CAMPEONATO GAÚCHO – parte 5 – Porto Alegre assume de vez a liderança em títulos estaduais.

by

No campeonato gaúcho de 1925, que estaria recém em sua quinta edição, Bagé se igualou a Porto Alegre, ambas com dois títulos estaduais cada. E o ano de 1926 reservara uma disputa particular entre as cidades, pois a final seria exatamente de representantes destas.

Grêmio versus Guarany. Dois dos maiores times gaúchos da época, estariam medindo forças na final de 1926. Em 1920, o campeão foi o Guarany e o tricolor da Azenha ficou com o segundo lugar. Mas em 1926, a história foi diferente. Foi um jogo difícil, estampado pelo placar, três tentos para cada, no tempo normal, sendo que o tricolor venceria por um a zero na prorrogação.

Este ano marcou um fato ao qual foi dado pouca relevância histórica; mesmo destino dado às causas e consequências, que são muito mais importantes – e até certo ponto, graves. A partir de 1926, Porto Alegre assumiu a hegemonia dos títulos estaduais. E Jamais largou esse posto.

É bem verdade que a capital sempre forneceu melhores condições de desenvolvimento de futebol, assim como ocorre na grande maioria dos setores da sociedade, até em função da maior densidade demográfica.

Mas o fato é que, por trás dessa hegemonia dos clubes da capital, sempre existiu um privilégio, sobretudo a Grêmio e Inter. Vários anos os dois clubes, por força de calendário, entraram em fases finais. Em outras épocas, a dupla só jogava em casa. E desde o início, as finais ocorriam em Porto Alegre. Outras circunstâncias também favoreceram Grêmio e Inter.

Por exemplo, a partir de 1961 foi extinto o critério de divisão em zonas, com campeões citadinos disputando fases regionais. Adotou-se o sistema de acesso e descenso que, na prática, foi criado veladamente para permitir que os clubes da capital pudessem disputar o campeonato gaúcho.

Sob o suposto critério de justiça do sistema de acesso e descenso, o efeito prático foi a extinção da importância dos campeonatos citadinos. Ora, podem chamar de anacronismo, mas não concordo que o sistema de acesso e descenso seja mais justo. O campeonato não é estadual? se o estado é formado por cidades, os campeões destas devem se dividir em zonas para restringir o número de times e, o campeão destas, disputar a fase final do campeonato gaúcho.

Basta dividir o campeonato gaúcho entre até 1960 e pós 1960 e fazer a comparação: até 1960, em 40 edições, tivemos 10 campeões gaúchos vindos do interior do estado. Ou seja, 25% dos títulos foi para o interior. Até aí, creio que as condições eram melhores e a superioridade da dupla tinha proporção com o maior número de títulos.

Mas, a partir de 1961, sob a nova fórmula, foram disputadas 49 edições do campeonato gaúcho, sendo que destas, somente 02 vezes (1998 e 2000) o título foi para o interior. O percentual caiu de 25 para 4% de clubes do interior campeões.

Naturalmente, não se discute o mérito da dupla porto-alegrense, muito menos estou sugerindo que a superioridade Gre-nal decorra unicamente desses privilégios, mas os fatos são gritantes e inegáveis; e também é de se convir que a superioridade não guarda a mesma proporção daquilo que acontece no campo de jogo, onde se vê que o desequilíbrio não é tão grande como no percentual.

Eu acho que a dupla Gre-nal tem mérito e superioridade para ostentar 75% dos títulos gaúchos, como ocorreu até 1960, mas não para 96% deles. A fórmula adotada foi estranha, porque em vez de equilibrar a balança, apenas aumentou a disparidade – que, gize-se, já era grande e com justeza.

Claro, critiquei a fórmula adotada a partir de 1961, mas sei que hoje seria inviável restabelecer os campeonatos citadinos. O problema nem é a fórmula, mas a permanência dos privilégios para a dupla, pois Grêmio e Inter não caem no mesmo grupo. Isto serve para permitir (leia-se estimular, desejar) o clássico na final. No ano passado, ainda se tentou maquiar o privilégio ao determinar que todos jogassem contra todos. Mas apesar de ter Gre-nal na fase classificatória, ambos permanecem forçosamente em grupos distintos. Mais uma vez o mercantilismo supera o esporte.

Gostaria de ver um apoio maior aos times do interior, sobretudo financeiro, não só para equilibrar com Grêmio e Inter ou para que estes voltem a conquistar títulos estaduais; mas sobretudo para que o Rio Grande do Sul volte a ter condições de brigar por uma melhor colocação no cenário futebolístico nacional. Sem ter que fechar as portas após o término do gauchão por falta de recursos.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: