Arquivo da categoria ‘"Na Cara do Gol"’

NA CARA DO GOL

Dezembro 1, 2009

ENCOMENDA A FAIXA, MENGÃO!!!

Quem diria que o Brasileirão 2009 terminaria assim? Flamengo assumindo a ponta na ultima rodada e Palmeiras, São Paulo e pasmem… o Internacional dependendo do Grêmio para aspirarem o título. O jogo mais importante deste final do campeonato será no Maracanã, entre dois campeões mundiais, mas com só um deles plenamente motivado. O Flamengo em busca do Hexa e o Grêmio, bem, o Grêmio está no centro de uma polêmica que ultrapassa os limites do Mampituba.

O título do Flamengo só não se confirmará se ele perder pontos contra o Grêmio. São Paulo e o Inter provavelmente venceríam os seus jogos contra Sopr e Santo André respectivamente e disputaríam o título nos critérios de desempate, com vantagem para os colorados. Só isso justifica a aflição do Internacional, pois literalmente ele depende do seu centenário rival para ser campeão. A torcida tricolor está se divertindo com a situação, pois vê as cenas insólitas dos  colorados tendo que torcer para o Grêmio, violentando-se ao extremo. Os dirigentes tricolores tem a intenção de colocarem reservas e darem férias para os titulares com a justificativa de que a equipe não tem mais pretensões no campeonato. Isso está deixando os dirigentes colorados a beira de um ataque de nervos.

Só que no ano passado os mesmos dirigentes não tiveram pudores de colocar um time quase reserva contra o São Paulo no Morumbi. Na época era o Grêmio quem disputava o título contra o tricolor paulista. Com a justificativa de priorizar a Copa Sul-Americana utilizarem desse expediente e levaram 3×0 ao natural. Esses pontos poderíam ter feito a diferença no final do campeonato, pois o São Paulo foi campeão por apenas 1 ponto de diferença. E agora os Srs. Vitório Piffero e Fernando Carvalho dão entrevistas pregando a “ética, honra e profissionalismo” queo Brasil inteiro estará vendo o jogo e que se o Grêmio usar reservas será punido pela justiça desportiva.

Eles não pensaram nisso no ano passado. E agora pagam o preço pela soberba exibida anteriormente. Eu como torcedor não escondo que  sinto um prazer enorme em ver a apreensão dos dirigentes do co-irmão. Ninguém pode impedir o Grêmio de colocar reservas, não há lei ou norma que proíba isso. O proprio Inter venceu o Sport, que estava recheado de reservas. Então, como diz o ditado: “Pimenta nos olhos dos outros é refresco”. Além disso a campanha o Grêmio fora de casa é risível, pois venceu apenas o Náutico, e jogaria ser Rockemback (suspenso), Tcheco (desligado do clube), e Souza (preservado depois da entrevista  após o jogo contra o Barueri em que deu a entender que o tricolor deveria “entregar o jogo” no Maracanã em nome da rivalidade Gre-nal). Ou seja, ainda mais enfraquecido. Por aí já pode-se imaginar que o favoritismo do Flamengo torna-se ainda maior.

Será que os colorados já esquceram de que o Grêmio empatou com o Cruzeiro fora de casa. Que empatou com o São Paulo e venceu o Palmeiras no Olímpico, isso quando já tinha chances mínimas de chegar a Libertadores.. E que se não fosse isso o Inter não estaria disputando o título. Ganharam uma mãozinha e agora querem o braço? Vão ficar querendo…

Por isso tudo dou meu palpite. Vai dar Mengão. Vai ser uma festa o Maracanã lotado e a massa rubro-negra voltando a comemorar um Brasileirão depois de 17 anos. Quase todo o Brasil quer isso. E não vai ser o Grêmio quem vai estragar esse festão.

“A amizade duplica as alegrias e divide as tristezas.” (Francis Bacon)

Abraços a todos!!!

NA CARA DO GOL

Novembro 24, 2009

CELSO ROTH, O REI DO CENTENÁRIO COLORADO

Neste ano de 2009, centenário do Sport Club Internacional, nenhum treinador teve um retrospecto mais brilhante para o clube da beira do lago do que Celso Juarez Roth. Na conquista do título gaúcho e na boa campanha da equipe colorada no campeonato brasileiro ele teve participação decisiva com o seu retrospecto “virgem” de vitórias.

No campeonato gaúcho como treinador do Grêmio foram três confrontos e três derrotas. No primeiro Grenal montou um time compacto, bastante competitivo e conseguiu que a equipe tricolor fosse superior durante quase todo o jogo. A derrota  foi claramente injusta e deveu-se a um lance no final do jogo onde a qualidade de Nilmar foi decisiva. Naquele momento o ano parecia auspicioso para os torcedores gremistas.

Nos outros dois jogos Roth manteve o retrospecto. Duas derrotas. Mas desta vez as atuações foram muito fracas, com a equipe tricolor sendo amplamente dominada. As entrevistas após os jogos eram igualmente irritantes, com o mal humor do treinador contra a torcida e a imprensa exalando pelos poros. Sempre vinha com a mesma frase: ” O importante é a Libertadores.” Além de insinuações sobre a inteligência dos torcedores. Enquanto isso o Inter continuava empilhando vitórias.No final a pressão da torcida foi determinante para a queda do treinador.

No campeonato brasileiro Roth esteve duas vezes em Porto Alegre. Mais uma vez foram duas derrotas, 4xo para o Grêmio e 3xo para o Inter levando 7 gols e não fazendo nenhum. No mineirão o retrospecto também foi fraco: derrotou o Grêmio com um pênalti no mínimo discutível no último minuto de jogo, sendo que no primeiro tempo o  juíz Wilson Seneme sonegou um bem mais claro só para a equipe visitante. No final 2X1 Atlético. E contra o Inter bem… adivinhem o que aconteceu?

Perdeu novamente, é claro. 1×0. Levou um gol no primeiro tempo e não texe forças para empatar. Teve o maior tempo da posse de bola mas não concluía a gol. A defesa colorada foi perfeita e neutralizou bem as investidas adversárias. No final do jogo, perdeu a elegância (como de costume) e disse que o Inter jogou como time pequeno, só se defendendo. Irônico ele dizer isso já que perdeu cinco vezes no ano para o ”time pequeno”. Já era hora de aprender  com as derrotas e mudar o discurso.

O que mais me deixa incrédulo é que ainda uma boa parte da torcida gremista acha que Roth seria uma boa opção para 2010. Bom, se eles não quiserem vencer grenais eu acho que ele é “ficha 1″. É garantia certa de derrotas em clássicos. Além do mais ele é o Rubinho Barrichello dos treinadores, uma legítima fábrica de ilusões: quando parece que vai engrenar, que a sua hora vai chegar… o gás acaba e fica no “quase”.

Vejo desta forma: No mínimo a diretoria colorada deveria entregar uma placa para ele pelos “serviços prestados” em 2009. Seria uma forma justa de reconhecer aquele que tanto trabalhou pela felicidade colorada neste ano.

” Uma chave importante para o sucesso é a autoconfiança. Uma chave importante para a autoconfiança é a preparação” Artur Ashe

Abraços a todos!!!

