CAMPEONATO GAÚCHO – parte 4 – Bagé, o quarto campeão Gaúcho, após dois anos sem a competição.

by

Depois de escrever sobre o primeiro campeonato gaúcho, sobre o primeiro e o segundo campeões, deixo de falar sobre o terceiro, porque foi o Grêmio, nos anos de 1921 e 1922, cuja história é notória. Apenas para não passar o registro, o tricolor sagrou-se campeão em 1921 ao superar os demais em um quadrangular de turno único, sendo vice o Riograndense/SM. Em 1922, o Grêmio venceu o Guarani de Alegrete pelo placar de 2 a 1. Gols de Ramón e Lagarto (atacante vindo do Guarany de Bagé, que depois transferiu-se para o Fluminense). Na meta tricolor já estava, nos dois anos, o lendário goleiro Eurico Lara, imortalizado na memória e no hino do clube.

Nos anos de 1923 e 1924 não houve disputa do campeonato gaúcho, em função da última das Revoluções, completando a trindade que se iniciara em 1835 e prosseguira em 1893. Tratava-se da famosa Revolução de 1923. Maragatos (adeptos a Assis Brasil, opositor do governista Borges de Medeiros) e Chimangos (nome dado em função do apelido de Borges) lutaram porque Borges queria se manter no governo e, segundo narra a história, fazia de tudo para isso acontecer. Descontentes com o governo, os Maragatos tentaram se opor organizadamente, nas urnas. Mas como a fraude era presumida, a derrota foi certeza. Diante desse resultado, estourou a Revolução de 23. Na época, direitos negados se conquistavam na ponta da adaga.

Em número menor e sem a organização militar que tinham os borgistas (chimangos), os maragatos (assisistas) chegaram a tomar a cidade de Pelotas, à época a maior cidade do interior. Mas não tinham força de combate suficiente, pelo que, em dezembro de 1923, concordaram em selar o tratado de paz, pelo qual Borges de Medeiros terminaria seu novo mandato. Mas, pelo acordo, impediu-se o instituto das reeleições, a indicação de intendentes (prefeitos) e do vice-presidente do Estado.

Selada a paz e conquistados os direitos, o futebol voltaria a ganhar espaço em 1925. E novamente a competição, que era regionalizada, teve um campeão do interior do Estado. E mais uma vez o troféu foi para a cidade de Bagé, que nos primeiros 6 anos empatou com Porto Alegre no número de títulos.

Em 1925, ocorreu uma alteração no modo de disputa da fase final, diferente das edições anteriores, quando havia sido disputados quadrangulares. Desta vez, ocorreu a disputa de jogos eliminatórios. Foi assim organizado:

Numa espécie de primeira fase, foi dividido em nove regiões. Porto Alegre foi uma das regiões, sendo o Grêmio o campeão. Na 2ª região, o Taquarense superou no Novo Hamburgo. O Juventude eliminou o Carlos Barbosa, pela 3ª região. Na 4ª, o Bataclan eliminou o Guarany de Cachoeira do Sul. Pela 5ª região, o representante foi o Guarani de Cruz Alta, que passou pelo 14 de Julho de Passo Fundo. A equipe do Pelotas superou o Gen. Osório de Rio Grande, sendo vencedora da 6ª região. O Bagé disputou pela 7ª Região e venceu o 15 de novembro de Dom Pedrito. Já pela 8ª região, pela Fronteira, o Uruguaiana não disputou por não ter conseguido inscrever seus jogadores. Por fim, na 9ª Região, o vencedor foi o Grêmio Santanense, que superou o Guarani de Alegrete.

A segunda fase foi dividida em Zonas. O Grêmio FBPA foi o campeão da Zona Metropolitana; O Juventude representou a Zona Noroeste; Pela Zona Serra, o vencedor foi o Guarani CA; A representação da Zona Sul coube ao Bagé; E pela Zona Fronteira, o vencedor foi o Grêmio Santanense.

Em virtude de serem 05 zonas, foram feitos dois jogos preliminares, no qual o Juventude venceu a primeira, eliminando o Lajeadense, mas foi eliminado na segunda preliminar pelo Guarani de Cruz Alta. Nas semi-finais, o Bagé venceu o Grêmio Santanense pelo placar de 3 a 1, enquanto o Grêmio FBPA superou o Guarani de Cruz Alta, por 1 tento a 0.

