NA CARA DO GOL

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” EU QUERO O CARBONE”

A década de 60 foi pintada de azul,preto e branco no Rio Grande do Sul.  De 1962 até o ano de 1968 o Grêmio conseguiu a façanha de tornar-se heptacampeão. Possuia um time melhor e um estádio maior, o que tornava a vida dos torcedores e dirigentes colorados um suplício. Mas com a construção do Gigante da Beira-Rio e o surgimento de uma geração de jovens e habilidosos jogadores ( Claudiomiro, Bráulio e Dorinho)  a diretora colorada resolveu pensar grande e montar um time capaz de quebrar a hegemonia tricolor.

O presidente da época, Carlos Stechmann e a comissão técnica concluiram que ainda faltava um centromédio para completar a equipe. Foi então que o presidente chamou o treinador Daltro Menezes para uma conversa:

– Trocamos uma casinha por uma mansão e queremos um time digno dela. Pode pedir o centromédio que tu quiser. Qualquer um em qualquer parte do Brasil. Dinheiro não é problema.

Stechmann colocou um acento de satisfação na última frase. Pronunciou-a sorridentemente. Os demais diretores também estavam sorridentes. Todos preparados para ver o espanto e a admiração iluminarem o rosto agradecido do treinador. O pedido de Daltro, porém, fez os sorrisos dos dirigentes se desmancharem como de uma boneca de plástico atirada ao fogo:

– Eu quero o Carbone.

Um breve silêncio. Os dirigentes se entreolharam apalermados. Stechmann falou:

– Carbone? Quem é o Carbone?

– É um cara que era o quarto reserva no São Paulo. Está emprestado ao Metropol de Criciuma.

Os dirigentes continuavam se olhando, mudos. Mais uma vez foi Stechmann quem falou. Aliás, balbuciou:

– Nós estavamos pensando no Wilson Piazza do Cruzeiro de Minas…

– O Carbone é melhor. – Daltro parecia decidido.

Os dirigentes ficaram ainda mais confusos. Piazza era uma das estrelas do Cruzeiro. Junto com Zé Carlos, Dirceu Lopes e Tostão formava um meio de campo de futebol refinado e acadêmico. ( Piazza seria campeão da copa do mundo de 70 pela seleção brasileira junto com Tostão)

-Vamos fazer o seguinte: – Te damos os dois, o Carbone e o Piazza – contra-argumentou Stechmann.

– Aí eu não vou ter tranquilidade para botar o Carbone no time. Olha, eu não gosto da forma como o Piazza se movimenta ali no meio. Prefiro o Carbone.

Carbone acabou sendo contratado. No final do ano de 1969 foi considerado o melhor jogador do campeonato Gaúcho, o qual foi vencido pelo Inter. Daltro Menezes justificou a fama de descobridor e formador de jogadores.

Moral da história: Eu espero que o Renato Cajá seja o Carbone do Grêmio.

Trecho extraído do livro ” A História dos Grenais”, dos autores Nico Noronha e David Coimbra.

” Existem três frases curtas que levarão sua vida adiante: ‘ Não diga que fui eu’, ‘Oh, boa idéia ,chefe’ e ‘Já estava assim quando cheguei’ (Homer Simpson)

Abraços a todos.

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Uma resposta to “NA CARA DO GOL”

  1. mzerbes Says:

    Mas ahhhhhhhhhhhh…praticamente um “enciclopédia man” esse Junique! Muito irada a história! E o melhor: VERÍDICA. Daltro Menezes já foi até nome de torneio da Federação Gaúcha de Futebol…

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