NA CARA DO GOL

Novembro 17, 2009

SEM ADVERSÁRIOS

Pode parecer muita pretensão da minha parte dizer isso, ainda mais envolvendo um torneio eliminatório como a Copa do Mundo, mas se nada de anormal acontecer o hexacampeonato do Brasil está assegurado. É impressionante o retrospecto do Brasil nos últimos torneios e amistosos, principalmente contra as grandes seleções. Não há empates, só vitórias. Itália, Argentina, Inglaterra, Portugal, Uruguai todos foram impiedosamente batidos pela seleção que construiu vitórias com placares elásticos deixando ainda mais evidente  sua superioridade.

Ah, mas alguns mais pessimistas diriam que o Brasil perdeu para a Bolívia e empatou com a Venezuela há 1 mês atrás. Quanto há isso eu traço uma analogia. Eram jogos que não valiam nada, porque o Brasil já estava classificado. Não havia a necessidade de se desgastar demais em tais jogos. É que nem quando tu sais á noite na balada e pega uma gata . Uma supergata. A futura mãe dos teus filhos. Depois que tu ficas com ela, todas as outras perdem o interesse para você, parecem insossas, ficam com cara de… Bolívia e Venezuela. Na era Dunga, quase sempre que o Brasil foi exigido correspondeu as expectativas.

O jogo entre Brasil e Inglaterra sábado foi um jogo de ataque e defesa. O time Inglês jogando com duas linhas de 4, atrás da linha divisória do gramado ( é isso que dá colocar na seleção inglesa um treinador italiano ). O Brasil o tempo todo tocando a bola de um lado para outro, abrindo espaços e fustigando a defesa adversária que não conseguia sair jogando. No final o 1 X 0 foi barato, graças a trave inglesa e o pênalti desperdiçado por Luís Fabiano. Claro que a falta de Gerrard e Lampard foi muito sentida na equipe inglesa, mas digo com segurança que mesmo com eles o Brasil ainda sairia vencedor.

Dunga não é nem de longe o treinador dos meus sonhos, mas tem os seus méritos. Imprimiu na seleção a parcela de seriedade e profissionalismo que faltou na preparação para a Copa de 2006. Deixou claro que ninguém é titular por decreto, só jogam aqueles que estiverem em boas condições físicas e técnicas. Promoveu uma renovação na seleção ainda que tímida. Estabeleceu um padrão tático, um time titular e vem repetindo ele, garantindo um entrosamento entre os selecionáveis. Só falta ele largar de mão o Robinho, convocar novamente o Pato e parar de fazer algumas invenções como Afonso , Hulk e Michel Alves que o contexto ficará ainda mais favorável.

É amigos, ainda faltam 7 meses para a Copa mas estou muito otimista. Somos ainda mais favoritos  agora  do que antes da Copa de 2006. Se a Casas Bahia fizer de novo a promoção das TVs de Plasma ( para quem não se lembra quem comprava uma TV se o Brasil fosse campeão ganhava outra ) compro certo sem piscar. O velho Samuel Klein que se cuide pois vou dar um tufo nele. Vou comprar a minha vuvuzela ( a indefectível e insuportável corneta) e estou começando meu estoque de bebidas. Cada jogo vai ser uma festa. E se as outras seleções não melhorarem até lá, com certeza o caneco voltará mais uma vez para o nosso país.

” O homem que vai mais longe é geralmente aquele que está disposto a fazer e a ousar. o barco da segurança nunca vai muito além da margem.”  Dale Carnegie

Abraços a todos!!!

NA CARA DO GOL

Novembro 9, 2009

SURREAL

Não há outra palavra para descrever a entrevista coletiva do sr. Mário Sérgio Pontes de Paiva após o final do empate entre o Barueri e Inter. Eu estava ouvindo as pérolas proferidas por ele no rádio e achei que era brincadeira, que era gozação ou que ele estava delirando devido a chuva que deixou-lhe encharcado. Fazia tempo que eu não via tal quantidade de sandices ditas em tão pouco tempo. Nem Celso Roth em seus momentos de máximo sarcasmo conseguiu superar o treinador colorado ontém.

Vou comentar algumas frases ditas por ele:

- “Jogamos uma partida excepcional e perdemos um monte de gols”. Se o que o Inter jogou ontém era excepcional, a torcida colorada pode pensar em 2010 porque o ano acabou. No máximo foi medíocre. Gol perdido mesmo só o do Andrezinho. O resto do tempo foi chuveirinho na área e o Alecsandro concliundo a gol só que em impedimento. Os jogadores tem alergia em chutar a gol.

-” O Inter está jogando melhor do que a maioria dos times nesse campeonato.” É o penúltimo no returno em pontos somados, só superando o Sport.

- ” Esse negócio de repetir time já acabou a muito tempo.” Não é a repetição que leva a prefeição? Qualquer criança sabe que se tu repetes algo diversas vezes o ato em si torna-se automático? A constante troca de esquemas e improvisações do treinador inviabiliza qualquer tentativa da equipe adquirir entrosamento.

-” Sexto, sétimo,oitavo lugar não tem problema… .” Nem vou comentar essa. Até eu que sou gremista fiquei revoltado. Cadê a ambição? E a torcida do Inter como fica depois dessa? Ir no jogo para quê?

-” Qualquer pessoa sabe que seis meses é o mínimo que se dá a um técnico… .” Até concordo com isso, mas se ele sabia que em dois meses não ia conseguir mudar o quadro porquê assumiu?

-” Ia colocar o Alan Kardec para acabar com o jogo… Não sou cronometrista .” Então tão excepcional era a partida que ele queria que ela acabasse? Estava sim temendo levar mais um do Barueri. Eu estava tentando imaginar o que se passou na cabeça do Kardec quando ele ouviu o seu comandante dizer isso. E se ele não enxerga a placa pede então para alguém ver… Planejar um jogo sem saber o tempo restante é no mínimo imprudência.

- ” Se joga grande responsabilidade em cima do Inter. Por que tem que ser campeão? ” Essa para mim foi a pior. Ele queria o quê? É brabo dizer isso mas o colorado é um dos maiores times do Brasil sim. Tem 100 mil sócios (supostamente),  e entra nas competições visando vencê-las. Por isso sofre grandes cobranças. Se ele não aceita ser cobrado então nem síndico de prédio ele pode ser porque até ali tem pressão. Vai para a praia e fica pegando sol que é barbada.

E a diretoria colorada parece anestesiada. A torcida anseia por uma atitude mas nada será feito. Terão que agüentar seu treinador por mais 4 rodadas, e depois disso ele irá embora 300 mil reais mais rico. Certamente esse foi um dos piores erros realizados por Fernando Carvalho na frente do futebol colorado. Erradicou as chances de título e de vaga na Libertadores.

É só o que me conforta neste final de ano…

Quem gosta de mulher feia é cabelereiro.” Kelson D´Andrea

Abraços a todos.

NA CARA DO GOL

Novembro 2, 2009

A DEBACLÉ GAÚCHA

Feriadão na praia é tudo de bom. Sol, o efeito relaxante da  brisa litorânea juntamente com goles de cerveja bem gelada, o desfilar das mulheres com trajes sumários ah… será que existe algo que pode estressar alguém neste momento tão sublime? Claro que sim… é só ver um jogo da dupla Grenal!

Juntamente com meus companheiros Diogol, Cleiton Pacheco e Renanshow, fomos ver a jornada dupla dos times gaúchos. O primeiro jogo foi do Inter contra o Botafogo e para as almas tricolores foi um deleite do começo ao fim. Um time sem velocidade, imaginação e com vários jogadores atuando no limiar da mediocridade. Lauro muito inseguro no gol, Alecsandro desaprendeu de jogar futebol, domina todas de canela, Índio sem explosão,  quase parando, Taison e Bolaños são constrangedores, não driblam ninguém e nem cruzam e o “treinador” Mário Sérgio conseguiu deixar Marquinhos no banco, o único que poderia mudar a cara do jogo.

O arranjo tático do Inter é um desarranjo. Sem jogadas pelos flancos, quando um jogador se machuca substituí por outro de característica diferente assim impedindo que a equipe assimile o esquema, e a escalação de dois atacantes de posicionamento no ataque é algo que muito raramente funciona. Mesmo com um jogador a mais, a única jogada eram cruzamentos da intermediária, de facil defesa para o goleiro Jeferson. No final do jogo o efeito esperado: Protestos da torcida contra a direção, moedas jogadas nos jogadores e o portão 8 lotado. Inter fora do G4 e o título ficou distante.

As 18:30 começou o segundo jogo. Grêmio contra o Santo André. Tudo bem jogo fora é sinônimo de derrota neste campeonato para o tricolor, mas o Santo André é um time fraco e a expectativa era de um bom resultado. O começo foi até promissor, mas problemas como o desperdício de gols ( Souza e Tcheco) e erros de passe tornaram a aparecer no decorrer do jogo. Levou um gol num erro de posicionamento ridículo e grande oportunismo do centroavante Nunes (que ganha 10 vezes menos e é melhor do que Maxi Lopez), e o nervosismo atingiu os jogadores. O segundo tempo foi o pior que eu vi do Grêmio nos últimos 4 ou 5 anos. Em um espaço de 3 minutos fez um gol contra e teve um jogador expulso. Se perdeu completamente no jogo e levou um baile. Teve 2 bolas na trave contra a meta deVictor e escapou de ser goleado. Um constrangimento total. Foi humilhado por um time da zona do rebaixamento. O campeonato acabou de vez pro tricolor.

Tem tanta coisa dando errado no Grêmio que é difícil de enumerar. São lesões, jogadores sendo improvisados em posições em que não jogam por falta de reservas qualificados, jogadores que falam demais e não jogam nada, o grupo não é unido, o treinador faz o que quer e não é contestado ou cobrado pelo presidente e diretores ( sou contra o “treinadorismo” )… a lista não termina tão cedo. Pelo menos a diretoria demonstra bom senso e já pensa em 2010. Tem que fazer uma limpa no grupo de jogadores e tentar não errar tanto nas contratações.

Realmente foi o fim de semana de finados para a dupla. Grenal a vista na Copa Sul-Americana 2010.

” Otimismo é esperar pelo melhor. Confiança é saber lidar com o pior.” ( Roberto Simonsen)

Abraços a todos!!!

 

NA CARA DO GOL

Outubro 26, 2009

AS GAÚCHAS… PARA OS GAÚCHOS

Primeiramente, gostaria de desculpar-me com meus companheiros de blog e leitores pela ausência desta coluna nas últimas semanas. Deveres, profissionais, reuniões de condomínio e até o temporal com falta de luz que ocorreu em Porto Alegre foram eventos que minaram o meu tempo, juntamente com uma boa dose de desorganização de este que vos fala. Após uma auto-análise profunda asseguro que os problemas foram resolvidos e este hiato não tornará a se repetir.

Em segundo lugar, já digo  que NÃO FALAREI DO GRENAL 378 nesta coluna. É necessário equilíbrio e discernimento para tecer comentários pertinentes sobre o tema, e neste momento (domingo dia 25 as 20:45) meu ser é tomado por uma fúria monumental contra alguns jogadores e membros da comissão técnica tricolor que cometem e falam sandices, relegando a nós torcedores um sentimento de desamparo, pois não temos mais aonde recorrer. Zerbes e Pizoni com certeza falarão sobre o tema muito melhor do que eu.

Hoje falo por todos os gaúchos, homens, adoradores ou não de futebol. Nos últimos anos está se intensificando um fenômeno nefasto no nosso rincão. Nosso estado é reconhecidamente caloroso e hospitaleiro com os visitantes, e talvez por isso nós nativos estamos sendo vitimizados por isso.  ”Estrangeiros” entram no nosso estado seja por trabalho ou diversão, e quando voltam para seus locais de origem levam embora o nosso maior patrimônio, nossa commodity mundial de exportação: as nossas mulheres.

Virou rotina… principalmente no meio futebolístico, onde as ascenções são meteóricas e a mídia é constante. Os jogadores vem para cá ganhar a vida. Se destacam, aparecem direto na televisão, são paparicados pela torcida e imprensa e de lambuja levam uma mulher a tiracolo quando vão embora. Ou pior… trocam a antiga que veio com eles por uma nova, modelo 2.0 turbinada que é claro daqui. E a maioria delas são, digamos, excessivamente bonitas.  Já a maioria dos jogadores não pegaria nem vento se fossem trabalhadores comuns. Para mim especialmente, um trabalhador honesto, pagador de impostos e nascido aqui é uma competiçao desleal. Não tenho a grana nem a visibilidade deles, e tenho que engolir isso todos os dias. Não importa se é do Grêmio, Inter, Caxias ou Juventude. O fenômeno é repetido constantemente.

Mas agora passou dos limites do aceitável. Em Porto Alegre, temos que conviver com isso, tudo bem. É uma cidade cosmopolita, uma das metropoles do cone sul. Atrai gente de todos os locais e fica difícil de impedir. Agora me aparece o Adriano, vulgo “Imperador”, rei das personal treiners e de todas as mulheres fruta,  na televisão e apresenta a sua nova namorada: gaúcha, de Cachoeirinha. Aí não dá… como diria Don Corleone em o Poderoso Chefão:- “O cara vem na minha casa, pisa no meu chão, come dá minha minha comida e nem um “Oi padrinho…” . Ele vem e invade o meu quadrado, faz o que bem entende e sai fora. O que ele tem que fazer aqui? Passa o carro geral no Rio de Janeiro e não chega pra ele? Para mim que trabalho, passo a maior parte do meu tempo semanal em Cachoeirinha e admiro as belezas locais foi uma “agressão gratuíta”.

Mas eu tenho uma solução. A governadora Yeda poderia promulgar uma lei estadual cobrando um imposto sobre os homens não gaúchos que tem vínculos afetivos com mulheres daqui.  Seria uma preservação da matéria prima regional frente aos estrangeiros e inibiria certamente as investidas deles, tornando-se uma espécie de “reserva de mercado” para nós. Garanto que governo estadual apoiaria integralmente a idéia pois aumentaria fortemente a arrecadação, diminuindo os problemas de caixa. Não desmereço de foram alguma a capacidade dos homens gaúchos, que são também reconhecidos em todo Brasil, mas é notória mundialmente a beleza das nossas mulheres (só pra constar 2 das “Angels” da Victória´s Secret – Gisele Bündchen e Alessandra Ambrósio são daqui.) e fica difícil defender o nosso quinhão frente as hordas de estrangeiros que nos invadem em busca delas.

Preservar o que é nosso é dever de todo cidadão. E valorizar o que é bom mais ainda.  Como já dizia a célebre música (não sei de quem é mas o meu amigo Bartt certamente saberá…) que exalta as melhores coisas daqui: ” Churrasco e bom chimarrão/ Fandango trago e mulher / É disso que o velho gosta / É disso que o velho quer.”

” Ninguém pode fazê-lo sentir-se inferior sem o seu consentimento.” ( Eleanor Roosvelt )

Abraços a todos!!!

NA CARA DO GOL

Setembro 29, 2009

COPA 2014… SERÁ QUE DECOLA?

Depois da euforia pela escolha do Brasil como sede da copa de 2014, começamos a ter o “choque de realidade”. A morosidade e a lerdeza tomama.   A Fifa já pensa em reduzir o numero de sedes pois os editais ainda não estão prontos, criticou a obra do estádio do Morumbi, falando que o projeto de reforma do mesmo não permitiria condições de receber as semifinais. Isso sem falar de Porto Alegre, que estão ameaçadas as obras de melhoria urbana previstas até 2013.

José Fortunati, o representante da prefeitura  ao retornar de Brasília disse em tom pessimista que a construção do sonhado metrô está ameaçada e que nem obras tidas garantidas, como as duplicações da avenida Tronco e da av. Beira-Rio estariam garantidas. Além do mais não auxiliaria nas reformas do Estádio Beira-Rio pelo fato dele ser particular. Penso se deveria valer a pena o  Internacional endividar-se a fim de reformar um estádio para sediar apenas 3 jogos da copa, pois os recursos atuais são insuficientes ( viriam da venda dos novos camarotes e da venda do estádio dos Eucaliptos)

O governo apenas auxiliaria na construção dos novos estádios estaduais. O PAC da copa está pronto, mas ainda não saiu do papel. Parece que falta muito tempo mas já em 2013 a maioria das instalações devem estar prontas para a copa das confederações. Se pensarmos que as obras nesse país sempre atrasam, é de ficar preocupado já. Foi prometido dinheiro para as reformas, mas o governo não está facilitando  a liberação delas, causando atrasos.

Para completar há o velho problema do desvio de verbas.Os jogos Pan Americanos custaram 10 vezes mais que o  orçamento original. A copa do mundo, envolve mais cidades, obras em estádios e infraestrutura, ou seja, o campo é infinitamente maior para que sejam feitas falcatruas. Além disso o Brasil também concorre para ser sede das Olimpíadas em 2016. Ou seja, vai haver dinheiro para fazer tudo isso neste período? Se depender do nosso presidente e da retórica do Pré – Sal vai até sobrar. Acredito que a Copa no  Brasil será superior a da África mas inferior a da Alemanha.

Para mim o maior benefício que este torneio fará serão pelas obres nas cidades. Que nosso possamos desfrutar isso aós o término do campeonato. Que a Copa sirva para ser um divisor de águas na grandes cidades brasileiras. Que além de bola na rede, melhore as condições de saúde, eduçação  e transporte do nossso povo.

NA CARA DO GOL

Setembro 22, 2009

SOFRIMENTO SEM FIM PARA O PÓ DE ARROZ

Foi um domingo perfeito. Churrasco nota 10 ao meio dia, sobremesas luxuriantes, uma sesta reparadora e no aconchego do lar acompanhei o massacre do Grêmio sobre o Fluminense por 5X1. Completamente eufórico pelo placar saí a noite para embriagar – me de destilados com meus amigos e celebrar este dia perfeito ao som de música sertaneja.

Ao voltar para casa, á noite, inesperadamente pensei no Fluminense e no que tenho ouvido a respeito da situação do clube. Expressões como “bater em bêbado”, “saco de pancadas”, “Jesus chamando” são veiculadas ao clube com um tom quase jocoso. Não é para menos, recém ultrapassamos a metade do campeonato e o clube tem 99% de chance de cair para a série B (isso ainda era antes de domingo). Há cerca de um ano atrás estavam disputando a final da Libertadores e pensando em Yokohama e no Manchester United. O que aconteceu nesse meio tempo?

Volto quase ao início do século passado e traço um paralelo com a Argentina, o país. Junto com os Estados Unidos eram as nações mais ricas das américas. Possuíam terras férteis e um comércio dinâmico e variado. A Argentina era uma das 10 nações mais ricas do mundo e o seu PIB era superior ao da França. A partir dos anos 30 as crises políticas e o populismo demagógico afetaram os fundamentos econômicos do país levando a escolhas erradas e a estagnação do crecsimento. O governo de Perón intensificou isso e a ditadura dos anos 70 manteve o padrão. A Argentina perdendo o trem da história.

O Fluminense no mesmo período era o clube mais rico do Brasil. Era o maior vencedor de campeonatos cariocas (na época o principal do Brasil) era a base da  seleção Brasileira, possuia o melhor estádio do país (Laranjeiras, com sua luxuosa sede social) e a maior torcida. Tinha tudo para ser uma potência nos dias atuais. Mas também perdeu o trem da história. Hoje caminha para o terceiro rebaixamento em apenas 12 anos.

O clube, devido a diversas administrações carentes de uma gestão mais profissional não conseguiu utilizar a força de sua numerosa torcida para captalizar recursos proprios. Não modernizou sua sede, que necessita de reformas urgentes. O estádio é de uma pobreza franciscana, só manda jogos do campeonato carioca, e não possuem centro de treinamento, por isso aluga o do CFZ (do Zico). A única mentalidade era a de montar times, muitas vezes assumindo dívidas (o que diga,se de passagem é muito comum no Brasil). E infelizmente  negligenciaram a infraestrutura e os recursos financeiros do clube.

Conquistou alguns títulos de relevância nesse período (Brasileirão de 1984, e Copa do Brasil 2007) mas é  pouco para um clube com essa potencialidade. Mesmo com o patrocínio forte da Unimed a situação não melhora. O departamento de futebol é um caos. Trocou 5 vezes de treinador este ano ( Rene Simões, Parreira, Vinícius Eutrópio, Renato Gaúcho e Cuca). Ou seja falta convicção no trabalho realizado. E o resultado não poderia ser outro. Políticamente o Fluminense está rachado, a oposição está tentando remover o presidente Roberto Horcades na marra.  Está rumando ao inferno e o diabo está esfregando as mãos de satisfação.

O grande time do ano passado foi desmanchado e vários jogadores foram vendidos. As reposições foram bem inferioras. O time do Fluminense mesmo jogando no Maracanã não se impõe. Obteve apenas 3 vitórias nesse campeonato. Menos de uma por treinador trocado.

Esse quadro é muito similar nos outros clubes do Rio de Janeiro. Graves problemas monetários, excesso de dívidas e intrigas políticas em todos os lados. Mas parece que o Vasco da Gama está seguindo outro caminho após a saíde de Eurico Miranda. Roberto Dinamite profissionalizou a gestão do clube com a contratação de executivos, conseguindo assim erradicar o défcit mensal. E com novos patrocínios e austeriadade na administração o clube tornou-se viável econômicamnte Esse é um exemplo que deveria inspirar o Fluminense para que o retorno a série A seja rápido e com o mínimo de sofrimento.

Resumindo: Mesmo as maiores riquezas podem tornar-se minúsculas após anos de administrações desastradas.

Primeiro passo indispensável para conseguir as coisas que você quer é decidir o que você quer”  – Ben Stein

Abraços a todos!!!

NA CARA DO GOL

Setembro 15, 2009

OS IRMÃOS PONTES

O futebol gaúcho, principalmente no interior é reconhecido por sua virilidade. Não há espaço para virtuoses da bola em um ambiente em que gramados esburacados, maltratados e enlameados predominam. Os jogos muitas vezes são decididos através da disposição e agressividade dos jogadores, o que torna o jogo digamos “insalubre” para atletas mais leves.

