A Vingança de Sabella

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"La Brujita" Verón levanta a taça da Libertadores da América 2009 repetindo o feito de seu pai pelo mesmo clube, conhecido como "La Bruja". FONTE: Agência EFE

"La Brujita" Verón levanta a taça da Libertadores da América 2009 repetindo o feito de seu pai pelo mesmo clube, conhecido como "La Bruja". FONTE: Agência EFE

O placar foi aberto pelo Cruzeiro no Mineirão na noite desta quarta, na final da Copa Libertadores, mas o título da competição acabou indo para o Estudiantes. Depois do gol de Henrique, Fernández e Boseli viraram para os argentinos, decretando o 2 a 1 e garantindo a conquista continental pela quarta vez. Na primeira partida, em La Plata, o Cruzeiro havia conseguido segurar um empate em 0 a 0. Os cruzeirenses não conseguiram acabar com uma sina recente do futebol brasileiro, derrotado nas últimas seis vezes em que encontrou um time estrangeiro na final. A sequência começou com o Palmeiras, que perdeu para o Boca Juniors em 2000. Depois, fracassaram o São Caetano (contra o Olimpia em 2002), o Santos e o Grêmio (ambos contra o Boca, em 2003 e 2007) e o Fluminense (contra a LDU, no ano passado). Campeão em 1976 e 1997, o Cruzeiro já havia sido derrotado na decisão de 1977 pelo Boca. Já o tetracampeão Estudiantes, que havia levado o caneco em 1968, 1969 e 1970, representará a América do Sul no Mundial de Clubes, que será disputado de 9 a 19 de dezembro nos Emirados Árabes. O seu principal concorrente será o Barcelona. O primeiro tempo apresentou um Cruzeiro nervoso e fugindo de suas características de toque de bola e movimentação constante dos jogadores do sistema ofensivo. Nos primeiros minutos, cada lado parecia querer se impor fisicamente. Verón aproveitou a primeira oportunidade e deixou o braço no rosto de Ramires, revidando o lance de La Plata. O meia cruzeirense, pouco tempo depois, acertou um leve bico na canela de Fernández dentro da área. A primeira boa chance veio aos 18 minutos, quando Ramires ganhou uma dividida erguendo o pé, mas errou o passe para Wellington Paulista, livre na área. O Estudiantes, fechado na defesa, dava pouco espaço. E Cruzeiro contribuía para o sucesso da retranca ao não avançar seus laterais e insistir em bolas longas. Durante alguns minutos, na metade do primeiro tempo, os cruzeirenses até deram a impressão de que conseguiriam se impor. Foram três boas jogadas. Pelo meio, Wagner deu passe para Wellington Paulista, mas Andújar saiu a tempo. Pela direita, Jonathan recebeu passe de Marquinhos Paraná e cruzou para fraca cabeçara de Ramires. E, pela esquerda, Kléber fez boa jogada e quase encontrou Wagner na pequena área. O Estudiantes encaixou contra-ataques perigosos. Não fossem uma furada de Boselli e desarmes providenciais de Wagner e Gérson Magrão, o Cruzeiro teria ido para o vestiário em desvantagem no placar.

Na volta para o segundo tempo, o técnico Adilson Batista comentou que seu time precisava tocar mais a bola, invertendo jogadas com mais rapidez, mas ao mesmo tempo se preocupar com a movimentação do adversário nos contra-ataques. Logo aos seis minutos, a torcida no Mineirão vibrou. E graças a uma jogada que o Cruzeiro não havia explorado até então: em uma conclusão de longe. Henrique se deslocou, recebeu passe de Marquinhos Paraná e chutou. A bola desviou em Desábato e fugiu do alcance de Andújar: 1 a 0. Os cruzeirenses ensaiaram um estilo de jogo de maior paciência, tocando a bola na intermediária de um lado para o outro. Mas a vantagem no placar durou apenas seis minutos. Num descuido da defesa, Cellay recebeu passe pela direita e cruzou à meia altura. Jonathan não alcançou, Fábio saiu em falso, e Fernández – dentro da pequena área – completou para a rede, empatando a partida. O gol de empate devolveu o nervosismo ao Cruzeiro e fez cair o desempenho de alguns de seus jogadores. Ramires, que já não havia feito um bom primeiro tempo, desapareceu. Wagner, que sentiu uma lesão no tornozelo no início da partida, já não conseguia ajudar na articulação de jogadas e foi substituído por Athirson. Aproveitando falhas na marcação, o Estudiantes passou a chegar com alguma facilidade à intermediária no ataque. Aos 23 minutos, Boselli recebeu passe, girou e chutou para defesa tranquila de Fábio. Quatro minutos depois, o atacante levou a melhor sobre o goleirão do Cruzeiro. Subiu sozinho na área, após cobrança de escanteio de verón, e cabeceou no canto: 2 a 1. Com o gol, Boselli chegou a oito e se isolou na artilharia da Libertadores. O Cruzeiro ainda tentou pressionar o adversário e quase chegou ao empate três vezes a partir dos 40 minutos. Na primeira, Thiago Ribeiro aproveitou o rebote em uma cobrança de escanteio e soltou uma bomba, acertando o travessão. Na segunda, livre na área, o atacante chutou mal, por cima do gol.

