CSA de Alagoas: a Nova Sensação da Copa do Brasil

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Nesta quarta-feira, dia 22 de Abril de 2009, foi praticamente encerrada a segunda fase da Copa do Brasil (faltando apenas Atlético/MG x Guaratinguetá/SP e Náutico/PE x Criciúma/SC). Como sempre ocorre nesse torneio, as chamadas “zebras” mostraram a sua cara. Ponte Preta/SP e Figueirense/SC empataram em 0 a 0 na cidade de Campinas/SP, classificando os paulistas pelo saldo qualificado (jogo de ida em Santa Catarina tinha sido 2 a 2); o Atlético/PR venceu o ABC/RN por 3 a 1 e se classificou também (jogo de ida em Natal tinha sido empate em 2 a 2); o Internacional/RS atropelou o fraco Guarani/SP – rebaixado à Terceira Divisão Nacional e à Segunda Divisão Paulista – por 5 a 0 (o jogo de ida já havia sido vencido pelos gaúchos por 2 a 1); Paraná/PR e Fortaleza/CE empataram em 1 a 1 na cidade de Curitiba/PR, classificando o time cearense (no Estádio Castelão o Fortaleza havia vencido por 2 a 1); e o Fluminense/RJ goleou o Asa Marabá/PA por 3 a 0 e se classificou com grande atuação do até então desconhecido, Maicon (jogo de ida vencido por 2 a 1 pelos paraenses). Até aí tudo bem. Ocorre que dois times vêm emergindo como as “surpresas” da Copa do Brasil de 2009: Icasa/CE (que na primeira fase surpreendeu ao eliminar a Portuguesa/SP nos pênaltis em pleno Estádio Canindé, após dois empates em 1 a 1; e agora na segunda fase eliminou o Confiança/SE com empate em 0 a 0 em casa e 2 a 1 fora) e principalmente CSA/AL (que na primeira fase havia eliminado o Serra/ES com 3 a 1 em casa e 3 a 2 fora, e nesta segunda fase surpreendeu o Brasil ao eliminar o Santos/SP com um empate de 0 a 0 em Alagoas e 1 a 0 em pleno Estádio da Vila Belmiro).

CSA/AL fazendo história na Copa do Brasil.

CSA/AL fazendo história na Copa do Brasil.

Falando mais especificamente do time alagoano, podemos afirmar que o time joga num corriqueiro 4-4-2, inequivocamente, o esquema mais adotado em termos de Brasil. Tive a oportunidade de assistir ao jogo entre Santos/SP e CSA/AL nesta quarta-feira, e fui agraciado com um belo trabalho tático proporcionado pelo treinador do CSA/AL, o Senhor Gilmar Batista. Desconheço a maneira como vem jogando o time no Campeonato Regional de Alagoas, mas se mantiver tal postura esquemática, cumprindo todos os requisitos basilares de um time que busca a vitória sem correr maiores riscos, dentro das suas limitações técnicas (nota: a folha salarial do clube é de R$ 150 mil) tal como foi demonstrado na partida de ontem, posso aduzir sem medo de incorrer em erro, que o CSA/AL tem boas chances de eliminar o seu próximo adversário (o Vasco da Gama/RJ, que aliás, tem um time tecnicamente inferior ao Santos/SP e não vive um grande momento). Os destaques do time são o bom e “milagreiro” goleiro Jéfferson (de ótima atuação nesse jogo ante o Santos/SP), o meia-atacante Fábio Lopes e o centroavante Júnior Amorim, autor dom gol da eliminação santista, que já rodou por muitos clubes no Brasil. Marciano, ex-lateral do Grêmio, trazido pelo treinador da época (Cuca), é o atual titular da lateral-esquerda do time alagoano. A escalação oficial do CSA/AL é a seguinte: Jéfferson; Juninho Caiçara, Carlos Diogo, Fábio Lima e Marciano; Anderson, Jean, Magno e Camilo; Fábio Lopes e Júnior Amorim. Cabe enfatizar que a defesa baixa o porrete doa a quem doer.