Entre as décadas de 60 e 70 apesar do domínio da dupla Grenal, que ganhava praticamente todos os jogos no interior havia um local que era temido pelos jogadores gaúchos: Passo Fundo. Especialmente ná área do Gaúcho de Passo Fundo, havia uma estirpe de zagueiros que inspirava grande temor nos atacantes adversários: Os irmãos Pontes.

Bibiano Pontes, o caçula, foi o que obteve mais destaque em nível nacional. Iniciou no Gaúcho e depois jogou no Inter de 1965 até 1975, sendo titular do escrete colorado no início da era Beira-Rio. Jogava duro, e tinha boa técnica. Os outros irmãos: João e Daison jogaram muitos anos juntos no Gaúcho formando uma dupla de zaga famosa e temida. Até disputar coletivo com eles era perigoso.

João era do tipo tosco. Jogava sem firulas e era viril ao extremo. Foi expulso diversas vezes (12 vezes) e até por doping foi punido. Mas foi Daison, o mais velho, quem marcou época. Era considerado um zagueiro de boa técnica e virtualmente insuperável nas bolas altas. Foguinho chegou a compara-lo com Calvet, multicampeão pelo Grêmio e o Santos de Pelé. Mas tinha um grave defeito: era extremamente violento e muito irascível. É considerado pela CBF o jogador com o maior número de expulsões até hoje (total de 18), foi afastado também por doping e realizou a façanha de ser o primeiro jogador do Brasil a ser suspenso por agredir um árbitro. (Em 1974 agrediu José Luiz Barreto num jogo contra o Inter de Santa Maria com um soco e um pontapé, sendo suspenso po 18 meses. Recebeu anistia e cumpriu apenas 12).

Daison era fanfarrão. Tinha uma cara de mau e não admitia desrespeito: Leia-se um olhar atravessado, um sorriso debochado, firulas e como o atacante gremista Nestor Scotta descobriu, cusparadas. Acabou levando uma joelhada por trás que o levou a sair de campo. Foi contratado pelo Flamengo do Rio mas ficou apenas 3 meses por lá pois foi afastado pelo técnico Flávio Costa. Motivo: num coletivo, acertou Airton Beleza em cheio, atirando-o na grade, fora do campo.

Daison tinha duas frases célebres: Dizia que na sua área só entrava quem era convidado, e que para um time ser campeão gaúcho teria que ser capaz de entrar na área do Gaúcho de Passo Fundo. Outra história célebre era que o pai dos irmãos Pontes via os jogos do Gaúcho sentado em cima do muro do estádio Wolmar Salton, e que quando o juíz marcava um pênalti contra seu time ele sacava o revolver, assim convencendo o juíz e “reconsiderar” a marcação.

daison_pontes[1] Daison Pontes

É… literalmente como se diz por esses pagos, eles eram “faca na bota”.

” Tirando Mulher, a gente deve recomendar tudo que experimentou e gostou” – Stanislaw Ponte Preta.

Abraços a todos.

NA CARA DO GOL

Agosto 31, 2009

” EU QUERO O CARBONE”

A década de 60 foi pintada de azul,preto e branco no Rio Grande do Sul.  De 1962 até o ano de 1968 o Grêmio conseguiu a façanha de tornar-se heptacampeão. Possuia um time melhor e um estádio maior, o que tornava a vida dos torcedores e dirigentes colorados um suplício. Mas com a construção do Gigante da Beira-Rio e o surgimento de uma geração de jovens e habilidosos jogadores ( Claudiomiro, Bráulio e Dorinho)  a diretora colorada resolveu pensar grande e montar um time capaz de quebrar a hegemonia tricolor.

O presidente da época, Carlos Stechmann e a comissão técnica concluiram que ainda faltava um centromédio para completar a equipe. Foi então que o presidente chamou o treinador Daltro Menezes para uma conversa:

- Trocamos uma casinha por uma mansão e queremos um time digno dela. Pode pedir o centromédio que tu quiser. Qualquer um em qualquer parte do Brasil. Dinheiro não é problema.

Stechmann colocou um acento de satisfação na última frase. Pronunciou-a sorridentemente. Os demais diretores também estavam sorridentes. Todos preparados para ver o espanto e a admiração iluminarem o rosto agradecido do treinador. O pedido de Daltro, porém, fez os sorrisos dos dirigentes se desmancharem como de uma boneca de plástico atirada ao fogo:

- Eu quero o Carbone.

Um breve silêncio. Os dirigentes se entreolharam apalermados. Stechmann falou:

- Carbone? Quem é o Carbone?

- É um cara que era o quarto reserva no São Paulo. Está emprestado ao Metropol de Criciuma.

Os dirigentes continuavam se olhando, mudos. Mais uma vez foi Stechmann quem falou. Aliás, balbuciou:

- Nós estavamos pensando no Wilson Piazza do Cruzeiro de Minas…

- O Carbone é melhor. – Daltro parecia decidido.

Os dirigentes ficaram ainda mais confusos. Piazza era uma das estrelas do Cruzeiro. Junto com Zé Carlos, Dirceu Lopes e Tostão formava um meio de campo de futebol refinado e acadêmico. ( Piazza seria campeão da copa do mundo de 70 pela seleção brasileira junto com Tostão)

-Vamos fazer o seguinte: – Te damos os dois, o Carbone e o Piazza – contra-argumentou Stechmann.

- Aí eu não vou ter tranquilidade para botar o Carbone no time. Olha, eu não gosto da forma como o Piazza se movimenta ali no meio. Prefiro o Carbone.

Carbone acabou sendo contratado. No final do ano de 1969 foi considerado o melhor jogador do campeonato Gaúcho, o qual foi vencido pelo Inter. Daltro Menezes justificou a fama de descobridor e formador de jogadores.

Moral da história: Eu espero que o Renato Cajá seja o Carbone do Grêmio.

Trecho extraído do livro ” A História dos Grenais”, dos autores Nico Noronha e David Coimbra.

” Existem três frases curtas que levarão sua vida adiante: ‘ Não diga que fui eu’, ‘Oh, boa idéia ,chefe’ e ’Já estava assim quando cheguei’ (Homer Simpson)

Abraços a todos.

NA CARA DO GOL

Agosto 25, 2009

A ARTE DA BOLA PARADA

Como ex-goleiro amador com 10 anos de serviços prestados na função de erradicar os gritos de gol, pessoalmente o momento mais tenso era nos lances de bola parada. Por não ter uma altura elevada (1,78 m) era vitimado por cruzamentos aparados por adversários do tamanho de postes ou por faltas direcionadas mortalmente no ângulo ( ou perto do ângulo, pois ninguém com 1,78m consegue chegar ”onde a coruja dorme” numa goleira de futebol)  por cobradores habilidosos.

Específicamente nos cruzamentos a qualidade na saída do gol é importante para neutralizar este tipo de lance. Sair do gol é uma das qualidades mais difíceis de se trabalhar em um goleiro e é comum ver goleiros até de estatura muito elevada falhar em lances dessa natureza. São inúmeras variáveis no mesmo lance e o arqueiro tem míseros 3 ou 4 segundos para decidir o que fazer. E a preocupação aumenta quando o adversário é especialista neste tipo de jogada.