A final ocorreu em 22/11/1925, em jogo único, no Fortim da Baixada. E o Bagé superou o Tricolor, mesmo jogando fora de casa, mostrando a força do interior. Esta força se retrata através da seguinte matéria, feita pelo Jornal bajeense Minuano, por ocasião dos 80 anos do título do Bagé. Segue na íntegra:

imagem

Os 80 anos do grande título
Em 1925, o Grêmio Portoalegrense tinha uma equipe poderosa. Em toda a temporada, havia perdido apenas um jogo, em amistoso em nossa cidade, vencido pelo Bagé, por 1×0.

Na tarde de 22 de novembro de 1925, há exatos 80 anos, entrou em campo, em Porto Alegre, com todas as honras de favorito na decisão do título estadual, contra o Grêmio Esportivo Bagé.
Eurico Lara, Sardinha e Neco; Macarrão, Feio e Zeca; Coró, Coi, Olmério, Luiz Carvalho e Meneghini formavam o supertime gremista.
Mas a garra da Fronteira estava bem presente no Bagé de Júlio, Antônio e Fortunato; Misael Romero, Aníbal Machado e Catulino Moreira; Leonardo, Pasqualito, Oliveira, Páschoa e João.
O jogo estava empatado em um gol (marcaram Oliveira e Feio) quando, a dois minutos do final, Oliveira deu a vitória aos jalde-negros. 2×1, o Bagé era o campeão estadual de 1925 e o primeiro clube a ter escrito seu nome na Copa CBD, que anos depois de ficaria de posse definitiva pelo Grêmio.
Os próprios jogadores daquela época memorável consideravam Pasqualito, um uruguaio de Rivera, como o grande nome do time e um dos maiores atletas do futebol bajeense em todos os tempos.
O presidente do Bagé no histórico título era Florêncio de Lima Py.

Por fim, para falar um pouco do Grêmio Esportivo Bagé, o clube foi fundado em 05/08/1920 através da fusão de dois times locais: o Sport Club 14 de Julho e o Rio Branco. O Bagé herdou o amarelo do 14 de julho e o preto do Rio Branco, formando a tonalidade jalde-negra, ostentada pelo clube até hoje. Desde 1937, o GEB tem escriturado o seu estádio, o Pedra Moura. Com apenas 05 anos de história, o clube já conquistaria um de seus maiores feitos, exatamente o campeonato gaúcho de 1925. Os atletas são considerados os “imortais de 25”.

Outros títulos relevantes para o clube são os citadinos de Bagé, onde existe o clássico Ba-Gua. O GEB se orgulha de ser campeão do centenário da cidade de Bagé em 1959 e, em 2009, em homenagem ao sequiscentenário da cidade, depois de 30 anos sem a competição, sagrou-se o campeão citadino pela 23ª vez, adquirindo a hegemonia do torneio citadino, superando o Guarany (algumas fontes atribuem 26, mas a maioria diz que o Guarany possui 21 títulos citadinos) em pleno estádio Estrela D’Alva.

Além do título de 1925, o Bagé foi vice-campeão em 1927, 1928, 1940 e 1957, mostrando que se trata de um time de tradição, cujo título não foi uma das fatalidades do futebol. Infelizmente, é mais uma força do nosso futebol que está na segunda divisão gaúcha, assim como seu rival Guarany, mas a tradição e história desse clube vai recolocar o clube no seu lugar merecido, que é a elite do futebol do nosso estado.

4 Respostas to “CAMPEONATO GAÚCHO – parte 4 – Bagé, o quarto campeão Gaúcho, após dois anos sem a competição.”

  1. junigol Says:

    Tinha que ter um pouco mais dessa fibra bageense no nosso tricolor da Azenha… Principalmente fora de casa.

  2. mzerbes Says:

    Há tempos o Bagé não figura (e bem) na Série A do Campeonato Gaúcho… uma pena…

  3. George Says:

    Bela postagem!
    Como torcedor jalde-negro espero que tuas palavras ao final do texto se concretizem. A luta é árdua, mas avante jalde-negro!

    • gustavo (guasca de bom jesus) Says:

      Obrigado,amigo. Sou torcedor do Grêmio, mas antes de tudo, sou do interior. Por isso, me engajo na torcida para que os grandes clubes do interior, como o Bagé, voltem à elite do gauchão.

      Continue participando do nosso blog

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: