos criadores, embora somente há poucos meses houve uma convergência entre quadra e internet. Todavia, há muito tempo jogamos futsal juntos; e tomara que esse grupo persista pelos próximos 30 anos. Mas o que me faz escrever hoje é um tema que acho de suma importância para o desenvolvimento do nosso futsal.

Muito embora me falte perna e habilidade, eu tento ver o jogo. E, em um determinado tema, acredito que eu seja voz única a brandir: o uso estratégico do goleiro. Mas apesar de não contar com o apoio da grande parte dos companheiros de time, eu sempre insisto: precisamos aprender a jogar com o goleiro.

O futsal possui regras que o tornam muito dinâmico. É uma quadra pequena, na qual o jogo fica muito compacto e qualquer movimento errado pode gerar contra-ataque e redundar em gol. É preciso muito toque de bola, sem ansiedade para definir a jogada (a condução atrapalha o posicionamento do time e é quase sempre infrutífera, salvo se é um falcão da vida).

Quando jogam 4 contra 4, a marcação está sempre próxima, o que significa dizer que é a situação muito mais propícia para o movimento errado falado no parágrafo anterior. Por isso, falo tanto do uso do goleiro. É a vantagem numérica de que falo.

É fato que eu defendo, sobretudo, quando EU sou o guarda-metas. Mas é mais do que simples vontade de participar do jogo. É um sistema tático que tento implantar no grupo, principalmente porque somos formados por 10 jogadores de linha, havendo um revezamento no gol.

É uma questão de raciocínio lógico: Se futsal bem jogado depende de bom posicionamento e toque de bola rápido, é evidente que, a vantagem numérica é preponderante.

Mas como fazer para poder jogar com o goleiro? Ora, se a bola estiver em jogo na parte defensiva, o goleiro jamais pode ficar em um dos cantos da quadra. E ele tem 4 segundos para tocar a bola. Qual a consequência disso? Não pode ter um jogador de linha aproximando pelo meio, na frente do goleiro! Isso atrai a marcação e coloca perigosamente o time em risco. Mas isso acontece invariavelmente SEMPRE! Subutilizamos o goleiro na meia-quadra defensiva.

Ora, é preciso abrir as jogadas. Assim, os dois mais da frente devem se movimentar em revezamento, sendo que um extremamente aberto e o outro aparecendo de surpresa na meia cancha ofensiva. Já os dois de trás, NECESSARIAMENTE, devem passar do meio da quadra, ficando UM DE CADA LADO, para poder recuar tantas vezes quantas forem necessárias para o goleiro, até arrumar espaço para avançar. E isso NUNCA acontece.

A jogada de escanteio é a única em que utilizamos o goleiro com razoável frequência, mas ainda carece de aprimoramentos, como por exemplo, o corredor paralelo SEMPRE fica com o goleiro. E os jogadores mais recuados devem se posicionar, um deles ao lado do goleiro, do outro lado da quadra; e o outro, deve ficar pouco à frente do goleiro e SAIR para dentro da área antes da cobrança. Isto tem duas funções: aparecer como opção dentro da área e puxar a marcação. Nessa jogada, o ataque SEMPRE vai estar em vantagem numérica. O goleiro precisa se adiantar um pouco para dar essa opção.

Obviamente, essas considerações são aplicáveis ao nosso futebol amador, porque não temos condições técnicas e físicas (sobretudo) de fazer o sistema de rotação o jogo todo. Muito embora haja constante utilização do goleiro no futsal profissional.

Tudo o que eu falei é o óbvio ululante, mas incrivelmente estas noções tão básicas não são utilizadas corretamente em nosso grupo de terças à noite. Mas eu vou continuar insistindo, mesmo que seja o único a erguer essa bandeira, como um farrapo o faria pelo Rio Grande.

Por fim, hoje, que não teve nada de gaudério na coluna, vou colocar as faltas que o goleiro pode cometer. Espero que isso ajude nos jogos, que estão ficando cada vez melhor.

2. Faltas Pessoais – Pratica falta pessoal um atleta que comete intencionalmente uma das seguintes infrações:
(…)
d. Sendo o goleiro com a bola em jogo:
» Após realizar uma defesa ou receber uma bola, legalmente de um seu companheiro poderá lançá-la diretamente a meta adversária podendo ultrapassar a linha divisória do meio da quadra. Se, o arremesso do goleiro executado com as mãos, a bola tocar ou não no goleiro adversário, o tento não será válido.
» Toca ou controla a bola com suas mãos depois que um seu companheiro a tenha passado deliberadamente com o pé.
» Toca ou controla a bola com suas mãos depois de um arremesso lateral efetuado por um seu companheiro, passando-lhe diretamente.
» Toca ou controla a bola com suas mãos ou com os pés por mais de 4 (quatro) segundos, em qualquer parte da quadra de jogo.
Alteração na Regra: Não é mais considerada falta pessoal se o goleiro, na meia-quadra ofensiva, demorar mais de quatro segundos com a bola nos pés. Isto é, se o goleiro passar a linha demarcatória do meio da quadra, terá a posse de bola por tempo ilimitado. Na meia-quadra defensiva, entretanto, continua o tempo máximo de quatro segundos.
» Após haver tocado a bola ou arremessando-a com as mãos ou movimentando a mesma com os pés volta a recebê-la de um companheiro de equipe sem que a bola tenha antes ultrapassado a linha demarcatória do meio da quadra ou tenha sido jogada ou tocada, por um adversário.