Falo do Grêmio, é claro. Apesar do rosário de limitações apresentadas pelo time, a ” força aérea tricolor” é de um eficácia invejável. Falta nas laterais do campo, a jogada já é manjada pelos adversários: Tcheco levanta na área ( “levantar” é maneira de dizer… ele PÕE a bola com precisão na cabeça de qualquer um dos zagueiros tricolores, os quais são especialistas na bola aérea ofensiva), e mesmo sabendo da jogada o desfecho quase sempre é mesmo. Gol ou defesa difícil do goleiro adversário. Léo e Rafa Marques são bons cabeceadores, mas Réver… é fora do comum. Alia seu 1,92m com uma impulsão acima da média, resultando em “chutes de cabeça” tamanha a velocidade que a bola adquire. Principalmente no Olímpico gols assim tornaram-se rotina.

As faltas frontais com certeza são os maiores algozes dos goleiros. Falta proxima a meia-lua, se o cobrador é habilidoso, só resta ao goleiro rezar. Cresci vendo gols de falta e estudando formas de não levar os gols. Mas a realidade é cruel. Daquela distância, se ela vem com velocidade e ultrapassa a barreira no máximo meio metro acima, goleiro tem que pular pelo menos para dizer que foi na bola, para não ficar fora da foto.

Existem cobradores de todos os estilos. Aqueles que cobram com direção e com força, de longa distãncia, como o Juninho do Botafogo são muito raros. Tem os que batem de uma distância mais proxima do gol, com efeito, fazendo uma parábola em que a bola não pega muita velocidade mas entra no ângulo. Zico era um representante de gala desta espécie.

Mas tem um tipo de cobrança que eu acho lindo de ver: O batedor fica 3 ou 4 passos da bola, e dirige-se a ela com o corpo inclinado e bate nela com a parte interna do pé, próximo ao dedão (mais específicamente entre o primeiro osso metetársico e a falange). A bola sai rápida e descreve uma parábola, não se elevando demais, o suficiente para vencer a barreira e matar o goleiro. Lembra a “folha seca” do saudoso Didi. David Beckham fez vários gols maravilhosos de falta cobrando assim. E para meu deleite na Azenha tem gente que faz isso… e muito bem.

Souza é marrento, muitas vezes fala demais, só que referente as cobranças de falta eu fico quieto. Se a falta é na meia-lua ou um pouco antes, apenas aguardo o obus que sai de seu pé. É certeiro e implacável. Vi ao vivo no Gre-Nal e ontém pela TV contra o Atlético-MG. Bate na bola como quem faz um carinho na namorada. Não deu chance nenhuma de defesa para o goleiro.

Não pude deixar de pensar no goleiro mineiro, no goleiro do Santo André e nos outros que foram vítimas da artilharia tricolor. Eles não devem se sentir culpados. Na azenha, nos dias atuais, a elite da bola parada no Brasil está lá. É ver para crer.

OBS: Devido as centenas de reclamações quanto a frase no final da coluna na semana passada, este espaço democrático humildemente cede a réplica para as mulheres. Aqui vai uma piada, que na minha modesta opinião é verdadeira:

“Como é que os homens fazem exercício na praia?

Encolhendo o estômago e estufando o peito toda vez que passa um biquíni.”

Abraços a todos.

NA CARA DO GOL

Agosto 18, 2009

UM VIVA AOS ARQUEIROS!!!

Nesses tempos modernos, em que os treinadores de futebol privilegiam esquemas excessivamente defensivos ( muitas vezes com um ou, pasmem, nenhum atacante de ofício) e empates sem gols são comemorados, não é obviedade lembrar que a busca pelo gol não é um mero detalhe no futebol  e sim “o” detalhe que separa vencedores dos perdedores.

No nosso país, o futebol é reconhecidamente ofensivo e aspectos como a habilidade com a bola e a capacidade de fazer gols são exaustivamente incentivadas. Por isso as crianças que sonham em ser jogadores profissionais  acabam por espelhar-se em jogadores que exercem funções ofensivas. Em jogadores que fazem muitos gols e que levam suas torcidas a sonharem com títulos. Já goleiros e zagueiros raramente são lembrados. E nas peladas de rua é que vemos por que isso acontece,.geralmente os meninos mais “toscos” ou os “gordinhos” são relegados a funções defensivas e assumindo-as geralmente contrariados. Só aos mais qualificados é permitido jogar proximo ao gol adversário.

Com os goleiros então, a situação chega a ser dramática. É mais fácil ver um eclipse solar do que ver um menino se oferecer para jogar embaixo dos paus. Já dizia Nelson Rodrigues: ” Onde goleiro pisa não cresce grama”. É posição maldita, geralmente marginalizada  e paradoxalmente de imensa responsabilidade pois é a última linha de defesa. Goleiro é cargo de confiança, que nem neurocirurgião ou diretor financeiro de empresa. São funções que exigem segurança, estabilidade emocional, em que as falhas não são toleradas e, quando ocorrem, podem pôr tudo a perder. ( ou ao óbito do paciente, em relação ao médico)

Se o gol é o clímax do futebol. O que poderíamos dizer das defesas dos goleiros? O anticlímax? Eu, como ex-goleiro amador posso dizer-lhes com certeza que não. Neste ano eu vi duas atuações de goleiros que me empolgaram muito mais do que os gols durante os jogos: Júlio Cesar na vitória de 4×0 do Brasil contra o Uruguai em Montevidéu e Victor na vitória de 4×1 do Grêmio contra o Flamengo. Nesses jogos ficou a clara impressão de que se a partida levasse mais 90 minutos eles ainda assim não levariam mais gols tamanha a magnitude das atuações. Não importava se os chutes era de longe ou a queima-roupa, a bola não entrava. Foram aulas de posicionamento, agilidade, segurança e frieza. Pessoalmente em relação ao jogo do Grêmio fiquei muito impressionado com a afirmação do técnico do Flamengo, Andrade ( grande centromédio do Flamengo dos tempos de Zico), que afirmou ter sido a maior atuação que ele já havia visto de um goleiro. Dito isto por um homem que foi multicampeão e jogou dezenas de decisões na sua carreira isso conta demais.

Então digo disso aos amantes do futebol. Aqueles que tem um goleiro confiável nos seus times, celebrem-os e cumprimentem-os. Já aqueles que não tem cobrem os departamentos de futebol para que arranjem um. Todo grande time começa por um grande goleiro. Faz parte da espinha dorsal de uma equipe de futebol. E que vibremos como um gol cada vez que eles fizerem uma grande defesa!!!

Para finalizar uma filosofia levemente machista:

” Como os bons vinhos, para permanecer em bom estado de conservação, a mulher deve ser mantida no escuro, na horizontal e com uma rolha na boca.” ( Autor desconhecido)

Abraços a todos!!!

NA CARA DO GOL

Agosto 10, 2009

INDIGNAÇÃO

Domingo, dia dos pais. Apesar da chuva torrencial que caía sobre Porto Alegre, um dia feliz. Celebramos com todos os pais, sejam biológicos ou de criação a presença especial que exercem nas nossas vidas. Para gaúcho não há nada melhor do que churrasco em casa reunindo a família e amigos. Maminha, vazio, costela com aquela “manta de gordura” e aquele sabor que o osso deixa na carne quando é assado junto. Para finalizar um pernil de ovelha fantástico. Sem contar a maionese, salada, cafézinho, torta de bolacha… enfim uma orgia gastronômica absurdamente saborosa.

Após o banquete, a famosa “sesta” para relaxar e um tempo para finalizar a minha coluna. Vejo um pouco de Flamengo e Corinthians. Nota-se uma equipe paulista consistente na parte defensiva, mas órfã de ataque. Ronaldo faz muita falta, e reforços necessitam vir imediatamente. Flamengo é o Imperador mais 10.

