
Só o craque põe a bola aonde deseja...
Pois bem, meus caros amigos, tal como eu havia revelado a alguns companheiros de futsal Toco y Me Voy nesta terça passada, estou escrevendo sobre este tema tão controvertido. Hoje em dia, os mais apressadinhos (fundamentalmente a desorientada e sensacionalista “imprensa marrom”, que só quer saber de vender matéria desordenadamente) assistem a um bom jogo de um determinado atleta, e naquele mesmo instante, ele ja passa a ser considerado “craque”. Ora, senhores, não é assim que se qualifica um jogador de futebol como tal. Definitivamente, não é assim que se avalia e se pensa o futebol. Existem várias estirpes de jogadores: os ruins, os medianos, os bons, os muito bons, os craques e os deuses. Antes de adentrar cada uma destas classificações, exponho no parágrafo seguinte as formas de como se avaliar um atleta profissional do futebol (ou pelo menos uma sugestão racional).
Um jogador de futebol para ser completo, ele precisa reunir alguns requisitos básicos, sob pena de estabelecer-se na linha dos atletas medianos e ruins, quais sejam: força física (ter estrutura forte resistente e não tão suscetível a lesões), explosão muscular (aceleração), velocidade (arranque imediato), força pulmonar (fôlego para aguentar 90 minutos correndo intensamente ou até uma prorrogação), força de arremate (potência no chute), habilidade (saber lançar com precisão, chutar a gol sem ter que ser na base do “chutão”, driblar objetivamente e ter domínio de bola), posicionamento (saber aonde se colocar quando seu time ataca e quando defende), poder de marcação (saber “dar o bote” na hora certa, não fazer faltas desnecessárias) e técnica (efetividade traduzida em passes certos, cobranças de faltas, escanteios, sincronia de movimentos e espírito de liderança – via de regra é o capitão do time). Como se vê, cumprir tais requisitos, não é pra qualquer um. Pelo menos na minha avaliação, o jogador precisa provar, de fato, que tem qualidades.
É chegado o momento de discorrer sobre as categorias de jogadores. O jogador ruim (primeira categoria) é um atleta quase desprezível, na visão do torcedor. Trata-se daquele jogador que não reúne as mínimas qualidades para desenvolver um bom papel como atleta do clube. Alguns, mais fanáticos, chegam a dizer que não merece vestir o manto sagrado de seu clube. Normalmente, o jogador ruim “apanha da bola”, como diria um velhão jargão boleiro. O jogador ruim costuma errar passes com frequência (até mesmo os curtos), não sabe chutar a gol, não tem habilidade, e tenta compensar a falta de velocidade com vontade, mas acaba abusando da violência nas faltas – o que, por vezes, resulta em expulsões. Para não ficar apenas na teoria, vou citar alguns exemplos de jogadores ruins: Nunes, ex-volante do Grêmio; e Rafael Santos, ex-zagueiro do Internacional-RS. Ambos deram certo em outros clubes de menor porte (respectivamente Guarani-SP e Ponte Preta-SP, os rivais de Campinas, ativos competidores da Série B do Campeonato Brasileiro), mas a minha avaliação é centrada nos clubes grandes. As passagens de Nunes, pelo Grêmio, e de Rafael Santos, pelo Internacional-RS, foram sofríveis. Eram expulsos frequentemente, “quebravam a bola”, não sabiam sair jogando, e erravam de maneira infantil em alguns lances decisivos – o que culminava em derrotas inevitáveis para seus clubes.
Passando para a segunda categoria, os jogadores medianos já são vistos com olhares menos desconfiados pelos torcedores. São os famosos “quebra-galhos”, “tapa-buracos” ou “severinos”. O jogador mediano é aquele que não acrescenta, mas também não diminui. Não se pode esperar nada dele, mas ele também não compromete. Esse tipo de jogador costuma passar despercebido, por vezes, nem é notado em campo. Exemplos vivos: Makelele (Grêmio), Ramalho (Goiás-GO), Elicarlos (Cruzeiro-MG).

Makelele: longe de ser o ótimo volante da Seleção Francesa, já foi chamado pela imprensa (marrom) gaúcha de "MakeleGol". É mole?
Os jogadores bons, formadores da terceira categoria, são necessários à estrutura de um time. São atletas que dão uma contribuição positiva para o time, mas não se pode esperar “um algo mais deles”. Um time campeão não se faz apenas com bons jogadores; é preciso jogadores das categorias acima também. O jogador bom não é um diferencial técnico, todavia, preenche bem os espaços do campo, sabe se posicionar, faz uns gols vez que outra, e cumpre bem as determinações do treinador – razão pela qual, esses jogadores costumam ser os “bruxinhos” dos técnicos. Exemplificando: Itaqui (ex-Grêmio, ex-Juventude-RS), Pedro Ken (Coritiba-PR), Alessandro (Corinthians-SP).