Trata-se do clube alagoano com mais títulos regionais, sendo seu maior rival o CRB, também de Maceió/AL. Para aqueles que não sabem, CSA quer dizer Centro Sportivo Alagoano. Clube fundado em 07 de Setembro de 1913 na Sociedade Perseverança e Auxiliar dos Empregados no Comércio, quando um grupo de desportistas, liderado por Jonas Oliveira, se reuniu com o objetivo de criar a agremiação, o CSA é o autor da maior goleada da história do Futebol Alagoano, estando entre uma das maiores do Brasil (22 a 0 ante o Esporte, em jogo válido pelo Campeonato Alagoano de 1944). No dia 10 de Setembro de 1952, aconteceu o chamado “Jogo do Xaxado”. Xaxado é  o nome de um ritmo musical do nordeste brasileiro e, na época, era a música do momento das paradas de sucesso. Todo o Brasil dançava o xaxado com o mestre Luiz Gozaga. O CSA venceu seu mais tradicional adversário pelo placar de 4 a 0, com dois gols de Edgar e outros dois gols de autoria de Dengoso. A grande atuação da equipe fez a torcida azulina bater palmas e gritar, ritmicamente, a palavra “xaxado”. Curiosamente, o CSA aplicou a goleada justamente no dia do aniversário do rival. A partida foi celebrada no Estádio Pajuçara e apitado pelo juiz Waldomiro Brêda, tendo os times as seguintes escalações: CSA = Almir, Bem e Arestides, Oscarzinho, Zanélio e Neu, Napoleão (Ié), Biu Cabecinha, Dida, Dengoso e Edgar (Bemvindo). CRB = Levino (Luiz), Helio Ramires (Ferrari) e Miguel Rosas, Netinho, Castanha e Moura, Sansão, Arroxelas (Santa Rita), Dario, Mourão (Zé Cicero) e Zeca. Logo abaixo, seguem as campanhas do CSA/AL em termos de Campeonatos Nacionais, em material obtido no site Wikipedia (www.wikipedia.com):

Desempenho em competições

 

Campeonato Brasileiro

Bandeira do Brasil Campeonato Brasileiro
Ano   1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979
Pos.   40º 35º 40º 47º 53º 25º
Ano 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989
Pos. 13º 36º 36º 16º 25º MA
Ano 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999
Pos.
Ano 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009
Pos.

 

  • MA:Módulo Amarelo

 

Campeonato Brasileiro – Série B

Ano Posição Ano Posição
1972 1987 15º
1980 1991 15º
1982 1992 20º
1983 2000 24º

 

Campeonato Brasileiro – Série C

Ano Posição Ano Posição
1994 ? 1999 23º
1995 ? 2001 42º
1996 ? 2002 14º
1997 ? 2003 54º
1998 42º 2008 57º

 

Copa do Brasil

Ano Posição Ano Posição
1989 26º 1999 61º
1991 17º 2000 65º
1992 2001 33°
1995 31º 2002
1997 41º 2007 47º
1998 42º 2009 ?

