NA CARA DO GOL

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TRÊS É DEMAIS

Certa vez, o ex- piloto de fórmula 1 e tricampeão mundial da categoria Nelson Piquet proferiu a seguinte frase a respeito de vitórias e derrotas:

” O segundo é o primeiro dos últimos.”

Em relação aos esportes é uma frase polêmica, pois ela é diametralmente oposta ao lema Olímpico do Barão de Coubertain que disse que o importante era competir ( idealmente os atletas participariam de competições visando a confraternização e deixando a busca por vitórias em segundo plano) . Eu, pessoalmente, não concordo com esta frase, mas é claro que se levarmos em conta que os esportes certamente não deixam de ser metáforas da vida, e nela existem vencedores e perdedores. A história normalmente celebra os campeões e esquece os derrotados, mas em certos casos algumas trajetórias foram tão singulares que, mesmo que os seus protagonistas  não tenham alcançado a vitória, são impossíveis de serem esquecidas.

Falo do América de Cáli, um dos clubes mais tradicionais da América do Sul. Nos anos 80 possuíam um time invejável, que era a base da seleção colombiana ( a qual começava a se destacar no cenário internacional) tendo conquistado um pentacampeonato nacional consecutivo( 1982 a 1986), o único até hoje. Mas o fato que realmente marcou aquela década foi o incrível tri vice-campeonato consecutivo da Libertadores (1985-86-87), algo até hoje inédito em competições continentais.

Após ter alcançado duas semifinais de Libertadores (1980 e 1983) o América atingiu sua primira final em 1985. o adversário era a equipe dos Argentinos Juniors. O América perdeu o primeiro jogo na Argentina por 1×0, mas devolveu o placar no jogo de volta. Não havia decisão por saldo de gols então foi necessário um terceiro jogo, realizado em Assunção e que terminou empatado por 1×1. Na decisão por pênaltis, após todas as cobranças terem sido convertidas pelos argentinos e faltando apenas uma para os colombianos, o artilheiro Anthony de Ávila, ídolo do América errou a sua, fazendo a festa dos porteños.

Em 1986, mais uma final contra argentinos. Desta vez o adversário era um time bem mais tradicional, o River Plate. Os argentinos não deram chance e venceram os dois jogos ( 2×1 em Cáli e 1×0 em Buenos Aires) deixando os colombianos mais uma vez na fila.

Em 1987, o América atingiu a sua terceira final consecutiva. A campanha foi muito boa e a equipe possuia o artilheiro da competição, Gareca, com 7 gols e o melhor ataque. Mas o adversário era nada mais nada menos que o copeiro Peñarol, até então tetracampeão da competição.

Os uruguaios tinham a melhor campanha, então o primeiro jogo foi em Cáli. Grande atuação da equipe colombiana e uma vitória de 2×0 deixaram o título próximo. Mas jogar em Montevidéu no Centenário lotado é uma tarefa duríssima. O América ainda assim saiu ganhando por 1×0, mas cedeu o empate e a virada, sofrendo o gol aos 42 minutos do segundo tempo, levando a final mais uma vez para o jogo desempate.

O terceiro jogo foi em Santiago do Chile. Se houvesse empate no tempo normal e na prorrogação o América seria o campeão pois fez um gol a mais nos dois jogos iniciais. Por isso a postura da equipe foi defensiva. No tempo normal houve empate. Primeiro tempo da prorrogação: novo empate.  Ao Peñarol então só restava atirar-se ao ataque com aquela dose de raça e vontade que só os platinos possuem e faltando APENAS MÍSEROS 15 SEGUNDOS PARA O FIM DO SEGUNDO TEMPO DA PRORROGAÇÃO o centroavante Diego Aguirre entra a dribles na área colombiana e faz o impossível acontecer… GOL DO PEÑAROL.

Os torcedores do América não acreditam no que acontece. O título literalmente é retirado das mãos colombianas e passa para as uruguaias. Tudo isto faltando apenas 15 segundos para o final do campeonato.  As imagens do jogo não são boas, mas o que impressiona são as narrações do gol de Diego, feitas por radios colombianas e uruguaias, mostrando que a diferença entre perder e ganhar por um detalhe é tão sumáriamente cruel que a dor dos derrotados parece ser insuportável, tornando a máxima de Piquet naquele momento uma verdade inatacável.

A música “A Poderosa” do conjunto de pagode Raça Negra para mim reflete exatamente o que os torcedores do América sentiram:

” Vou nadar e morrer/ Na beira da praia/ Se não tiver você/ Se não tiver você/ O meu coração chora/ A falta de você/ O meu coração chora/ A falta de você…

” Existem três jeitos de se fazerem as coisas: o jeito certo, o jeito errado e o meu jeito.” ( James Bond)

Abraços a todos!

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3 Respostas to “NA CARA DO GOL”

  1. mzerbes Says:

    Bah, nem eu me lembrava dessa. Deu pena dos colombianos. Cheguei esquecer a raiva que eu tinha de Bermudez e cia. por terem derrotado o Grêmio na semifinal da Copa Libertadores 1996. Deprimente.

    Agora esse pagodinho aí…bah…que nojento! (hehe)

    “Tem coisas…que só o Junique faz pra você”.

  2. Gustavo Says:

    O que é que eu to fazendo aqui, no meio dessas enciclopédias do futebol?

  3. Roberto Junior Says:

    Zerbes, eu sabia que tu ia falar do pagode… postei em tua homenagem.
    Bartt meu amigo, tô tentando acompanhar vocês colunistas… o nível tá alto… nem consigo mais sair no sabado de noite, fico na “concentração” escrevendo a coluna hehehe.

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