Pontualmente as 18:20 sentei na frente da televisão para acompanhar Grêmio e Barueri. Estava ansioso devido a boa atuação contra o Palmeiras e na expectativa da quebra do jejum de vitórias fora do Olímpico.

As 20:30 levantei me do sofá, sento na frente do computador e começo a escrever uma nova coluna.  A que era para ser postada foi “engavetada”. Acabou a serenidade, a ponderação. Acabou o domingo, só há um misto de incredulidade, raiva e indignação. E desta vez o alvo é voltado para a Azenha.

O Grêmio perdeu outro jogo fora de casa, pelo placar de 1xo. Até aí nada de novo, foi a sétima derrota em nove jogos. Um recorde absoluto de incompetência. Mas a forma da derrota é que tirou-me do sério. O Barueri é um time  organizado, e tem uma campanha boa em casa. Joga num 3-5-2 meio compactado e tem dois jogadores ofensivos bem insinuantes e rápidos: Fernandinho e Tiago Humberto. Mesmo assim, não era permitido ao Grêmio perder o jogo.

O embate foi praticamente em campo neutro, pois o Barueri não tem torcida. Sem exagero não dava 2 pra um a proporção de torcedores do Barueri para os do Grêmio. Dava para ouvir na transmissão com clareza a Geral do Grêmio gritando e apoiando. O adversário no fundo é um time regular, nada de especial, o centroavante , Luís, era fraquíssimo, quase um “ataque de asma”. O titular Val Baiano estava machucado. Mas o Grêmio repetiu a mesma postura dos outros jogos, entrou receoso, sem agredir o adversário, uma passividade irritante. Sempre esperando o jogo. Sem jogadas pelas pontas, pois Fernandinho atormentava Thiego o tempo todo, prendendo este na marcação e Jadilson inexplicavelmente não apoiava o que é o seu ponto forte. Com isso as jogadas afunilavam pelo meio para Maxi Lopez que foi bem anulado e isolado, pois Douglas Costa era um elemento ausente do jogo.

Não entendo como isso ocorre. Em casa é uma atuação e fora é outra. Em casa é a Sharon Stone e fora é a Zezé Macedo. Tirando os jogos contra Palmeiras e Vitória sempre houve pouca torcida adversária presente. Contra o São Paulo no Morumbi também foi quase campo neutro. Fora de casa é sempre assim: Souza e Tcheco demoram a entrar no jogo, atuam quase só meio tempo porque no resto estão sumidos do jogo, Há um desperdício inaceitável de gols do Maxi Lopez e  principalmente do Jonas… olha parece que falta força, pontaria, tudo para esse rapaz. Douglas Costa não emplaca e se esconde  ( a bola ”queima ” nos pés). A equipe não se impõe. Com todo o respeito, camisa não ganha partida mas time grande como o Grêmio tem que propor o jogo, agredir o adversário e, principalmente, comandar as ações em cima de um time de menor expressão. Estamos nos portando que nem time pequeno, é inaceitável.

As explicações de jogadores e dirigentes são as mesmas, as causas são diversas ( juízes ruins, apatia do time, expulsões, azar, carências do grupo de jogadores) mas o resultado final quase sempre é o mesmo. Paulo Autuori tem sido preservado das críticas, mas até quando? Certamente ele tem uma parcela de culpa pois times piores que o Grêmio conseguiram vitórias fora de casa. Não aceito que a culpa seja exclusivamente dos jogadores, apesar de que a maior parte é deles. Só espero que a ATITUDE mude por que o título realmente ficou inviável e nossa meta agora deve ser a vaga para a Libertadores. A torcida tricolor no momento quer somente isso. De explicações estamos fartos. Carências no grupo existem mas é evidente que dá para fazer mais do que tem sido alcançado. Se ficar tudo igual corremos o risco de não pegar nem a Sul-Americana.

É nisso que acredito. E vou tomar um chá de camomila para me acalmar…

” O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo” Winston Churchill

Abraços a todos!!!

NA CARA DO GOL

Agosto 4, 2009

UMA FINAL DE NEVE E BARRO

O Futebol, é um esporte em que as variações do clima fazem parte do jogo. Desde jovens, nas brincadeiras de rua, na beira da praia, na várzea ou em campeonatos amadores, os praticantes de futebol sabem que podem estar sujeitos a intempéries como frio, chuva, ventos deixando assim as condições de jogo mais desafiadoras. Mesmo assim o futebol não para, salvo quando as condições são tão severas que podem prejudicar a integridade física dos atletas.

Nós brasileiros, sempre observamos os jogos que ocorrem na neve com um certo fascínio e estranhamento. É algo fora do comum para nós. Imaginamos como seria estar lá, suportar o frio, fazer um gol chutando uma bola “quase” fosforecente e correr por entre os flocos de neve. Já houve um caso de jogo oficial na neve em território brasileiro, há 30 anos atrás, entre Grêmio e Esportivo em Bento Gonçalves. O embate terminou 0×0 ( muitos dizem que o frio era tão intenso que até o futebol dos times “congelou”, daí o placar virgem).

Mas uma vez, houve uma final de campeonato ,e,mais surpreendente ainda, uma final de Mundial Interclubes disputada sobre um campo inteiramente coberto de neve. Foi em 1987 no dia 13 de dezembro entre o FC Porto de Portugal e o Peñarol, do Uruguai.

O frio e a neve foram tão intensos que deixaram o campo completamente branco e a grama não resistiu, deixando apenas uma camada de barro embaixo da neve. A bola teimava em não rolar, restando apenas aos jogadores fazer lançamentos ou “cavadinhas”, buscando manter a bola no ar o máximo de tempo possível.

Ambas as equipes jamais haviam disputado um jogo em tais condições. Os dois times possuiam times técnicos mas principalmente de muita força e raça, o que tornou o confronto extremamente viril . Já o nível tecnico foi muito baixo principalmente pela ausência de condições do gramado. Em resumo, uma completa várzea.

No final o FC Porto sagrou-se campeão ao vencer o Peñarol por 2×1, gols de Gomes e Madjer ( aquele mesmo da seleção portuguesa de futebol de areia. Ou seja, não importa o piso , ele jogava demais) para o Porto e Viera para os uruguaios.

” O futuro não existe, realmente. Ele é criado por nós, no presente”. Leon Tolstói

Abraços a todos.

NA CARA DO GOL

Julho 27, 2009

TRÊS É DEMAIS

Certa vez, o ex- piloto de fórmula 1 e tricampeão mundial da categoria Nelson Piquet proferiu a seguinte frase a respeito de vitórias e derrotas:

” O segundo é o primeiro dos últimos.”

Em relação aos esportes é uma frase polêmica, pois ela é diametralmente oposta ao lema Olímpico do Barão de Coubertain que disse que o importante era competir ( idealmente os atletas participariam de competições visando a confraternização e deixando a busca por vitórias em segundo plano) . Eu, pessoalmente, não concordo com esta frase, mas é claro que se levarmos em conta que os esportes certamente não deixam de ser metáforas da vida, e nela existem vencedores e perdedores. A história normalmente celebra os campeões e esquece os derrotados, mas em certos casos algumas trajetórias foram tão singulares que, mesmo que os seus protagonistas  não tenham alcançado a vitória, são impossíveis de serem esquecidas.