Ficha técnica:

CRUZEIRO 1 x 2 ESTUDIANTES
Fábio, Jonathan, Leonardo Silva, Thiago Heleno e Gerson Magrão; Henrique, Marquinhos Paraná, Ramires e Wagner (Athirson); Kléber e Wellington Paulista (Thiago Ribeiro). Andújar, Cellay, Desábato, Schiavi e Germán Ré; Braña (Sánchez), Verón, Enzo Pérez e Benítez (Juan Manuel Díaz); Gastón Fernández (Calderón) e Boselli.
Técnico: Adilson Batista. Técnico: Alejandro Sabella.
Gols: Henrique, aos seis, Fernández, aos 12, e Boselli, aos 27 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Kléber (Cruzeiro); Verón, Braña, Cellay, Sánchez (Estudiantes).
Estádio: Mineirão, em Belo Horizonte (MG) Data: 15/07/2009. Árbitro: Carlos Chandía (CHI). Auxiliares: Patrício Basualto (CHI) e Francisco Mondría (CHI).

Ramires merecia ter sido expulso. Abusou da violência o jogo inteiro e esqueceu de jogar futebol. O Estudiantes de La Plata/ARG soube explorar a maior fraqueza do time mineiro – algo que eu pedi pelo amor de Deus para que o meu Grêmio fizesse, mas foi incompetente para fazê-lo nas semifinais da Libertadores: destacar um ponteiro para jogar fixo às costas do meia Gerson Magrão, improvisado na lateral-esquerda. “Gata” Fernandez caiu o jogo inteiro pelo lado de Gerson Magrão, e deu certo. Os dois gols dos argentinos foram originados por jogadas feitas às costas de Gerson Magrão, sempre mal posicionado. O Cruzeiro-MG não tinha cara de campeão, e não poderia ser campeão com toda aquela “pompa”, com toda aquela falta de humildade demonstrada desde as semifinais. Kléber dizendo que “sonhou com os seus companheiros levantando a taça da Libertadores da América”. Wagner falando que “seria maravilhoso enfrentar o Manchester United/ING na final do Mundial”. Por favor!!!!! Esta foi “A Vingança de Sabella”. Sabella era zagueiro do River Plater/ARG quando o Cruzeiro-MG de Joãozinho venceu a primeira Libertadores em 1976. Agora ele é o treinador do Estudiantes de La Plata/ARG, e deu o troco. Os mineiros, como sempre esnobes, diziam aos quatro cantos do planeta que não tomariam conhecimento (mais vez) de Sabella e que ele ficaria conhecido por ser “freguês” do Cruzeiro-MG. Pois aí está a prova, Senhoras e Senhores! Os guerreiros de La Plata passaram a máquina por cima do mineiros, e para o bem do futebol. Estou orgulhoso do meu time na Argentina…

Tchüss!!

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2 Respostas to “A Vingança de Sabella”

  1. Roberto Ortiz Alves Juinor Says:

    Sem querer ser infame, mas sendo (não há como evitar kkk) a mosca azul mordeu o Cruzeiro. Perdeu pelo clima de “ja ganhou”, pela inexperiência de seus jovens jogadores e principalmente pelo descontrole emocional de toda a equipe. Ramires não entrou em campo e Kleber fez o que sempre faz: agredir o adversário. Só que seu futebol também não deu as caras.
    Ganhou que jogou mais e provocou mais. Libertadores é para quem tem fibra e bola.
    Os Verón (pai e filho) para sempre serão os reis de La Plata!!!

  2. Gustavo Says:

    única ressalva eu faço para o Adílson, Capitão América, que é um grande cara e merecia, do ponto de vista pessoal, mais esse título.

    Mas o Cruzeiro foi prepotente e repugnante desde o segundo jogo das quartas contra o São Paulo, com frases do tipo “Rumo a Dubai”…

    Não vi o jogo, mas pelos relatos do Zerbes, o Ramires bateu o jogo inteiro. Outra lição, pois ao final do segundo jogo contra o Grêmio, ele foi o único a dar entrevista dizendo que o adversário foi violento e que não soube perder. É, amigo…

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