O Fim da Era Felipe Melo

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Felipe Melo: o vilão brasileiro na Copa do Mundo de 2010. FONTE: Terra

Felipe Melo: o vilão brasileiro na Copa do Mundo de 2010. FONTE: Terra

Não sou anti-patriota. Não torci contra a Seleção Brasileira (e JAMAIS farei isso). Mas só se enganou com a Seleção quem quis. Era previsível. O famoso “anúncio de uma morte já anunciada”. O Brasil, todos sabem, foi mal convocado pelo Treinador Dunga. O Brasil, como todos sabem, não tinha peças de reposição. O Brasil, como todos sabem, não tinha um diferencial técnico da magnitude de um Ganso, quiçá um Ronaldinho Gaúcho. Participo do bolão da Copa do Mundo feito na minha academia. Apostei contra a minha pátria. Doeu-me na alma. Mas eu não podia me enganar. Apostei 2 a 1 pró Holanda. A acertei em cheio.

A Seleção Brasileira começou irresistível. Jogando bem pelas pontas, Michel Bastos anulando Arjen Robben, e Robinho, Juan e Maicon suando sangue pelo time. A defesa holandesa estava desnorteada. Sneijder não conseguia respirar com a marcação por zona feita por Gilberto Silva e Felipe Melo. Opa. Felipe Melo. De novo ele. Felipe Melo fez um estupendo lançamento para Robinho, às costas da defesa europeia, que bateu de prima, marcando um belo gol. Eu estava feliz. Estava errando meu palpite futebolístico. Meus grandes amigos Lucas Grave, Rodrigo Ortiz e Roberto Ortiz Jr. estavam brincando comigo, ora telefonando, ora enviando mensagens, asseverando que eu havia errado o resultado. Era cedo. Muito cedo.

O “até então herói”, Felipe Melo, com a chegada do segundo tempo, tornou-se “o velho conhecido vilão dos tempos de Grêmio”. Diretamente do “túnel do tempo”, calha recordar que Felipe Melo foi o  maior investimento da direção do Grêmio para o Campeonato Brasileiro de 2004. Vinha com cartaz de craque, tendo passado pelo Cruzeiro de Belo Horinzonte-MG. Com o passar dos jogos, Felipe Melo foi afundando o seu próprio time, sempre caindo nas provocações dos adversários, sempre com atos de indisciplina, alternando raros momentos de qualidade técnica. Aquele Grêmio de Felipe Melo, Cocito, Fábio Bilica, Christian, Cláudio Pitbull, Márcio, Capone, Yan, Jorge Mutt, e cia. haveria de ser rebaixado com antecedência de quatro longas rodadas (para a torcida gremista). Felipe Melo, sempre ele, pegou as suas coisas e foi jogar no Racing Santander-ESP, clube no qual voltou a aparecer para o futebol.

Recordo-me de um jogo: Real Madrid-ESP 0x1 Racing Santander-ESP. Adivinhem quem marcou o gol da vitória do Racing sobre os Merengues em pleno Estádio Santiago Bernabeu? Sim. Sempre ele. Felipe Melo. Naquele jogo, ele não esqueceu de jogar futebol. Ele não perdeu a calma. Tempos depois, Felipe Melo haveria de aparecer em clubes da Itália, até ser observado pelo atual (talvez ex) técnico da Seleção Brasileira.

Mas voltando ao jogo Brasil x Holanda, os comentaristas de SporTV e Rede Globo já previam que o temperamento de Felipe Melo era o amior problema para a continuidade daquele jogo. Júnior, Casagrande e Paulo César Vasconcellos avisaram. E não deu outra. Falha de Felipe Melo na primeira parte do segundo tempo, ao tentar passar de calcanhar uma bola na defesa. Preciosismo lamentável. Quase gol de Kuyt para a Holanda. Como Muricy Ramalho, atual treinador do Fluminense-RJ/BRA tantas vezes filosofou: “a bola pune”. No segundo erro de Felipe Melo, bola alçada na área por Sneijder, saída em falso de Júlio César que gritou com Felipe Melo (“é minha!!”), mas este último o atrapalhou: gol de Sneijder. Graças ao ato falho, um erro crasso, os Países Baixos ganhavam súbita esperança de derrotar a maior seleção de futebol do mundo. Michel Bastos vinha fzendo muitas faltas em Arjen Robben, mas realizava grande peleia. Após o cartão amarelo, Dunga viu-se na obrigatoriedade de substitui-lo. Gilberto substituiu Michel Bastos, e a lateral-esquerda do Brasil virou uma AVENIDA. Aproveitando-se desta avenida, Sneijder marcou o gol da virada da Laranja Mecânica, depois de um cobrança de escanteio resultante de uma jogada articulada por Van Persie e Robben na ala esquerda “defendida” por Gilberto. Na sequência, após disputa de bola com Robben, Felipe Melo desmoronou de vez. Fez falta e pisou na coxa do holandês. Era o velho Felipe Melo da época de Grêmio mais uma vez. Expulsão. O tiro de misericórdia na Seleção Canarinho havia sido dado. Os holandeses perderam gols incríveis na sequência. Um Brasil desfigurado lutou até os últimos segundos para tentar empatar aquele entrevero, mas era impraticável. Kaká jogou muito aquém do esperado. Era sabido. Um único arquiteto, em um time repleto de operários, não faz milagre. Este blogueiro já havia antecipado esta situação em post pretérito. Agora só nos resta aguardar a Copa de 2014. Meu palpite de que a Holanda sairá da fila e conquistará sua primeira Copa do Mundo segue vivo…