Falo do América de Cáli, um dos clubes mais tradicionais da América do Sul. Nos anos 80 possuíam um time invejável, que era a base da seleção colombiana ( a qual começava a se destacar no cenário internacional) tendo conquistado um pentacampeonato nacional consecutivo( 1982 a 1986), o único até hoje. Mas o fato que realmente marcou aquela década foi o incrível tri vice-campeonato consecutivo da Libertadores (1985-86-87), algo até hoje inédito em competições continentais.

Após ter alcançado duas semifinais de Libertadores (1980 e 1983) o América atingiu sua primira final em 1985. o adversário era a equipe dos Argentinos Juniors. O América perdeu o primeiro jogo na Argentina por 1×0, mas devolveu o placar no jogo de volta. Não havia decisão por saldo de gols então foi necessário um terceiro jogo, realizado em Assunção e que terminou empatado por 1×1. Na decisão por pênaltis, após todas as cobranças terem sido convertidas pelos argentinos e faltando apenas uma para os colombianos, o artilheiro Anthony de Ávila, ídolo do América errou a sua, fazendo a festa dos porteños.

Em 1986, mais uma final contra argentinos. Desta vez o adversário era um time bem mais tradicional, o River Plate. Os argentinos não deram chance e venceram os dois jogos ( 2×1 em Cáli e 1×0 em Buenos Aires) deixando os colombianos mais uma vez na fila.

Em 1987, o América atingiu a sua terceira final consecutiva. A campanha foi muito boa e a equipe possuia o artilheiro da competição, Gareca, com 7 gols e o melhor ataque. Mas o adversário era nada mais nada menos que o copeiro Peñarol, até então tetracampeão da competição.

Os uruguaios tinham a melhor campanha, então o primeiro jogo foi em Cáli. Grande atuação da equipe colombiana e uma vitória de 2×0 deixaram o título próximo. Mas jogar em Montevidéu no Centenário lotado é uma tarefa duríssima. O América ainda assim saiu ganhando por 1×0, mas cedeu o empate e a virada, sofrendo o gol aos 42 minutos do segundo tempo, levando a final mais uma vez para o jogo desempate.

O terceiro jogo foi em Santiago do Chile. Se houvesse empate no tempo normal e na prorrogação o América seria o campeão pois fez um gol a mais nos dois jogos iniciais. Por isso a postura da equipe foi defensiva. No tempo normal houve empate. Primeiro tempo da prorrogação: novo empate.  Ao Peñarol então só restava atirar-se ao ataque com aquela dose de raça e vontade que só os platinos possuem e faltando APENAS MÍSEROS 15 SEGUNDOS PARA O FIM DO SEGUNDO TEMPO DA PRORROGAÇÃO o centroavante Diego Aguirre entra a dribles na área colombiana e faz o impossível acontecer… GOL DO PEÑAROL.

Os torcedores do América não acreditam no que acontece. O título literalmente é retirado das mãos colombianas e passa para as uruguaias. Tudo isto faltando apenas 15 segundos para o final do campeonato.  As imagens do jogo não são boas, mas o que impressiona são as narrações do gol de Diego, feitas por radios colombianas e uruguaias, mostrando que a diferença entre perder e ganhar por um detalhe é tão sumáriamente cruel que a dor dos derrotados parece ser insuportável, tornando a máxima de Piquet naquele momento uma verdade inatacável.

A música “A Poderosa” do conjunto de pagode Raça Negra para mim reflete exatamente o que os torcedores do América sentiram:

” Vou nadar e morrer/ Na beira da praia/ Se não tiver você/ Se não tiver você/ O meu coração chora/ A falta de você/ O meu coração chora/ A falta de você…

” Existem três jeitos de se fazerem as coisas: o jeito certo, o jeito errado e o meu jeito.” ( James Bond)

Abraços a todos!

NA CARA DO GOL

Julho 21, 2009

O EXEMPLO QUE FICA

Acompanho o futebol desde a minha tenra infância. Minhas primeiras lembranças remetem aos jogos da Copa do Mundo de 1990 e do Grêmio, meu time do coração, na extinta Supercopa da Libertadores. Naqueles tempos o futebol brasileiro vivia uma entressafra de títulos e tanto as seleções quanto os clubes dificilmente superavam as equipes argentinas. Com torcidas inflamadas, pressão constante nos 90 minutos, altas doses de intimidação e violência ( também é necessário dizer que possuíam muita qualidade técnica), nossos clubes eram sistematicamente derrotados. Assim, naturalmente passei a rejeitar tudo o que vinha do Prata e esse sentimento aumentou ainda mais com a eliminação injusta na Copa de 1990. Talvez a maior que vi até hoje.

Com o passar do tempo, passei a torcer para os clubes brasileiros quando estes enfrentavam os argentinos. Qualquer um (menos o Internacional, é claro). Era jogo na televisão e torcia como se fosse o meu Grêmio. É claro que era mais um sentimento de frustração do que qualquer outra coisa. Mas ao estudar o futebol, não só dentro do campo como os aspectos culturais, passamos a ter nossas preferências e buscamos entender porque os eventos se desenrolam de uma determinada forma. E entendi porque os argentinos jogam do jeito que jogam. O “Toco y me Voy”, a garra, a busca incessante pela vitória, o jogo coletivo etc… . E passei a admirar esse modo de viver o futebol. Não esquecendo é claro de ser brasileiro.

A nacionalidade dos times passou a ser secundária para mim. Passei a prestar muito mais atenção no contexto do jogo. Nos exemplos de superação, no histórico dos times, na caminhada difícil até chegar a final. Isto é o que conta. Isto é o que vai para a história. E nos remete para a última quarta-feira.

Cruzeiro e Estudiantes. Final da Libertadores. Apesar de o Cruzeiro ter eliminado o Grêmio nas semifinais, simpatizo muito com o clube mineiro, tem um espírito guerreiro semelhante aos do sul e uma cor linda, que é o azul . Mas desta vez  torci pelos argentinos, principalmente pela falta completa de  humildade demonstrada pelos cruzeirenses antes do jogo ( exceto seu treinador Adilson) e do exemplo de vida de Juan Sebástian Verón, mei0-campo do Estudiantes.

Verón retornou ao clube que o formou em 2006, após anos vitóriosos na Europa por todos os clubes que passou. São repletas as imagens de gols e passes milimétricos feitos por ele. Muitos diziam que seria o final de sua carreira, mas foi peça fundamental para o clube quebrar um jejum de 23 anos sem títulos nacionais. Campeão mais uma vez. Perdeu a Copa Sul- Americana no final de 2008 no detalhe em Porto Alegre, tendo jogado até o limite de sua condição física. Recusou várias propostas no início deste ano pois queria jogar e vencer uma Libertadores pelo seu clube do coração, igualando os passos de seu pai que foi tricampeão da Libertadores pelo mesmo clube (1968-69-70).

Quanto ao jogo, todos sabemos como terminou. A cena que vai ficar para sempre gravada na minha memória é Verón, um jogador vencedor em todos os clubes que passou, milionário, um privilegiado do futebol, chorando copiosamente no meio do campo abraçado a seus companheiros. Parecia um novato ganhando seu primeiro título, mas mostrou que mesmo aos 34 anos é possível apaixonar-se por algo, dar tudo de si para atingir a meta, vencer as críticas ( ex-jogador, velho, etc…) , com garra e claro um futebol excepcional. Verón-pai, emocionado nas arquibancadas, e o filho levantando a taça no campo. Duas gerações da mesma família fazendo a história. Sorte de um clube que pode ter algo assim.

” Se não existe esforço não existe progresso”

Frederick Douglass