NA CARA DO GOL

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RECUERDOS DE BUENOS AIRES – PARTE I – La Passión pelo Fútbol

Entre os dias 02 e 06 de dezembro estive na gloriosa capital da Argentina, Buenos Aires, afim de ver o histórico show da banda AC/DC e também fazer um turismo comercial-cultural pela maior cidade do Cone -Sul da América. Mas como não poderia deixar de ser, sempre há trabalho e como correspondente internacional do TMV, após imergir na cultura local venho aqui trazer as minhas impressões sobre a cidade, as expectativas dos “hinchas” locais para 2010 e o estágio atual do futebol porteño.

Buenos Aires é uma cidade em que se acorda, dorme, come e respira futebol de uma forma mais intensa do que as cidades que já visitei no Brasil. Além da paixão que o futebol exerce sobre os argentinos ( apesar dos sucessos da seleção de basquete e do tenista Del Potro é notório que  o que realmente faria os argentinos MUITO MAIS felizes seria o sucesso de sua seleção de futebol), do orgulho de exibirem suas cores, de  “aléntar” com muito fervor, na grande Buenos Aires estão localizados quase todos os clubes que disputam os campeonatos (Clausura e Apertura) da primeira divisão. (Apenas Rosário Central, Tigre, Atlético Tucumán, Newel´s Old Boys, Estudiantes de La Plata e Gimmnásia La Plata estão fora desta área), tornando o futebol assunto obrigatório diariamente nos bares e cafés espalhados pela cidade.

Na televisão existem 4 canais sobre esportes: Fox Sports, ESPN, ESPN + e TyC (Torneos y Competéncias). Todos os canais possuem programação voltada para o público argentino e desde as primeiras horas da manhã o  telespectador é inundado por mesas-redondas, gols e projeções da semana. Cheguei a ver apresentadores de um programa, de terno e gravata jogando fut-volei ao vivo com convidados jogadores, tudo no estúdio, ao vivo, uma zona só… . Quanto a TyC ela é uma empresa com tradição na promoção e transmissão de campeonatos argentinos e tem  um programa na TV que passa jogos antigos.  Vi gols de River e Boca contra o Cosmos de Nova Iorque em amistosos no fim dos anos 70, gols de Maradona no Argentinos Juniors e Barcelona, e para mim que sou um amante de história aquilo tudo era um deleite só. Era que nem comer doce de leite Salamandra ( o Mumu é PIADA perto dele, com certeza é o melhor que já degustei em meus 31 anos ) de colher e se lambuzar todo.

Não poderia deixar de dar um viés político a esta coluna, pois já manifestei quão nefasto é usar o esporte como instrumento de propaganda política. Nesse contexto, a TyC sofreu um duro golpe este ano. Por várias temporadas ela detinha os direitos de transmissão do campeonato e repassava-os para a população pelo sistema de Pay-Per-View. Devido as dívidas crescentes dos clubes argentinos  a AFA (Associação de Futebol Argentino) tentou renegociar o contrato mas não havia acerto quanto aos valores. Aproveitando o impasse ,o governo federal pagou 600 milhões de dólares pelos direitos (um pouco mais que o dobro oferecido pela TyC) e decidiu transmiti-lo pelo canal 7, na TV aberta. O que parece ser um “presente” para população esconde uma motivação bem menos nobre: a TyC pertence ao grupo Clarín (de jornal de mesmo nome) e este grupo promove uma oposição feroz nos seus meios de comunicação ao governo de Cristina Kirchner. Então o “Casal K” deu o troco. Mas para um país que tem sérios problemas econômicos é lamentavel que tal soma de dinheiro seja investida em recursos midiáticos para o governo. Como podemos ver: é populismo aqui e populismo lá. É a grande chaga da América.

