COTAS DE TV PROPORCIONAIS AO NÚMERO DE SÓCIOS

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Desde que caminho eu jogo (deficientemente) futebol. Mas, acredito que de 15 anos pra cá, me dediquei também a pensar sobre futebol. Táticas, times, mas também conceitos. A base do meu pensamento é que o futebol enquanto esporte, deveria ter o foco principal no entretenimento, na saúde, movimentado pelas paixões de torcedores e regido pelo espírito esportivo de jogadores, treinadores e cartolas.

Um conceito clássico e talvez superado há cinquenta anos ou mais. Hoje, quem manda no futebol, como em tudo na vida, é o dinheiro. Arde o peito admitir que jogos são manipulados, jogadores são escalados, vendidos, comprados, tudo em função do lucro. Escrevi um sem-número de postagens, indignado com esta pútrida realidade. Mas não adiantou espernear. Agora, começo 2010 tentando arrumar alternativas para diminuir a situação dos nossos clubes, verdadeiras “marionetes de empresários”, obrigados a vender promessas a preço de banana para cobrir furos no caixa.

Ora, as três principais receitas de um clube são: cotas de TV, patrocínios e recursos próprios. Neste último, podemos fazer uma subdivisão, nesta ordem de grandeza: vendas de jogadores, quadros sociais, licenciamentos e bilheterias.

É crescente no Brasil, especialmente aqui no sul, o número de sócios dos clubes, o que vem aumentando as receitas e a primeira consequencia sentida é a diminuição de vendas de jogadores. Exemplo de sucesso nessa área é o Sport Club Internacional, que já é o clube brasileiro com o maior número de sócios em dia, provavelmente mais de 100 mil. O Grêmio também tem destaque nos quadros sociais e isto certamente tem influenciado no início do saneamento dos cofres do clube, que na atual temporada conseguiu montar uma equipe forte.

A gestão dos clubes gaúchos, especialmente no que diz respeito aos quadros sociais, está sendo bem sucedida. E a questão a ser debatida é: como aumentar o quadro social de um clube?

Ora, oferecendo vantagens para o sócio. E a principal vantagem a ser oferecida a um sócio são títulos. Isto mesmo, faixa no peito e troféu no armário. Obviamente que um clube que ganha títulos atrai mais seu torcedor. Mas esta não é uma verdade absoluta. Fosse assim, São Paulo teria disparado o maior quadro social entre clubes brasileiros.

Vantagens pecuniárias são outra forma de atrair um torcedor a se tornar sócio. Até algum tempo atrás, sócio não pagava ingresso. Mas a partir do momento em que se tem mais sócios do que lugares no estádio, tornou-se necessário encontrar alternativas. A extinção da isenção de ingresso foi a primeira delas. Hoje, sócio ganha desconto e preferência na compra de ingresso.

Mas mesmo assim, se um clube tem mais sócios do que lugares no estádio, não é suficiente dar desconto para ingresso; vai ter sócio sem direito a entrar no estádio. E para esse sócio frustrado, a única coisa que o mantém preso ao quadro social do clube, pagando sem usufruir de vantagem alguma, é a velha e ultrapassada paixão pelo clube.

Ora, se paixão por futebol não é mais suficiente, então vamos raciocinar: qual a razão de uma pessoa ser sócia do clube e assistir na TV os jogos? Nenhuma. Não adianta enviar folders, revistinhas, oferecer desconto nas academias, piscinas. Não. Sócio de clube de futebol quer vantagem como torcedor de futebol, não como membro de clube familiar.

Como então oferecer vantagem ao torcedor de futebol? Muito simples. Se é inevitável que parte dos sócios assistam os jogos pela televisão, basta então reformular o sistema de cotas de TV e de prioridades de exibição dos jogos.

Hoje em dia você é obrigado a ver jogos de Flamengo e Corinthians, que até dias atrás estavam em uma fila por títulos maior que a fila do INSS. Era uma monotonia. Tudo porque são os times de maior torcida no país.

Se mudasse o critério para oferecer quinhão (em dinheiro e em espaço) de televisão tanto maior quanto maior for o número de associados do clube, será um incentivo e tanto aos sócios que são obrigados a ver os jogos pela TV a permanecerem na condição de sócios. Afinal, terão maiores chances de ver seu clube do coração se ele tiver um quadro social polpudo.

Ou, ainda mais atrativo: oferecer desconto no famoso e famigerado PFC a quem for sócio em dia nos seus clubes.

Dirão alguns: isto é impossível, pois significaria prejuízo à televisão, que tem interesse é no grande público. E a réplica para esse argumento é automática: será que Flamengo e Corinthians têm potencial inferior a algum clube brasileiro para angariar sócios? É claro que não. Pelo contrário! Isso estimularia os milhões de flamenguistas e Corinthianos a se associarem aos seus clubes.

O efeito seria cascata: os clubes brasileiros se desatolariam das dívidas, cresceriam, ganhariam qualidade e independência, pois manteriam a “matéria-prima” inesgotável no Brasil, que são os novos craques e multiplicariam potencial de desenvolvimento, equilibrando-se aos grandes europeus.

E, ao fim e ao cabo, a televisão lucraria também, e muito, pois conseguiria retransmitir nossos campeonatos a todos os lugares do mundo. Sem contar que PFC’s da vida angariariam muitos novos clientes ao ofertar descontos para quem for sócio do time.

Recentemente o clube dos 13 conseguiu a façanha de vender os jogos do campeonato brasileiro para a Ásia. Agora, concorreremos a audiência asiática com campeonatos como o da Inglaterra, por exemplo.

Na minha opinião, uma ação conjunta entre clubes e televisão nesse sentido poderia significar o início de novos tempos no futebol brasileiro.

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