O FUTURO PROMETE

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A década passada foi dura para nós, gremistas. Vimos o tricolor ganhar apenas dois títulos nacionais, sendo que um foi a Copa do Brasil, lá em 2001 e, posteriormente, o título do campeonato brasileiro da série B. Algo totalmente incomum para o Grêmio, pois até 2001 nós empilhamos títulos nacionais e internacionais, tendo sido um pecado da natureza a derrota para o então poderoso Ajax, base da inspirada seleção da holanda na época. Mandamos no jogo, com um a menos.

Ao lado do mau desempenho e má gestão do Grêmio da época da ISL, o Inter fazia valer a gangorra: quem não via que o Inter, depois de ter claudicado e pago mala preta para não cair, começava a se organizar? aprendeu com o grande susto. E passou a fazer uma boa gestão. Os resultados estouraram em 2005, quando tiveram um campeonato brasileiro roubado. No ano seguinte, os colorados tiveram a redenção do brasileirão anterior, pois ganharam a libertadores do mesmo jeito que perderam o brasileirão: roubado.

Mas tiraram proveito e derrotaram o poderoso Barcelona no mesmo ano, sagrando-se campeão mundial. Havia invertido completamente a situação dos anos anteriores. Eu vi uma boa gestão do Inter, na área de categorias de base, marketing, futebol… em todos os setores. Enfim, o Inter de Fernando Carvalho seguia o bom exemplo do Grêmio de Fábio Koff.

Qual gremista não sentia o gosto amargo de ver jogadores do Inter satisfeitos com o clube e quando saíam, sempre queriam voltar? e isso ilustrava a boa fase do Internacional.

Sempre foi assim, na história Gre-nal: um no topo e outro na lama.

Mas essa história vem mudando lentamente: depois da mala preta do Inter para o Paysandu em 2002 e do rebaixamento do Grêmio de 2005, os times resolveram sacudir a poeira e pelear como verdadeiros gaúchos.

Melhoraram a gestão, o quadro social, o marketing, o plantel. Hoje, a briga é em alto nível. Logicamente, o Internacional, por ter começado a se organizar antes, está colhendo os frutos primeiro.

Notem que a gangorra ainda existe, mas não é mais um no céu e outro no inferno. A briga é por quem terá o melhor estádio do Brasil, por quem terminará melhor o campeonato, enfim, a disputa e a rivalidade continuam fortes, mas hoje ambos concorrem juntos e em alto nível.

E, assim como o Internacional, vejo o Grêmio melhorando cada vez mais sua gestão: diante da dívida que maneava a capacidade de investimento do clube, foi inteligentemente criado o condomínio de credores, os quais vêm, com muita dificuldade, sendo pagos. Ainda existem muitos problemas financeiros, mas a luz no fim do túnel está brilhando (e não é o trem vindo).

O clube voltou a investir nas categorias de base, incrementou o quadro social, vem trabalhando bem no marketing, vem procurando honrar as contas e usa soluções estratégicas com investidores para trazer jogadores. Há notícias de que para 2011 o Grêmio assinaria uma parceria com a Traffic, o que pode significar o desembarque de craques aqui novamente. Se não for uma nova ISL – e a tendência é que não o seja, haja vista o parcial sucesso com o Palmeiras, eis um grande alento para o Tricolor. Com boas gestões e com uma parceira que traz jogadores, a volta dos títulos será inevitável.

Hoje ainda li que jogadores como Gallato e Carlos Eduardo sentem falta do Grêmio e querem voltar em breve (antes de completarem 30 anos). É o mesmo sintoma que acometia o Inter: jogador quando não quer sair ou quando quer voltar é porque recebeu em dia, foi bem tratado e teve uma boa estrutura oferecendo sustento.

No futebol, quando se investe bem nos pontos fundamentais e a longo prazo, o resultado vem inevitavelmente. Funciona como na vida: só se colhe o que se planta. Ou como se diz na minha terra: se plantar milho não tem como colher feijão. A semeadura é livre; a colheita, obrigatória.

Pra não perder o costume, finalizo com verso de música gaúcha de qualidade: “Quem é do garrão da pátria, alma sangue e procedência, o amor pela querência traz retratado na estampa; retovos de casco e guampa no repertório da lida, pra que o sentido da vida finque raízes na pampa”.

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Uma resposta to “O FUTURO PROMETE”

  1. mzerbes Says:

    Não gosto de ser repetitivo, mas Portaluppi disse tudo nas suas entrevistas: “se o Grêmio tivesse me contratato no primeiro turno provavelmente estaríamos disputando o título”.

    GRÊMIO RUMO À LIBERTADORES 2011!!

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