NA CARA DO GOL

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OS IRMÃOS PONTES

O futebol gaúcho, principalmente no interior é reconhecido por sua virilidade. Não há espaço para virtuoses da bola em um ambiente em que gramados esburacados, maltratados e enlameados predominam. Os jogos muitas vezes são decididos através da disposição e agressividade dos jogadores, o que torna o jogo digamos “insalubre” para atletas mais leves.

Entre as décadas de 60 e 70 apesar do domínio da dupla Grenal, que ganhava praticamente todos os jogos no interior havia um local que era temido pelos jogadores gaúchos: Passo Fundo. Especialmente ná área do Gaúcho de Passo Fundo, havia uma estirpe de zagueiros que inspirava grande temor nos atacantes adversários: Os irmãos Pontes.

Bibiano Pontes, o caçula, foi o que obteve mais destaque em nível nacional. Iniciou no Gaúcho e depois jogou no Inter de 1965 até 1975, sendo titular do escrete colorado no início da era Beira-Rio. Jogava duro, e tinha boa técnica. Os outros irmãos: João e Daison jogaram muitos anos juntos no Gaúcho formando uma dupla de zaga famosa e temida. Até disputar coletivo com eles era perigoso.

João era do tipo tosco. Jogava sem firulas e era viril ao extremo. Foi expulso diversas vezes (12 vezes) e até por doping foi punido. Mas foi Daison, o mais velho, quem marcou época. Era considerado um zagueiro de boa técnica e virtualmente insuperável nas bolas altas. Foguinho chegou a compara-lo com Calvet, multicampeão pelo Grêmio e o Santos de Pelé. Mas tinha um grave defeito: era extremamente violento e muito irascível. É considerado pela CBF o jogador com o maior número de expulsões até hoje (total de 18), foi afastado também por doping e realizou a façanha de ser o primeiro jogador do Brasil a ser suspenso por agredir um árbitro. (Em 1974 agrediu José Luiz Barreto num jogo contra o Inter de Santa Maria com um soco e um pontapé, sendo suspenso po 18 meses. Recebeu anistia e cumpriu apenas 12).

Daison era fanfarrão. Tinha uma cara de mau e não admitia desrespeito: Leia-se um olhar atravessado, um sorriso debochado, firulas e como o atacante gremista Nestor Scotta descobriu, cusparadas. Acabou levando uma joelhada por trás que o levou a sair de campo. Foi contratado pelo Flamengo do Rio mas ficou apenas 3 meses por lá pois foi afastado pelo técnico Flávio Costa. Motivo: num coletivo, acertou Airton Beleza em cheio, atirando-o na grade, fora do campo.

Daison tinha duas frases célebres: Dizia que na sua área só entrava quem era convidado, e que para um time ser campeão gaúcho teria que ser capaz de entrar na área do Gaúcho de Passo Fundo. Outra história célebre era que o pai dos irmãos Pontes via os jogos do Gaúcho sentado em cima do muro do estádio Wolmar Salton, e que quando o juíz marcava um pênalti contra seu time ele sacava o revolver, assim convencendo o juíz e “reconsiderar” a marcação.

daison_pontes[1] Daison Pontes

É… literalmente como se diz por esses pagos, eles eram “faca na bota”.

” Tirando Mulher, a gente deve recomendar tudo que experimentou e gostou” – Stanislaw Ponte Preta.

Abraços a todos.

9 Respostas to “NA CARA DO GOL”

  1. Gustavo Says:

    que matéria, Junior! cairia em cheio na coluna de quarta, o Pitaco do Guasca!!

  2. RodriNIGHT Says:

    Primeiramente a matéria é de excelente apreço. Parabéns Junique.

    Os irmãos Pontes eram da época em que não existiam câmeras para flagrar as “artimanhas” futebolísticas… ou seja, para afastar os atacantes valia dedo no olho, cusparada, cotovelada e dedo no cú (a moda Gil… peço escusas às mulheres pelo termo chulo, mas era assim pô). Reza a lenda que quem sofria a pontada ficava paralisado (fisicamente e mentalmente) enquanto o defensor tomava a frente na jogada.

    Digo isso para motivar uma reflexão aos colegas que pensam que era mais fácil jogar futebol nos tempos antigos…

    Abraços

  3. mzerbes Says:

    Muito bom, Júnior! Muito interessante. Desconhecia a história dos Irmãos Pontes. Me lembra até um tio que tenho por parte de pai, que mais parece nadador do que atleta de futsal. Isso porque, ele VIVE desferindo carrinhos em cada jogador que se atreve a tentar dribá-lo. Ou seja: ao invés de jogar de pé, como exige o futsal, ele vive jogando no chão…hehe

    Apenas fazendo um contraponto com meu amigo Rodrigol, o futebol de antes é INCOMPARÁVEL com o futebol atual. É uma comparação, a meu ver, impossível, haja vista que se tratam de épocas totalmente diferentes. O futebol vem evoluindo desde que Judas resolveu chutar uma melancia da quitanda de um idoso vendedor de frutas em Jerusalém. É como comparar os ridículos “biquinis cuecões” dos anos 60 com os belíssimos “biquinis cavadinhos” dos anos 2000 (que mostram tudo, mas escondem o essencial).

    No futebol de antigamente, havia muito mais jogadores toscos e violentos – razão pela qual Puskas, Pelé, Tostão, Eusébio, Cruiff e outros foram tão notáveis. Com a evolução da lei, do esporte, da tecnologia, do ser humano e da sociedade como um todo, mais jogadores passaram a se notabilizar pela desenvoltura técnica (tanto que o conceito de “craque” anda banalizado pela mídia). Cristiano Ronaldo, o atual melhor do mundo, é uma prova disso: ele foi um jogador que recebeu todo o acompanhamento necessário, desde criança, para desenvolver com afinco todo o seu talento. Antigamente, isso JAMAIS seria possível. Só vingavam aqueles que se superavam (em todos os sentidos).

    Aguardem um futuro post sobre o conceito de “craque”, no qual colocarei alguns pontos em discussão para deliberarmos acerca deste mister.

    Tchüss, fussballteigers!!

  4. RodriNIGHT Says:

    Zerbes, concordo que a comparação é dificílima, e que a evolução é flagrante (nem precisamos adentrar à questão técnica, neste caso a aptidão física atual por si só favorece o esporte moderno).

    Apenas coloquei a questão, pois ouço muita gente hoje em dia dizer que o futebol antigo era mais fácil de ser jogado, principalmente pelo maior espaço que os atletas dispunham em campo. Pode-se dizer que, em comparação com os tempos passados, o futebol hoje é um outro esporte.

  5. junigol Says:

    Zerbes… por acaso esse teu tio não se chama JUNIQUE? kkkk
    Sensacional o trecho do comentário do Rodrigol:” … ficava paralisado fisica e mentalmente.” Cada dia com comentários mais consistentes. Vai ser uma sombra pro David Coimbra hehehe.
    Bartt a inspiração foi a tua coluna de quarta. Quando as idéias ficam escassas é bom olhar para o lado e beber da fonte.

  6. Gustavo Says:

    ahahahahahaha… o comentário do Rodrinight foi hilário… zagueiro plugador!

    Reza a lenda que acontece a mesma paralisia com vacas e ovelhas…

    E ainda bem que eu sou zagueiro! dos males o menor! hehehe

  7. mzerbes Says:

    Tchê, esse blog é uma vaselina só…hahahahhaha…curto muito tudo isso!

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