Boi lerdo bebe água embarrada

agosto 19, 2009

Quem é do campo sabe que, quando se faz uma lida meio grande, aquelas de sovar pelego um dia inteiro, a tropa cansa e quando vê uma aguada sai em desespero pra beber. Entram lagoa adentro e se esbaldam, descansando a carcaça pra seguir viagem. Daí surge a expressão: “Boi lerdo bebe água embarrada”.

Hoje me dedico a falar dos bois lerdos deste brasileirão. E no final falo dos 3 bois espertos desse campeonato. Quem são os bois lerdos mais incríveis do torneio? Pra mim, são Grêmio, Cruzeiro, Atlético MG e Corinthians.

Quem quer ganhar uma competição de pontos corridos, com jogos de ida e volta, quem é time guapo tem que esquecer que touro em campo estranho é vaca. Isto Vale para o Grêmio. (4-3-1-2 é o esquema para jogos fora de casa, para ser touro – mocho – também longe dos domínios).

Já o Cruzeiro, este time é bom, mas tá esperando vir reforços pra deslanchar. O xiru que não tira a prenda pra dançar na hora que se ajeita, acaba solito no baile, babando de bêbado atirado nas mesas. O Cruzeiro tinha tudo pra ganhar, mas desperdiçou a chance de montar, deixando o cavalo passar encilhado.

O Atlético Mineiro vinha forte, chegou, pressionou, mas quando teve a oportunidade de ficar por cima da carne seca, amarelou. Foi assim contra o Palmeiras, em casa, quando deixou de ganhar. E Cusco que chega no garrão da res e demora pra grudar, acaba levando coice no focinho.

Corinthians tem o melhor comandante, mas além de vir de sangue doce por ter alcançado seus objetivos no ano, fez questão de tirar a matéria-prima do time. A direção optou por tirar de Mano o material que potencialmente levaria ao título nacional. Domador sem cavalo não é nada. Corinthians vai beber água suja porque optou em andar devagar, nem cansado estava.

Falando um pouco do outro extremo: quem parecia boi lerdo era o São Paulo. Mas na verdade, esse time tava “se fazendo de potrilho pra comer milho sovado”, ou “de galinha morta pra andar de caminhonete”. Vinha mal no campeonato, mas quando os outros achavam que tava morto, deu o golpe de novo e aparece novamente como o grande favorito ao título.

O Inter é outro que leva perigo. Os colorados se fizeram de china maleva, pois quando o macho estava fora, aprontou em casa. Enquanto os grandes times disputavam campeonatos maiores, o Inter fez a festa no campeonato brasileiro. E isso pode fazer a diferença no final. Pra mim, é o segundo favorito ao título.

O terceiro favorito, na minha opinião, é o Palmeiras, por ter largado na frente e ter graxa pra queimar. Conta com a experiência do matreiro Muricy (apesar de eu não gostar dele como técnico, ele é que nem bunda de rainha de bateria de escola de samba: sabe ganhar brasileiros).

E pros demais comparsas, quem são os 3 favoritos? Minha ordem é: São Paulo, Inter e Palmeiras.

Pra finalizar, dois trechos de uma poesia intitulada “Rio Grande, pátria e querência”, de autoria deste humilde aspirante a ajudante de blogueiro:

Ao começar remembrar nossa cultura,
Histórias de um povo aguerrido e altaneiro
Que Jamais peleou só por dinheiro
Nas suas tantas jornadas de luta e de glória,
Não poderia ser tão simplória
A sina de toda uma população
Que tem garra corcoveando no coração
E por isso cravejou e impôs sua história.

(…)

Por isso uma coisa eu garanto:
O nosso espírito de bravura se mantém
Nossa fibra certamente vai além
De gestos de cultivo à Tradição.
E, se for preciso lançar mão
Das nossas raízes antepassadas
Por certo nos ergueremos em espadas
Pra defender de novo este Chão.