Pedro Ken: meia que faz o "feijão com arroz".
Na quarta categoria, referente aos jogadores muito bons, começamos a entrar num ponto bastante interessante. Sem sombra de dúvidas, os muito bons são, em 99% das vezes, os componentes de uma seleção de futebol, de uma seleção de um determinado campeonato. É aquele tipo de jogador que todo o treinador pede para contratar. São atletas que são contratados pelos clubes para serem titulares. Se não são ídolos pelos clubes que passam, pelo menos chegam perto disso, e costumam deixar saudades na torcida pela aplicação técnico-tática. São exemplos os seguintes: Nilmar (Villarreal/ESP), Anderson (Manchester United/ING), Diego Souza (Palmeiras-SP).

Nilmar: atacante efetivo e franzino, pode vir ainda a se tornar craque, ainda mais se conseguir disputar sua primeira Copa do Mundo.
Na penúltima categoria, os tão polemizados craques. Neste rol de jogadores, poucos se enquadram, dentro dos parâmetros propostos pela minha idiossincrasia. São jogadores que fazem (ou fizeram) história em clubes e seleções. Atletas que marcam (ou marcaram uma geração). O principal diferencial técnico de um time, até, por vezes, causando uma relação de dependência do time para com ele. O craque tem o domínio perfeito da bola, ele faz o passe que ninguém espera, ele tem o dom do drible desconsertante, ele arremata a gol com maestria, como se colocasse com a mão. Este “quilate” de atleta profissional do futebol é raríssimo, além de ser praticamente perfeito em todos os fundamentos. Alguns nomes são inexoráveis. Gostaria de citar dezenas, mas me restringirei para não deixar muito teratológico este post. Tentarei coadunar alguns deles a partir de agora: Zico (ex-Flamengo-RJ), Ronaldinho (Milan/ITA), Totti (Roma/ITA), Cristiano Ronaldo (Real Madrid/ESP), Gerrard (Liverpool/ING), Ibrahimovic (Barcelona/ESP), Michael Laudrup (ex-Real Madrid/ESP), Roberto Baggio (ex-Juventus/ITA), Jurgen Klinsmann (ex-Internazionale/ITA), Romário (ex-PSV Eindhoven/HOL.

Francesco Totti: estupendo jogador; levou a Itália ao último título mundial, em que pese ter jogado lesionado e no sacrifício.
Finalmente, a categoria dos deuses do futebol. Se vocês conhecerem algum vocábulo superior a raridade, me digam, pois é a única forma de qualificar estes monstros da prática futebolística. Os atletas considerados deuses não jogam futebol, eles não são seres humanos comuns. Os deuses do futebol praticam o futebol-arte. O povo dirige-se até o estádio para assistir a um espetáculo, e não a uma simples partida de futebol. Muitas vezes, os analistas deste esporte não entendem de onde esses mágicos da pelota inventam certas jogadas. São verdadeiras lendas, que marcam eternamente as suas graças na memória da população mundial. Se o cidadão cita o termo futebol, logo estes jogadores vêm à mente como que se fosse por osmose. São eles: Pelé (ex-Santos-SP), Johan Cruiff (ex-Ajax/HOL), Ferenc Puskas (ex-Seleção da Hungria), Zidane (ex-Juventus/ITA), Franz Beckembauer (ex-Seleção da Alemanha), Maradona (ex-Boca Juniors/ARG), Eusébio (ex-Seleção de Portugal).

Johan Cruiff: o líder da famosa "Laranja Mecânica", a qual contava também com nomes como Rensembrink, Rigisberggenn e Neeskens.
Com isso, meus amigos, encerro este post, tendo exposto com miuças os meus pensamentos sobre o tema em pauta. Este não é um estudo definitivo. Minhas idéias não são absolutas. Ninguém é obrigado a aceitar o meu modo de ver o futebol. Mas uma coisa eu garanto: é racional. Isso porque, se baseia em conceitos relevantes e que têm fundamento teórico-empírico. Portanto, não me venham dizer que Hernanes, Taisons, Klébers, Tardellis, Robinhos e outros jogadores comuns da atualidade são craques!! A imprensa marrom que vá se vacinar, que vá estudar, que vá ler livros e pesquisar melhor! Não banalizem o termo craque, pelo amor ao futebol! Não cometam tamanha heresia! Fico enfurecido, extremamente enraivecido, quando assisto a um jogo de futebol, e os comentaristas ridicularizam esta qualidade intocável – que é ser craque – chamando qualquer elemento desta forma. Prova de que não sabem nada sobre o esporte mais apaixonante do planeta. Valorizar os melhores da modalidade é, deveras, intrínseco para o crescimento da cultura e do próprio esporte. Desconfigurar aleatoriamente os encantos e os conceitos que norteiam o romantismo do futebol é um retrocesso educativo, e ao mesmo tempo uma maneira de afastar possíveis novos admiradores…
Tchüss, fusballteigers!






