BRASIL (1) HOLANDA (2)
Julio César; Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos (Gilberto); Gilberto Silva, Felipe Melo, Daniel Alves e Kaká; Robinho e Luís Fabiano (Nilmar). Técnico: Dunga Stekelenburg; Van der Wiel, Heittinga, Oojier e Van Bronckhorst; De Jong, Van Bommel e Sneijder; Kuyt, Robben e Van Persie.
Técnico: Bert van Marwijk

Gols: Robinho, aos dez minutos do primeiro tempo; Felipe Melo (contra), aos oito, e Sneijder, aos 22 minutos do segundo tempo
Cartão amarelo: Heitinga, Van der Wiel, De Jong, Ooijer (Holanda); Michel Bastos (Brasil). Cartão vermelho: Felipe melo.
Estádio: Nelson Mandela Bay (em Porto Elizabeth).
Data: 02/07/2010.
Árbitro: Yuichi Nishimura (JAP). Assistentes: Toru Sagara (JAP) e Jeong Hae-Sang (COR)

Tchüss!!

3 Respostas to “O Fim da Era Felipe Melo”

  1. Roberto Júnior Says:

    Hoje vou dormir com a péssima sensação de saber que eu e milhares de pessoas no Brasil estavam com a razão. Tinham a clara sensação de que isto podia acontecer. E que o Sr. Carlos Caetano Bledorn Verri e sua comissão técnica sabiam dos problemas da seleção e não tomaram atitudes cabíveis. Eis a lista:

    – Não convocaram jogadores de criatividade para o meio campo. No primeiro jogo que saimos perdendo para uma seleção de ponta, NÃO HAVIA JOGADOR DIFERENCIADO NO BANCO E SIM UM MONTÃO DE VOLANTES.

    – Estava na cara que o Kaká não tem o perfil para ser o líder da seleção.

    – É inadmissível que um país com a matéria prima humana que o Brasil tem, PRECISE IMPROVISAR UM LATERAL NO MEIO CAMPO, SENDO QUE DEIXOU DE CONVOCAR JOGADORES COMO GANSO, RONALDINHO GAÚCHO, HERNANES E OUTROS…

    – Convocar 2 jogadores que não jogavam de lateral esquerdo de ofício há pelo menos 3 anos ( Gilberto e Michel Bastos jogam de meias nos seus clubes). NO PRIMEIRO JOGO QUE PRESSIONARAM AQUELE SETOR, A DEFESA RUIU.

    – Até a minha avó que tem 90 anos sabia do DESTEMPERO E VOLATILIDADE EMOCIONAL DO SR. FELIPE MELO. Foi maldoso, covarde, com uma entrada criminosa no holandês Robben

    E o Brasil, perdendo o jogo ainda teve a “benesse” de ter o seu centroavante substituído no segundo tempo. Em vez de tirar Daniel Alves, que não estava jogando nada, o escolhido foi Luis Fabiano. E isso que precisávamos vencer o jogo.

    Agora temos que ver também o que aconteceu realmente no jogo, sem faláceas. O Brasil foi MUITO MELHOR que a Holanda na maior parte do jogo. Dominou amplamente o primeiro tempo e perdeu diversas chances de gol. No segundo tempo a Holanda cresceu, mas fez o seu gol NUM LANCE OCASIONAL, que se não tivesse ocorrido não mudaria o resultado do jogo. A Holanda tem um futebol FRACO, não tem penetração ofensiva, toca demais a bola sem objetividade, depende muito de Robben e Van Persie que não jogaram nada e perdeu vários gols no final mesmo com um jogador a mais. Tem méritos, mas não mereceu nunca vencer o jogo. Essa Holanda é pior que a de 94 e 98 e provavelmente não vai ser campeã do mundo, pois é bem inferior a Espanha, Argentina e Alemanha.

    Mas essa mesma Holanda chegou na semi-final da Copa do Mundo. Isso mostra o tamanho da chance que perdemos. Tinhamos totais condiçoes de chegar a final. Mas por um misto de azar, instabilidade emocional da equipe (ou de alguns jogadores, para ser mais justo), incompetência do treinador e comissão técnica, vamos ter que esperar até 2014 para tentar o hexacampeonato.

  2. Roberto Júnior Says:

    Meu amigo Zerbes, só pra deixar claro, usei o termo “falácea” para te “inticar” (deves rir muito agora certo?). Respeito MUITO tuas opiniões, mas ainda acho que esta Laranja já foi muito mais doce. Venceu, mas não convenceu.

    • mzerbes Says:

      hehehehhehehe…sem problemas, meu estimado amigo. A opinião foi feita para ser exposta. Se todos tivessem o mesmo ponto-de-vista seria um antro de chatice.

      Sigo apostando na Laranja Mecânica. Assustei-me com a “catimba” implementada pelos holandeses. Nunca havia visto eles jogarem um futebol “simulado” como aquele, tentando induzir a arbitragem em erro. Robben jogou bem, mas (na maior parte das vezes) preferiu imitar Neymar e Nilmar: dar uma de “cai-cai”. Qualquer contato físico com ele era motivo para um gemido, acompanhado de uma queda teatral.

      De qualquer modo, Sneijder e Kuyt jogaram DEMAIS. Van Bommel conseguiu irritar o time brasileiro, valendo-se da sua experiência.

      Sem o futebol-arte apresentado em outros jogos, mas com muita efetividade e competência, a Holanda segue seu rumo na busca pelo sonhado primeiro título mundial.

      O Uruguai não terá chances na semifinal. Isto quer dizer que a Laranja Mecânica estará em mais uma final de mundialito…

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