Grêmio? não, Estônia

agosto 12, 2009

Nesta quarta, os comandados de Dunga realizarão partida amistosa contra o selecionado estoniano. É um jogo comemorativo dos 100 anos da Federação Estoniana de Futebol (Ronaldinho Gaúcho está em todos os cartazes de divulgação, mas não foi convocado). Resolvi pesquisar o país anfitrião e sua ‘vasta’ história futebolística. Fiz isso porque é a única utilidade que o torcedor tira do jogo. A CBF, logicamente, vai lucrar bastante. Mas para o torcedor, creio que seria mais interessante ver a seleção brasileira jogar com o misto do Toco Y Me Voy F.C. Então, vejamos alguns dados da Estônia e o seu escrete.

A República da Estônia é um dos três países bálticos, situado na Europa Setentrional, constituído por uma porção continental e um grande arquipélago no mar Báltico. Limita-se ao norte com o golfo da Finlândia, a leste com a Rússia, ao sul com a Letônia e a oeste com o mar Báltico, que a separa da Suécia. Possui pouco mais de 1.600.000 (um milhão e seiscentos mil) habitantes, distribuídos em 45 mil quilômetros quadrados (equivalente ao estado do Espírito Santo).

O país tem ligações culturais e históricas com os países nórdicos, particularmente com Finlândia, Suécia e Dinamarca. A temperatura média do país não passa de 6,5°C. E na década de 40 já registrou -43,5°C.

A Estônia é dividida em 15 Condados (subdivisão administrativa típica dos países anglo-saxônicos), comandados por um governador indicado pelo governo nacional para representá-lo. O país possui um total de 227 Municípios, sendo que a imensa maioria destes são Municípios Rurais. Em que pese isso, a agricultura responde por apenas 3% do PIB nacional.

No futebol, é absolutamente inexpressiva a Seleção Estoniana. Jamais se classificou para uma Copa do Mundo, nem mesmo para uma Eurocopa. A melhor colocação foi nas eliminatórias da Eurocopa de 2000, quando obteve 3 vitórias e ficou em 5° lugar (penúltimo) em uma chave que tinha também os selecionados da República Tcheca, Escócia, Bósnia, Lituânia e a perigosa Ilhas Faroe.

O goleiro Mart Poom foi eleito em 2004 o melhor jogador estoniano dos 50 anos da UEFA, mas o mais conhecido jogador nascido no país é Valeriy Karpin, de ascendência russa e que por isso jogou pela Rússia.

Nas eliminatórias européias para a Copa do Mundo de 2006, a Estônia ficou em 4º lugar no grupo 3, no qual classificou-se o selecionado de Portugal. Nestas eliminatórias, a Estônia, com 5 pontos, ocupa a 5ª (penúltima) colocação no grupo 5, em que lidera a Fúria, com 18. Tudo leva a crer que não terá chances sequer de um lugar na repescagem, ou seja, é praticamente certo que ficará fora do mundial de 2010.

A Estônia ocupa a 112ª posição no ranking da FIFA. O jogo será realizado no campo do FC Flora, na capital Tallinn. O estádio, construído em 2001, é um dos poucos no mundo a contar com um aquecimento subterrâneo para evitar que a neve inviabilize as partidas e para que a grama se mantenha sempre perfeita, de modo a não acontecer mais uma final de mundial de clubes, como a protagonizada em 1987 entre Peñarol e Porto, como foi bem lembrada pelo Junique.

Entre os clubes, o campeonato estoniano é conhecido como Meistriliiga, que tem apenas 10 times, sendo que o primeiro ganha vaga na primeira fase da Liga dos Campeões da UEFA e o último é rebaixado para disputar a Esiliiga. Em 2009 está na liderança o time FC Levadia Tallinn, fundado em 1998; é o São Paulo brasileiro, pois é o atual tricampeão nacional.

Todos os estonianos juntos equivalem a um quinto da torcida do Grêmio. Aliás, fiz a relação com o Tricolor Gaúcho porque as cores da bandeira estoniana são as mesmas do Grêmio. Acho que vou torcer pela Estônia, porque para o Grêmio está difícil.

Então, que a Estônia jogue firme, tenha garra, espírito competitivo e que não se amedronte diante um adversário maior. Afinal, quase todos são maiores.

Finalizando, como sempre trago um trecho de música gaúcha ou algo da cultura. Dessa vez nem uma expressão tradicionalista, mas vai aqui o refrão da música “Serrano, Sim, Senhor!”, que tocou na minha formatura, tratando do meu pago, e o pago é sagrado pra qualquer gaúcho:

“Me orgulho em ser serrano,
pisador de geada fria
domador de ventania
parapeito pra o minuano.
Sou taipeiro veterano,
sapecador de pinhão,
no mundo, que é o meu pontão,
sou monarca soberano”.


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