No geral, havia grande cobertura quanto ao sorteio dos grupos da copa do mundo, que ocorreria no dia 04. Mas curiosamente as matérias da imprensa não davam muito atenção a possíveis projeções de grupos e sim abordavam o fato de que Maradona, por estar suspenso pela FIFA não poderia comparacer ao sorteio e, se o fizesse correria o risco de ser barrado. Para não passar por tal constrangimento a AFA enviou Carlos Bilardo para a Africa do Sul. De outra parte os argentinos estavam muito aliviados pois Pelé não compareceria ao sorteio devido a divergências comerciais com a FIFA. Nas escolhas das copas de 2002 e 2006, ele foi “muy amigo” com os hermanos. Aqui está um trecho da crônica “Pelégro” publicada no diário Olé no dia posterior ao sorteio da Copa de 2006:

“Y por lo que se vio en los últimos dos sorteos de mundiales, lo que también está asegurado es que si el Negro mete la mano, todos los muertos todos caen sobre Argentina. Hace cuatro años puso sus dedos y nos encajó a Inglaterra; ahora el mismo brazo entró en el copón 3, el de los europeos, y sacó al rival que nadie quería: Holanda. “

E eles estavam certos… o grupo em que Argentina caiu é uma barbada. Coréia do Sul, Grécia e Nigéria não tem condições de serem ameaças. Mas a falta de confiança da imprensa e torcedores na sua seleção saltam os olhos. Preferem abordar sobre as semelhanças positivas com outras copas, como que Nigéria e Grécia estavam no mesmo grupo da copa de 94 , a última de Maradona. Que a Coréia do Sul foi o primeiro adversário a ser derrotado por eles na gloriosa campanha da copa de 86. Que a classificação para a copa de 86 também foi obtida no último jogo, contra o Uruguai, com um gol no final e naquelas eliminatórias, Maradona não brilhou e só veio a fazê-lo  no México. Os Argentinos esperam que o mesmo aconteça com Messi. Até a sede de treinamentos que eles pleiteavam na Africa do Sul conseguiram, ou seja, o extra-campo parece que vai bem o problema está na casamata e dentro do campo.

A relação com Maradona mudou. Os Argentinos hoje em dia separam o Maradona jogador de futebol do Maradona ser humano e treinador. Para o primeiro todas as glórias e louvores. É literalmente o D-1-0-s (Deus). O homem que derrubou os Ingleses com uma mão e fez o gol mais bonito da história das copas. Já para o segundo sobram restrições: Faltaria conhecimento tático,  é inexperiente como treinador, não teria o equilíbrio emocional necessário ( as criticas a imprensa pós jogo contra o Uruguai ainda repercutem) e por aí vai. Eu ouvi mais de um argentino dizer de sua própria  boca que torceria por uma eliminação precoce na copa para “acabar de uma vez com esse negócio de Maradona treinador”. Eu sinceramente duvido muito. É mais fácil eu ter um encontro com a Sandra Bullock do que verem argentinos secando sua propria seleção, simplesmente não é da natureza deles. Na hora do torneio, quando o primeiro gol sair a favor, ” la passión argentina” vai aflorar novamente e todos torcerão enlouquecidamente pelo sucesso da seleção.

No proximo post abordarei o momento atual de Boca e River e o final do torneio apertura 2009.

Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta as mudanças.” Charles Darwin

Abraços a todos!!!

2 Respostas to “NA CARA DO GOL”

  1. mzerbes Says:

    “Ustedes no querian la clasificación? Que las chupen!” (by D10)

  2. Gustavo Says:

    Nosso correspondente internacional de parabéns! consegue dar um panorama geral daquilo que um apaixonado por futebol gostaria de saber. Grande coluna. Ansioso pela parte 2, mas não posso deixar de dar o pitaco:

    Junior, entre as colunas que abordarão a excursão, uma delas poderia se dedicar a falar de tangos e milongas con las chicas! afinal, eu duvido que tu tenha se dedicado unicamente a pesquisas futebolístico-culturais, hehehe

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