Agora vem a melhor parte da história do CSA/AL. O ano de 1999 foi histórico e inédito para o futebol alagoano. Pela primeira vez, um clube de Alagoas participava de uma competição internacional: a Copa Conmebol. O regulamento da competição sul-americana naquele ano previa que os representantes brasileiros seriam os campeões de cada competição regional. Como os finalistas da Copa do Nordeste, Vitória/BA e Bahia/BA (campeão e vice, respectivamente), desistiram de participar do torneio, a vaga seria destinada então ao 3º colocado do regional, o Sport Recife/PE. Porém, este também recusou o convite, o que levou o CSA/AL a ficar com a vaga, já que havia chegado às semifinais da Copa do Nordeste de 1999. Na estréia, dia 13 de Outubro, o CSA/AL enfrentou no Estádio Rei Pelé o também brasileiro Vila Nova/GO. A equipe venceu por 2 x 0, com dez jogadores em campo (o lateral Souza havia sido expulso no primeiro tempo), gols de Missinho e Mazinho. Na partida do dia 20, o Vila Nova/GO delvolveu o placar de 2 a 0, porém o CSA/AL venceu na cobrança de pênaltis por 4 x 3 e avançou à fase seguinte. Pela primeira vez em sua história, o CSA/AL faria uma viagem internacional. O adversário seguinte foi o venezuelano Estudiantes de Mérida/VEN. Entretanto, a diretoria do clube foi surpreendida ao descobrir que a maioria dos seus jogadores não possuía passaporte. Após resolver o problema, a delegação embarcou no ônibus rumo à Mérida, escoltado por dois batedores. No confronto na Venezuela, em 3 de Novembro, um empate sem gols. Em Maceió/AL, dia 9, o CSA/AL derrotou o adversário por 3 x 1. Durante a partida, o árbitro paraguaio Bonifácio Nuñez expulsou seis jogadores, sendo quatro do Estudiantes/VEN e dois do CSA/AL. Mimi abriu o placar logo aos 4 minutos de jogo, cobrando pênalti. O time venezuelano empataria aos 23 minutos, através de Ruberth Morán, também convertendo a penalidade. Pouco tempo depois, Márcio Pereira fez outro gol para  o CSA, em cobrança de falta. A bola ainda desviou no zagueiro Gavidia, do Estudiantes/VEN, antes de entrar. Márcio Pereira faria mais um, classificando a equipe à fase seguinte. Na semifinal, outro clube brasileiro no caminho do CSA/AL: o São Raimundo/AM. Em Manaus, derrota azulina por 1×0, dia 17 de Novembro. A partida de volta foi dramática. No dia 24 de Novembro, jogando em casa, o CSA/AL abriu o marcador aos 14 do primeiro tempo, com um gol de Fábio Magrão. Para desespero dos cerca de 28 mil torcedores que lotavam o Estádio Rei Pelé, o São Raimundo/AM igualou o placar aos 20 minutos, em falha da defesa do CSA/AL, que Marcelo Araxá soube bem aproveitar. O resultado eliminava o Azulão. O CSA ainda empatou no último minuto de jogo, após uma falha do goleiro do São Raimundo/AM, que deixou a bola escapar. O zagueiro Givago empurrou-a para as redes e garantiu que a decisão fosse para os pênaltis. O CSA levou a melhor na cobrança de pênaltis, alcançando outro feito inédito. Nenhum outro clube do Nordeste havia conseguido estar em uma decisão de competição sul-americana. A decisão seria contra o Talleres de Córdoba/ARG, que fazia boa campanha no Campeonato Argentino daquele ano. Na primeira partida da final, dia 1º de dezembro, o CSA surpreendeu e aplicou 4 x 2 no adversário, ficando muito perto da conquista. Missinho marcou 3 gols para o CSA, Fabio Magrão marcou outro, enquanto que Aguilar e Astudillo descontaram para o Talleres/ARG. Na Argentina, o CSA sentiu a catimba do adversário logo no desembarque na cidade de Córdoba. Os dirigentes do CSA foram abordados por representantes do Talleres/ARG, que afirmavam ter interesse no lateral-esquerdo Williams e em outros jogadores do clube. Também não foi permitido ao CSA treinar no Estádio Olímpico de Córdoba. Eram demonstrações claras da guerra que o clube alagoano enfrentaria na grande decisão do dia 8 de Dezembro. Com apenas quatro minutos de jogo, o CSA já estava com dez em campo. O juiz paraguaio Ricardo Grance expulsou Fábio Magrão por reclamação. O CSA sentiu-se intimidado com a pressão feita pelos argentinos e o técnico Otávio Oliveira recuou o time todo. A modificação no esquema tático do time não obteve êxito: aos 39 minutos, Ricardo Silva abriu o placar para o Talleres/ARG. No segundo tempo, Gigena ampliou. E como que dando um tiro de misericórdia, Maidana de cabeça fez 3 x 0. No resultado agregado, o Talleres/ARG ficou com o título. Terminava assim o sonho do CSA de se tornar a primeira equipe do Nordeste brasileiro a conquistar uma competição internacional.

Tchüss!!

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